MDB e PSD, sob inocência do bispo, prontos para profanarem Seminário São João Vianney
Publicado em 26 de abril de 2026Minhas caixas do ZAP e do e-mail foram entupidas neste final de semana por convites, dentre eles um do senador Veneziano Vital do Rego, na qualidade de presidente estadual do MDB (sigla pela qual exerci o mandato de Vereador em Campina Grande décadas atrás), de Cícero Lucena, ex-prefeito de João Pessoa, e de Johny Bezerra, presidente municipal do PSD, para um evento político que acontece nesta segunda feira, dia 27, no auditório do Seminário Diocesano São João Maria Vianney, no bairro Alto Branco, aqui na Rainha da Borborema.
De público, nesse simples espaço onde continuo exercendo o meu labor jornalístico para evitar – ou atrasar! – a chegada do velho alemão (Alzheimer) que vive ao encalço de velhinhos assim como eu para tolher a nossa memória, venho agradecer a atenção e o convite dos ilustres anfitriões e informar-lhes que prescindo da honraria e apenas me farei representar por um dos repórteres d’APALAVRA.
Também, aqui, aproveito para censurar o ínclito Bispo Diocesano de Campina Grande, Dom Dulcênio Pontes, pela reprovável iniciativa de autorizar a abertura das portas de tão sagrado recinto para um ‘auê’ político-partidário que, ao meu ver, sujará para sempre o ambiente onde a Igreja Católica na Paraíba forma catequistas e, principalmente, futuros sacerdotes da região.
Com isso, abre-se na Igreja Católica paraibana um precedente vergonhoso e perigoso, esse de nós, católicos praticantes que colaboramos com dízimos e outras taxas rotineiras extraídas no suor do trabalho de cada dia para mantermos erguidos e conservados os prédios e altares da Igreja, onde o Espírito Santo nos celebra sem distinção de classe social ou renda, vermos ato essencialmente político-partidário dar vez a atos de fé cristã.
Importante lembrar que o patrono do nosso Seminário, São João Maria Vianney, que nasceu em Lião (França) no ano de 1786, depois de superar muitas dificuldades pôde ser ordenado sacerdote, tendo-lhe sido confiada a paróquia de Ars, na diocese de Belley, onde nela promoveu admiravelmente a vida cristã, através de uma pregação eficaz, com a mortificação, a oração e a caridade.

Vianney revelou especiais qualidades na administração do sacramento da penitência; por isso, acorriam fiéis de todas as partes para receber os santos conselhos que dava. Morreu em 1859, mas seus exemplos continuam eternos e deveriam ser seguidos, notadamente pelos que gerenciam os pilares físicos e espirituais do catolicismo nacional.
Bom também a gente lembrar que um Seminário é o lugar privilegiado onde o jovem encarna o ideal evangélico, humano, cristão e presbiteral, tendo em vista a missão. A própria palavra “seminário” nos remete a sementeira, ou seja, o lugar onde as sementes são lançadas e cultivadas para que cresçam e venham a dar bons frutos.
O Documento 110 para a Formação de Presbíteros do Brasil afirma: “O seminário é antes de tudo uma escola do Evangelho. Tem como modelo e referência ideal a própria convivência de Jesus com o grupo dos apóstolos e discípulos, em que os vocacionados realizam uma experiência de vida e intimidade com Cristo”.
Nesta compreensão, o seminário é muito mais que um espaço, tem o significado de ser o lugar onde crescemos em comunhão com Deus, na vivência da Palavra, na celebração dos sacramentos, na vida comunitária, no campo intelectual, na experiência missionária e no desenvolvimento humano-afetivo. São estas cinco dimensões que o Espírito Santo e a formação buscam desenvolver de forma integral e personalizada.
O Documento de Aparecida (n. 316), tão ao conhecimento de bispos como Dom Dulcênio, acrescenta sobre a dinâmica da vida no seminário:
– “No seminário os futuros presbíteros compartilham a vida, a exemplo da comunidade apostólica ao redor do Cristo ressuscitado: rezam juntos, celebram a liturgia, que culmina na Eucaristia, a partir da Palavra de Deus recebem os ensinamentos que vão iluminando sua mente e modelando seu coração, pessoalmente e em comunidade, para o exercício da caridade fraterna e da justiça”.
Formar bons pastores para a Igreja é uma missão peculiar que as Dioceses abraçam, engendrando forças humanas e recursos para a melhor formação de seus futuros presbíteros.
E aqui conosco, no ano de 1957, a Igreja de Campina Grande, em espírito de unidade e de solidariedade, assumiu o compromisso de ajudar esta diocese na formação de novos sacerdotes, assim nascendo o majestoso Seminário lá no Alto Branco.

