
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
O DIA SEGUINTE
Publicado em 15 de agosto de 2025Caso o governador João Azevedo não mude de opinião e compre a ideia de renunciar em 03/04/2026 – desincompatibilizando-se para disputar uma das vagas para o Senado Federal – dispensa-se “bola de cristal” para prever seu futuro político. No dia seguinte, uma fila quilométrica estará nas portas de Lucas Ribeiro, Aguinaldo e Daniella. Dezena de milhares de contratados e ocupantes de cargos comissionados, temendo perderem seus empregos, irão querer ouvir o “sim” do novo mandatário do Estado, Lucas Ribeiro.
Os grupos midiáticos, compostos por portais de notícias, cadeias radiofônicas e televisões, apresentarão a Lucas Ribeiro faturas atrasadas, novas planilhas – inserindo os custos extras da campanha – externarão queixas pelos maus tratos, indiferenças que lhes foram dispensados pela SECOM sob o comando de Nonato Bandeira. Pedirão sua cabeça, usando o forte argumento que ele foi boicotado. Senão, estaria liderando as pesquisas. Para agradá-lo, irão sensibilizá-lo, apontando sua mãe como a melhor candidata para o Senado. Além do discurso do empoderamento feminino, foi a mais votada em 2018.
Sem “poder de caneta”, João será o “confessionário” procurado pelos descontentes, que perderam suas gratificações, foram exonerados ou tiveram seus contratos rescindidos. Talvez, de cada dez casos, consiga reverter um. Ao seu lado, ficarão apenas um pequeno séquito de comunicadores, contratados para integrar a equipe de divulgação de sua campanha. Produzirão diariamente “releases”, descartados pelos “sites”, que cobrarão para postarem. Em 120 dias, Daniella Ribeiro, ocupando diariamente todos os espaços da mídia, sem rodeios, irá declarar que a voz das ruas implora por sua permanência no Senado. Quem irá ciceronear Nabor Wanderley em Campina Grande e no compartimento da Borborema? Claro que Daniella Ribeiro. Tem histórico de vitórias, e ainda é a campeã de votos na região que suplantou o “mito” Cássio Cunha Lima.
A política, e seu dinamismo, pode mudar tudo que está posto no momento. Poucos talvez recordem Aguinaldo Ribeiro na Convenção do PMDB de José Maranhão. Deixou para fechar a ata no dia seguinte. Para surpresa da Paraíba, coligou-se com Cássio Cunha Lima. O jornalista Luís Torres era Secretário, porta-voz e anjo da guarda de Ricardo Coutinho. Levou um “canto de carroceria” de Nonato Bandeira quando estourou a “Operação Calvário” e João Azevedo o defenestrou. Portas fechadas, Torres procurou uma janela. Três anos depois (2022), como diretor de jornalismo do Sistema Arapuan, impediu Ricardo Coutinho de ser entrevistado na cidade de Patos. Sua ação carimbou seu passaporte para voltar à “Corte”.
A maioria do atual secretariado de João Azevedo será exonerada. Os cargos servirão como moeda de troca, para angariar novos apoios. Permanecerão apenas aqueles que seguirem o malfadado exemplo de fraqueza humana do apóstolo Pedro. “Negou três vezes que conhecia Cristo, antes do galo cantar”. Os papéis se inverterão. Ao invés de ser procurado pela mídia, João suplicará por espaços. Os “palacianos” estarão na cola de Lucas. Os desprestigiados por Nonato Bandeira se dividirão nas oposições, apostando na expectativa de poder. Com Lucas na cadeira, João não terá mais nada para oferecer.
Finalmente, a pergunta que não cala. Qual será o palanque de Lula na Paraíba? Ciro Nogueira, presidente do PP, não permitirá sua legenda estender “tapete vermelho” para o PT em nenhum Estado da Federação. Está na linha de frente do Bolsonarismo. O União Brasil o acompanhará. O diretório estadual do PT/PB já anunciou que ficará ao lado de João Azevedo (?). Contraditoriamente, votará também no PP de Lucas? Só Adriano Galdino e Ricardo Coutinho representam o “Lulismo” no Estado. Porém, não têm o comando da legenda. Faltando apenas sete meses para João “desapear” do poder, no seu gabinete a água já não é mais gelada, e o café começa a esfriar.
