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No centenário de nascimento de Zé Carlos A PALAVRA tira do baú “pérola” que mostrava toda Campina torcendo para ele realizar seu sonho de vida: presidir a FIEP

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O saudoso empresário vitorioso José Carlos da Silva Junior, cujo centenário de nascimento está sendo amplamente comemorado pelos seus filhos com lançamento de livro e programação especial nas TV’s Paraíba e Cabo Branco, morreu sem realizar o seu maior sonho na vida: presidir a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP), projeto hoje que é perseguido tenazmente pelo filho Eduardo Carlos.

Nos anos 90, o obstinado projeto de Zé Carlos por pouco não se tornou realidade, mas apesar de contar com a torcida de praticamente toda Campina Grande, onde está sediada a federação, o industrial Agostinho Velloso da Silveira permaneceu perpetuamente no comando, que somente ganhou novo presidente com a sua morte, ocasião em que assumiu o vice-presidente Francisco Benevides (Buega Gadelha).

O jornal A PALAVRA, em sua edição impressa de número 63 (03 a 09 de maio de 1992), em coro com o grito da cidade publicou longa entrevista que o jornalista Marcos Alfredo Alves, atual Coordenador de Comunicação Social do Município, fez com José Carlos exatamente sobre esse tema. Na mesma edição, o jornalista Ismael Marinho Falcão, que estreava coluna no semanário, defendeu a tese da renovação e aplaudiu a decisão do dono da São Braz em encabeçar o movimento que visava tirar Agostinho Velloso da perpetuidade no comando da FIEP.

– “A renovação de mando nas instituições, sejam públicas ou privadas, é uma medida salutar”, escreveu Ismael Marinho explicando que exemplo deplorável ao que se verificava na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba somente o da Academia Brasileira de Letras, “aonde sob o manto da vestal intelectual, se perpetua a figura ultrapassada e mumificada do eterno presidente”.

Como contribuição histórica ao centenário de nascimento de Zé Carlos, A PALAVRA republica, a seguir, o artigo de Ismael Marinho publicado em 1992:

RENOVAÇÃO DA FIEP (Ismael Marinho)

Todos os jornais do Estado estamparam, como inusitada novidade, notícia dando conta da disposição do industrial José Carlos da Silva Júnior de enfrentar o monopólio estabelecido há mais de 40 anos na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, fazendo estabelecer, em nosso Estado, a prática democrática da livre escolha para a administração daquela casa, que se não é de todos, é, com certeza, da grande e importante família industrial paraibana.

Recordo-me bem, ao iniciar-me nos meandros da imprensa campinense, lá pelos idos já longinguos de 1959, a Federação das Indústrias da Paraíba já tinha no seu leme principal a figura londrina do “seu” Agostinho – jovem, é bem verdade, mas o mesmo “seu” Agostinho dos dias presentes.

A renovação de mando nas instituições, sejam públicas, sejam privadas, é uma medida salutar. Não se pode admitir que um único elemento, uma única família, uma só facção partidária, tenha o privilégio de dirigir, como se propriedade sua fosse, qualquer instituição pelo resto da vida.

Exemplo deplorável e igual ao que se verifica na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba somente o da Academia Brasileira de Letras, aonde sob o manto da vestal intelectual, se perpetua a figura ultrapassada e mumificada do eterno presidente.

Nossa Federação das Indústria não pode seguir os mesmos passos daquela Academia. Não. Campina Grande, cantada e decantada no país inteiro, como uma cidade progressista, senhora de grandes empreendimentos, inovadora, pujante, possuidora do mais jovem prefeito que sua história já conheceu, não pode se permitir estar assistindo à perpetuação de um só homem à frente do órgão que deveria ser tão dinâmico quanto a própria vida da cidade e, no entanto, parou no tempo e no espaço à falta de iniciativas novas, de energias novas, enfim, de modernidade!

Em todos esses anos de sua vida, o único passo mais ousado que a FIEP deu – e não se sabe ao certo por que? -, foi a construção de sua nova sede junto ao Açude Velho.

O seu quase eterno presidente, industrial Agostinho Velloso, como os dirigentes de marionetes, governa-a à distância, periodicamente no Rio de Janeiro e não raro em Brasília (se é que ele vai à Capital da República a serviço da Federação…), somente vindo a Campina Grande quando das grandes solenidades em que sua presença não pode ser dispensada.

O presidente da FIEP, embora tenha que viajar sempre, como mensageiro das reivindicações maiores da classe, junto aos Poderes da República, tem e deve residir, morar, ter seu domicilio em Campina Grande, porque é em Campina Grande que a Federação tem a sua sede, não se admitindo possa ele comandar órgão de tamanha magnitude pelo telefone, pelo fax ou pelo telex.

O industrial José Carlos da Silva Júnior, diferentemente de “seu” Agostinho, reside, mora, tem domicílio em Campina Grande, e dela jamais se ausentou por período superior a uma semana, e mesmo assim a serviço dos empreendimentos que campinense e patrioticamente mantém em Campina Grande, em João Pessoa, na Paraíba enfim. Com certeza, o mesmo dinamismo empreendedor que injeta permanentemente em suas indústrias, ele irá injetar na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, tirando-a do sono letárgico que a mumifica por mais de quarenta anos.

À luta Campina Grande!

À luta industriais paraibanos!

Que a democracia também possa encher de modernidade, de dinamismo, de vida a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba!

Fonte: Da Redação

Redação A Palavra

Equipe de jornalismo do A Palavra Online.