No centenário de nascimento de Zé Carlos A PALAVRA tira do baú “pérola” que mostrava toda Campina torcendo para ele realizar seu sonho de vida: presidir a FIEP
Publicado em 29 de agosto de 2026O saudoso empresário vitorioso José Carlos da Silva Junior, cujo centenário de nascimento está sendo amplamente comemorado pelos seus filhos com lançamento de livro e programação especial nas TV’s Paraíba e Cabo Branco, morreu sem realizar o seu maior sonho na vida: presidir a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP), projeto hoje que é perseguido tenazmente pelo filho Eduardo Carlos.
Nos anos 90, o obstinado projeto de Zé Carlos por pouco não se tornou realidade, mas apesar de contar com a torcida de praticamente toda Campina Grande, onde está sediada a federação, o industrial Agostinho Velloso da Silveira permaneceu perpetuamente no comando, que somente ganhou novo presidente com a sua morte, ocasião em que assumiu o vice-presidente Francisco Benevides (Buega Gadelha).

O jornal A PALAVRA, em sua edição impressa de número 63 (03 a 09 de maio de 1992), em coro com o grito da cidade publicou longa entrevista que o jornalista Marcos Alfredo Alves, atual Coordenador de Comunicação Social do Município, fez com José Carlos exatamente sobre esse tema. Na mesma edição, o jornalista Ismael Marinho Falcão, que estreava coluna no semanário, defendeu a tese da renovação e aplaudiu a decisão do dono da São Braz em encabeçar o movimento que visava tirar Agostinho Velloso da perpetuidade no comando da FIEP.
– “A renovação de mando nas instituições, sejam públicas ou privadas, é uma medida salutar”, escreveu Ismael Marinho explicando que exemplo deplorável ao que se verificava na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba somente o da Academia Brasileira de Letras, “aonde sob o manto da vestal intelectual, se perpetua a figura ultrapassada e mumificada do eterno presidente”.
Como contribuição histórica ao centenário de nascimento de Zé Carlos, A PALAVRA republica, a seguir, o artigo de Ismael Marinho publicado em 1992:
RENOVAÇÃO DA FIEP (Ismael Marinho)
Todos os jornais do Estado estamparam, como inusitada novidade, notícia dando conta da disposição do industrial José Carlos da Silva Júnior de enfrentar o monopólio estabelecido há mais de 40 anos na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, fazendo estabelecer, em nosso Estado, a prática democrática da livre escolha para a administração daquela casa, que se não é de todos, é, com certeza, da grande e importante família industrial paraibana.
Recordo-me bem, ao iniciar-me nos meandros da imprensa campinense, lá pelos idos já longinguos de 1959, a Federação das Indústrias da Paraíba já tinha no seu leme principal a figura londrina do “seu” Agostinho – jovem, é bem verdade, mas o mesmo “seu” Agostinho dos dias presentes.
A renovação de mando nas instituições, sejam públicas, sejam privadas, é uma medida salutar. Não se pode admitir que um único elemento, uma única família, uma só facção partidária, tenha o privilégio de dirigir, como se propriedade sua fosse, qualquer instituição pelo resto da vida.
Exemplo deplorável e igual ao que se verifica na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba somente o da Academia Brasileira de Letras, aonde sob o manto da vestal intelectual, se perpetua a figura ultrapassada e mumificada do eterno presidente.
Nossa Federação das Indústria não pode seguir os mesmos passos daquela Academia. Não. Campina Grande, cantada e decantada no país inteiro, como uma cidade progressista, senhora de grandes empreendimentos, inovadora, pujante, possuidora do mais jovem prefeito que sua história já conheceu, não pode se permitir estar assistindo à perpetuação de um só homem à frente do órgão que deveria ser tão dinâmico quanto a própria vida da cidade e, no entanto, parou no tempo e no espaço à falta de iniciativas novas, de energias novas, enfim, de modernidade!
Em todos esses anos de sua vida, o único passo mais ousado que a FIEP deu – e não se sabe ao certo por que? -, foi a construção de sua nova sede junto ao Açude Velho.
O seu quase eterno presidente, industrial Agostinho Velloso, como os dirigentes de marionetes, governa-a à distância, periodicamente no Rio de Janeiro e não raro em Brasília (se é que ele vai à Capital da República a serviço da Federação…), somente vindo a Campina Grande quando das grandes solenidades em que sua presença não pode ser dispensada.
O presidente da FIEP, embora tenha que viajar sempre, como mensageiro das reivindicações maiores da classe, junto aos Poderes da República, tem e deve residir, morar, ter seu domicilio em Campina Grande, porque é em Campina Grande que a Federação tem a sua sede, não se admitindo possa ele comandar órgão de tamanha magnitude pelo telefone, pelo fax ou pelo telex.
O industrial José Carlos da Silva Júnior, diferentemente de “seu” Agostinho, reside, mora, tem domicílio em Campina Grande, e dela jamais se ausentou por período superior a uma semana, e mesmo assim a serviço dos empreendimentos que campinense e patrioticamente mantém em Campina Grande, em João Pessoa, na Paraíba enfim. Com certeza, o mesmo dinamismo empreendedor que injeta permanentemente em suas indústrias, ele irá injetar na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, tirando-a do sono letárgico que a mumifica por mais de quarenta anos.
À luta Campina Grande!
À luta industriais paraibanos!
Que a democracia também possa encher de modernidade, de dinamismo, de vida a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba!
Fonte: Da Redação