E é em seu auditório, esse que a classe política integrante de dois partidos vai fazer a sua festa, onde são celebradas aulas inaugurais de anos letivos e onde acontecem simpósios filosóficos e teológicos, encontros vocacionais, formação de catequistas, acolhendo párocos de todas as regiões do Brasil, como quando nele se reúnem clérigos superiores da CNBB e bispos do Nordeste para as avaliações sacerdotais e o planejamento das futuras missões.
Para quem não sabe, é importante informar que no histórico prédio lá funciona o “Seminário Propedêutico São José”, um centro de formação de jovens que lá passam a residir e são acolhidos e iniciam a caminhada até o sacerdócio.
O edifício conta com dois pisos. No térreo, ficam a capela, cozinha, despensa, o refeitório e dois banheiros sociais. No andar superior, está a sala de convivência e há 13 quartos, incluindo um de hóspedes. Na parte externa do seminário, foram construídas uma cisterna e a lavanderia.
O novo Seminário Propedêutico São José foi erguido em dez meses, com o apoio da Conferência Episcopal Italiana (CEI) e com recursos adquiridos por meio da Obra das Vocações Sacerdotais (OVS), ou seja, com dinheiro do pobre católico trabalhador campinense, realização que faz parte das iniciativas alusivas ao jubileu de 75 anos da diocese.
Lembro do discurso do operoso Dom Dulcênio no dia da inauguração do espaço: “Há quatro anos estávamos a esperar por este dia. Deus ouviu as nossas orações. Tudo se deve, evidentemente, à providência divina, que escolheu a hora e o modo de dar a resposta às preces e anseios, não só do bispo, mas dos formadores e dos próprios seminaristas”, afirmou ele.
Após a missa concelebrada por dom Genival Saraiva, bispo emérito da Diocese de Palmares (PE), dom Dulcênio abençoou os espaços do propedêutico e descerrou a placa. As cerimônias foram acompanhadas por padres, diáconos, religiosos e autoridades civis de Campina Grande.
Não vi políticos por lá: nem os falsos, nem os mentirosos, nem os que se advogam benfeitores dos pobres e oprimidos…
“Se cada ordenação sacerdotal é como o natal de um novo Cristo, cada seminário que se inaugura é uma nova anunciação, pois nele estarão, em gestação e virão à luz, ‘outros Cristos’”, declarou dom Dulcênio com brilho de felicidade nos olhos.
Recentemente, esse auditório onde MDB e PSD, cujos dirigentes se digladiavam com pouco ou nenhum pudor há menos de um ano e agora se beijam como irmãos de uma mesma placenta, foi totalmente modernizado, recebendo climatização, forro termo-acústico, carpetes exclusivos para auditórios, painéis acústicos laterais, poltronas articuladas e outros itens necessários para conforto dos seus ocupantes, é o lugar nobre do terreno e assim ao meu ver deve se manter, principalmente sem a infestação de “vendilhões do templo”.
O Pai os enxotaria!!!
Porque ali eu entendo que a exclusividade é dos jovens seminaristas de todas as paróquias e algumas vocações de outros Estados. Em regime de internato, os jovens recebem a formação intelectual no curso de filosofia, curso livre de três anos.

Portanto, o Seminário São João Maria Vianney, incluindo o seu magnífico auditório, busque em seu patrono a inspiração espiritual para construir o caminho formativo, ajudando a projetar o perfil do padre que o Brasil deseja formar a partir da realidade pastoral e eclesial da sua Diocese, valendo nesse intuito a experiência do Vianney, que no coração carregava um grande amor por Cristo e sua Igreja, e se colocou à disposição para colaborar com o projeto de Deus.
Transformou a vida de sua pequena comunidade a partir do cultivo da espiritualidade e da sensibilidade pastoral e a todos ensinou como viver o discipulado, seguindo Jesus Cristo; a configuração; assumindo as atitudes do Bom Pastor, e a missão no serviço generoso ao Povo de Deus.
Só lamento ter visto apenas hoje os convites que me endereçaram, quando não há mais tempo de pedir a Dom Dulcênio que aconselhasse aos dirigentes partidários que o procuraram que levassem o “auê” para os lugares onde historicamente faziam seus encontros: No SESC, na ACI, na FIEPB, em casas de eventos como Spazzio, Medox etc…
Nada de profanar nosso Templo.
Tenho Dito!
Fonte: Da Redação (Por Marcos Marinho)
