Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

Na “loja” de Paulo falei de tudo, mas não contei tudo

Publicado em 5 de junho de 2026

Minha passagem pelo programa Ponto a Ponto, da Rede Ita, despertou em mim um delicioso sentimento de nostalgia dos meus tempos de cobertura esportiva no Diário da Borborema. Nos quase sete anos (de 1985 a 1992) que permaneci no jornal Associado, costumava, na ociosidade do horário, ir à loja de Paulo Roberto, em frente à feirinha de frutas, e ficava conversando, atualizando as notícias dessa monocultura que era o futebol naqueles anos.

No talk show da afiliada da Rede Cultura, a finalidade é mais o bate-papo descontraído entre o apresentador e o entrevistado do que propriamente a entrevista em si. Procurei me comportar como se estivesse conversando com Paulo na sua saudosa loja, nas proximidades da rodoviária velha, e esse comportamento talvez explique a minha tranquilidade em meia hora de programa. Não fiquei nervoso em nenhum momento, e a timidez, deixei em casa.

Em tempos pretéritos, uma participação dessas talvez me animasse a tomar duas, três doses de uma bebida quente. Agora, vivenciando a maturidade da minha fé, a invocação ao Espírito Santo me capacita. O desenrolar da entrevista e os inúmeros assuntos abordados causam uma espécie de amnésia momentânea e as respostas, por detalhes, ficam incompletas.

Conheci a mulher com quem estou casado há 37 anos no Curso de Comunicação Social, habilitação jornalismo, e omiti, involuntariamente, esse importantíssimo acontecimento de minha vida, quando falamos sobre a graduação superior que possuo. Confesso que não me perdoei, pois a felicidade conjugal deve ser testemunhada, além de visível aos olhos alheios.

Na gratidão às pessoas que me encaminharam ou me acolheram nas redações por onde passei, esqueci de três delas. Citei Marcos Marinho, Geovaldo Carvalho, Luiz Aguiar e Apolinário Pimentel, mas esqueci de Helder Moura, Cidoval Morais e Arimatea Souza. Este aprovou a sugestão daquele quando surgiu a vaga no Jornal da Paraíba e me recebeu muito bem; Helder me fez o convite, através de Apolinário, para assumir a coluna de esportes quando a Gazeta do Sertão se tornou semanário.

Ao ser perguntado se estou aposentado, brinquei dizendo que meu ócio remunerado é tão pequeno que não dá nem para um churrasco. Mas faltou eu acrescentar que, para complementar o nosso orçamento — já que Margarida também é aposentada —, mantemos em nossa casa um serviço de hospedagem de pet.

Não citar minha integração ao Terço dos Homens é outro lapso da memória que lamentei, nessa loja imaginária de Paulo. Logo eu, que tenho um histórico de participação nos Terços da Catedral, Santa Filomena, São Francisco (Cruzeiro) e São João Batista, no Jardim 40. Na “loja” de Paulo Roberto falei de tudo, mas não disse tudo.