O AZÍAGO AGOSTO DO GOVERNO LULA
Publicado em 21 de agosto de 2025No Palácio do Planalto, predomina com ansiedade a contagem regressiva para que se vire a folhinha do calendário do último dia do mês de agosto. As grandes crises políticas, que provocaram conflitos radicais com reviravoltas inesperadas na política brasileira, coincidentemente ocorreram no supersticioso mês de agosto.
Suicídio de Getúlio Vargas, renúncia de Jânio Quadros, impedimento da posse do vice João Goulart – mudaram o regime de governo de presidencialismo para parlamentarismo…
João Goulart por quase dois anos exerceu as funções de “Chefe de Estado”, e Tancredo Neves foi Primeiro Ministro, eleito pelo Congresso, como “Chefe de Governo”.
Ainda em agosto, no dia 26/08/1930, Vargas decidiu assumir o comando de uma revolução (golpista) para depor um governo legitimamente eleito, antes de sua posse. E não para por aí. O presidente Costa e Silva sofreu dois graves AVC (Acidente Vascular Cerebral) nos dias 27 e 28/08/1969. Perdeu movimentos, supostamente audição e voz. Seu vice, o mineiro Pedro Aleixo, ex-deputado federal e ministro da Educação do primeiro governo militar, Castelo Branco, foi impedido de ser empossado. Instalou-se uma Junta Governativa Provisória, composta pelos comandantes das Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica – no poder até o falecimento do Presidente, em dezembro de 1969.
No dia 22/08/1976, vítima de um acidente automobilístico, faleceu o ex-presidente Juscelino Kubistchek. Apoiado pelo então presidente norte-americano Jimmy Carter, estava articulando o processo de redemocratização do País, com o fim dos atos institucionais do regime militar e a volta dos generais aos quartéis em 1978, evento que de fato ocorreu, porém, através de uma eleição indireta e com mandato de seis anos para o presidente João Batista Figueiredo, eleito para promover a transição democrática.
O mês de agosto deste ano de 2025 iniciou com um tarifaço imposto pelo nosso segundo, paradoxalmente, principal parceiro comercial, Estados Unidos da América. Em seguida, o cancelamento de passaportes de autoridades brasileiras, que passaram a ser impedidas de pisarem em solo norte-americano. Na relação, dois ministros do STF, delegado da Polícia Federal, além de outros agentes públicos da burocracia estatal. A Lei Magnitsky alcançou o ministro Alexandre de Moraes, enquadrando-o por impor censura, amordaçar a liberdade de expressão e determinar prisões por perseguições políticas, ferindo a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, aprovada em Assembleia Geral em 1948.
A perplexidade dos 193 países com assento na ONU – desinformados sobre a realidade da democracia brasileira – são as aplicações de leis tão severas como a Magnitsky a uma Corte de Justiça, e não a um governo. Quem trata de relações institucionais entre nações soberanas, são governos legitimamente eleitos pelo povo. Punidos, são os ditadores. A grande mídia internacional começa a informar aos cinco continentes que no Brasil o governo é refém de uma Suprema Corte, que de fato é quem governa. Se Donald Trump nunca ligou para Lula e nem o punirá, é porque sabe que o petista não governa. O ministro Flávio Dino arrostou ontem o governo norte-americano, causando um prejuízo de 42 bilhões de reais aos bancos brasileiros. Neste interregno, o ministro da Saúde estava pedindo que revalidem seu passaporte para poder participar do encontro da OPAS na ONU. Está com seu visto cancelado. Um avião sem identificação, usado pela CIA, aterrissou ontem no Rio Grande do Sul, fez escala, em seguida pousou em São Paulo e voltou para seu destino de origem. A grande mídia silenciou. Apenas um repórter teve curiosidade de procurar saber o motivo desta misteriosa viagem. A resposta foi que estavam transportando “Membros do Corpo Diplomático” (?). Para que? Os Estados Unidos estão sem embaixador no Brasil! Será que são “Consultores Militares” da CIA, para observarem a movimentação de tropas na Venezuela, sob cerco naval desde ontem? Existem acordos de defesa (secretos) entre as Forças Armadas do Brasil e o Pentágono.
A pior das surpresas do interminável 20/08/2025 foi a derrota do governo na instalação da CPMI do INSS. A direita organizada deu uma rasteira no “Colégio de Líderes” e mostrou que David Alcolumbre e Hugo Motta vendem o que não tem em suas prateleiras: liderança e respeito de seus pares. No final do longo dia, a CCJ do Senado aprovou o voto impresso para as eleições de 2026. Falta ser aprovado pelo plenário das duas Casas Legislativas. Para desviar o foco dos inúmeros transtornos do agourento 20/08/2025, o ministro Alexandre de Moraes convocou a Agência de Notícias Reuters e desafiou Donald Trump. “Espero que ele recue e retire as sanções”, impostas a ele, Moraes. E ameaçou: “se aplicar multa a qualquer banco brasileiro, retaliaremos com multas bancos e empresas norte-americanos instaladas no Brasil”. Para finalizar, no primeiro semestre deste ano (2025) 14,7 bilhões de dólares em investimentos permanentes, que geravam emprego, renda e divisas ao País, fecharam suas portas e abandonaram o Brasil. É o pior resultado desde 1982, início do processo inflacionário que faliu o país em quatro anos (1986).
Fonte: Da Redação (Por Júnior Gurgel)
