Emir Gurjão

Pós graduado em Engenharia Nuclear; ex-professor da Universidade Federal de Campina Grande; Secretário de Ciências, Tecnologia e inovação de Campina Grande; ex-secretário adjunto da Representação do Governo da Paraíba, em Campina Grande; ex-conselheiro de Educação do Estado da Paraíba.

MIT x Universidades Públicas no Brasil (UFPB/UFCG como exemplo)

Publicado em 5 de outubro de 2025

1) Salário e incentivos

MIT: 9 salários/ano; o restante depende de captação externa.

UFs: 12 salários + 13º “chova ou faça sol”.
Diagnóstico: o MIT atrela renda a resultado; as UFs pagam por presença.
Analogia: no MIT, o professor marca gol para ganhar bônus; aqui, o placar independe do salário.

2) Consultoria e empreendedorismo

MIT: 1 dia/semana para consultoria/empresa própria — ponte direta com o mercado.

UFs: não é proibido, mas é raro e desincentivado pela burocracia/cultura.
Diagnóstico: quem tenta empreender “pede licença da licença”. O timing do mercado se perde.

3) Endowment e ex-alunos

MIT: endowment > R$ 100 bi; rende bolsas e infraestrutura.

UFs: dependência quase total do orçamento público; cultura de doação quase inexistente.
Diagnóstico: sem poupança institucional, tudo vira “pagar contas”, não acumular capacidade.

4) Propriedade intelectual e royalties

MIT: patente vira licenciamento, royalties e tecnologia na rua.

UFs: pesquisa vira currículo, progressão e bolsa; pouco licenciamento efetivo.
Diagnóstico: paper é meio no MIT e fim nas UFs.
Cotidiano: produto que poderia ir à prateleira fica no PDF.

5) Missão orientada a problemas da sociedade

MIT: até a básica tem vetor para desafios reais.

UFs: dificuldade de converter ideias em produto/serviço para indústria/municípios.
Diagnóstico: a régua mede “publicação”, não solução implementada.

6) Sala de aula

MIT: laboratório, projeto, liderança, empreendedorismo como prática.

UFs: majoritariamente teoria; exceções confirmam a regra.
Analogia: “aula de direção” só com apostila, sem carro.

7) Governança e cobrança

MIT: comitê de busca; sem mandato fixo; desempenho derruba ou mantém.

UFs: eleição, mandatos fixos, pouco vínculo a metas; pouca consequência por baixa entrega.
Diagnóstico: gestão gira em torno de coalizões internas, não de contratos de resultado.

8) Vida no campus e foco

MIT: moradia estudantil forte; concentração favorece inovação.

UFs: residências escassas/fora do campus; multicampi dispersa recursos e foco.
Diagnóstico: menos densidade, menos “colisão” criativa.

9) Natureza jurídica e missão de receita

MIT: privado sem fins lucrativos, missão + sustentabilidade financeira.

UFs: públicas sem fins lucrativos, receita ≈ governo.
Diagnóstico: sem diversificação de fontes, falta margem de manobra para premiar o que dá certo.

10) Títulos e símbolos

MIT: nada de honoris causa por fama/cheque; mérito acadêmico real.

UFs: honrarias frequentemente simbólicas/ideológicas.
Diagnóstico: sinal errado: crédito por visibilidade, não por ciência/tecnologia entregue.

Conclusão: “Sistema sem bússola, sem placar”

As universidades públicas têm gente boa e ilhas de excelência, mas o sistema premia ritmo, não rumo; ritual, não resultado. É um time que treina todo dia, faz coletiva, cumpre tabela — mas não tem placar oficial e ninguém cai se não entregar.

Minha opinião: enquanto a carreira, o orçamento e o prestígio forem definidos por quantidade de papel e capital político interno, e não por impacto verificável, seguiremos “sem rumo”. O MIT funciona porque tudo (governança, salário, PI, # endowment, sala de aula) aponta para aprender–fazer–transferir. Aqui, a seta aponta para cumprir calendário. # “Endowment” é um fundo patrimonial de longo prazo de uma instituição (ex.: universidade).

Ele é formado por doações que são investidas; a instituição usa só uma parte do rendimento anual (e não o principal) para pagar bolsas, laboratórios, manutenção etc. Escrito baseado em um a postagem do professor Anderson Ribeiro Correia reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), por Emir Candeia Gurjão- professor aposentado da UFCG, as 06:20 horas do dia 05 de outubro de 2025.