
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
NEY SUASSUNA: O AMULETO DA SORTE DO CLÃ REGO
Publicado em 20 de junho de 2025O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB/PB) – há três anos em campanha – não tem poupado esforços em suas andanças por todo o Estado, na busca de formar uma base segura capaz de lhe afiançar a renovação do seu mandato para a Casa Revisora do Congresso Nacional na disputa renhida de 2026. Ainda não se consegue enxergar a existência de um grupo coeso para puxar seus votos. Até o momento, Veneziano é candidato dele mesmo. Quantos deputados federais e estaduais estão em campanha, garimpando apoios e trabalhando sua reeleição? Compromissos de prefeitos são semelhantes a “noivados”. É comum desistirem do sacramento – sem avisar – e deixarem o noivo só no altar (urnas vazias).
O palanque de Veneziano continua sendo o maior dilema, numa campanha nacionalmente radicalizada. As esquerdas da Paraíba estão com João Azevedo (PSB), comandante da legenda do vice-presidente de Lula (Geraldo Alckmin). O Clã Cunha Lima não subirá no palanque petista. Por outro lado, observando-se o momento, é humanamente impossível Veneziano agrupar Efraim, Bruno Cunha Lima, Romero Rodrigues, o Clã Ribeiro e Cícero Lucena, todos juntos para elegê-lo. Uma das duas vagas será da direita, que já uniu conservadores e bolsonaristas num só palanque, com Marcelo Queiroga para o governo. O Cabo Gilberto e o Pastor Sérgio Queiroz disputarão o Senado. Quanto a postulação de Queiroga, pode ser provisória. Se surgir outro nome que traga votos e provoque um racha na chapa da situação, será bem-vindo.
Em time que joga bem, não se mexe. As grandes conquistas do Clã Rego tiveram como patrono o ex-ministro/senador Ney Suassuna. Veneziano elegeu-se prefeito de Campina Grande pelo empenho de Ney, que com sua ampla visão enxergava os mínimos detalhes, como por exemplo, trazer tropas federais para garantir a lisura da eleição. Rômulo Gouveia perdeu no resultado das urnas de Galante, episódio testemunhado pelo saudoso jornalista Hugo Ramos. Chegaram duas equipes de Galante com dois disquetes. A vitória de Rômulo já tinha sido anunciada pelo rádio, com um “flash” de Geraldo Batista. Vital Filho já tinha deixado o local das apurações. O juiz indagou qual das equipes tinha o verdadeiro disquete. Um coronel do Exército tomou a frente e apontou para a equipe que estava sendo escoltada por soldados de suas tropas.
Vital Filho elegeu-se deputado federal campeão de votos em 2008, suplantando Ronaldo Cunha Lima e Rômulo Gouveia. Enxergando seus umbigos, soltaram a mão de Ney e o deixaram só. Perder para Cícero Lucena em Campina Grande. Um absurdo! Com Ney fora, e tendo como seu algoz “oculto” José Maranhão, Vital Filho começou a pavimentar seu caminho para o Senado em 2010. A máquina reelegeu Veneziano prefeito (2008) e em 2010 – Maranhão no Palácio da Redenção com a caneta na mão – foi derrotado. Todavia, usando as duas estruturas (PMCG/governo do Estado), Vital Filho chegou ao Senado Federal.
Vitórias de pirro. Veneziano tentou voltar à prefeitura (sem Ney) em 2016, foi humilhado pelas urnas. Não conseguiu metade dos votos de 2008. Vital Filho não voltaria ao Senado. Foi o “homem missão” do PT e exigiu uma vaga no TCU, como recompensa por seu trabalho em enterrar a CPI do “Cachoeira” e comandar a CPMI que afastou Dilma Rousseff da Lava-Jato. Mesmo assim, Veneziano votou a favor do impeachment de Dilma. Lançou-se candidato ao Senado em 2018. Em todas as pesquisas figurava em 4º lugar. Primeiro Cássio Cunha Lima, Daniella Ribeiro empatada com Luís Couto, atrás vinha Veneziano. Quem poderia salvar o “cabeludo” da derrota, e do vexame? Ney Suassuna. Chegou só, no dia 19 de setembro, e substituiu o primeiro suplente de Veneziano. Como Veneziano já estava considerado fora da disputa, ninguém atentou para a legalidade do fato. A substituição de um primeiro suplente, 14 dias antes da eleição, só por morte.
Ney, conhecedor de números e projeções, calculou com precisão. Para eleger Veneziano, tinha que atacar e conquistar o segundo voto dos demais concorrentes. De Cássio, Daniella e Luís Couto. Veneziano derrotou os demais como segunda opção, não como preferencial. Inverteram-se nas posições. Veneziano foi o segundo e Cássio desceu para a quarta posição.
A gratidão é um sentimento raro no mundo político. Mas, a lealdade é fundamental. Vale a palavra e o cumprimento de compromissos, perdendo ou ganhando o pleito. Ney ainda é muito respeitado pela classe política da Paraíba. Quem deveria estar no Senado no momento era Ney, costurando a reeleição de Veneziano. Sem equipe, retaguarda e estratégia, Veneziano como Dom Quixote luta contra “moinhos de ventos”. Quem confiará em alguém que não honrou com o paraninfo de seus triunfos? O pactuado era que Ney assumisse quatro meses anualmente o Senado. Só esteve lá uma única vez, e por três meses. Ainda existe salvação? Sim, Ney voltando ao comando.
