MANOBRA PERFEITA
Todo projeto político vitorioso começa pela escolha inteligente de seu adversário preferido, fácil de ser derrotado. Para desestimular o surgimento e formação de uma oposição organizada e competitiva, o grupo que ocupa o poder simula rompimentos, inventa crises inexistentes – sem motivos óbvios – criando uma falsa expectativa no eleitor insatisfeito, o grande iludido neste enredo.
O ex-presidente FHC, de mãos dadas com a grande mídia, escolhia Lula, que sempre saia disparado na frente nas pesquisas com 60% da preferência do eleitorado. O petista não tinha densidade eleitoral abrangente, capaz de cobrir todo território nacional. Seria fácil derrotá-lo. Usou este método duas vezes e matou dois coelhos com uma cajadada. Derrotou Lula, e acabou com o PFL/PDS/PL, nossa direita desorganizada.
Este tipo de trama, arquitetada nos bastidores, chega ao público através dos formadores de opinião – primeiros a serem ludibriados pelo embuste – e que se transformam em fornecedores de matéria prima para produção diária da mídia, escrava do “jornalismo de batente” comprometida com o “furo”, ou o “fato novo”.
Bruno e Romero se espelham no exemplo do Império Romano: dividir para governar.
Romero Rodrigues impediu durante um ano e meio a criação de um grupo de oposição capaz de enfrentar Bruno Cunha Lima, e seu projeto de reeleição. Em dezoito meses, nunca se pronunciou com clareza afirmando que seria candidato. Muito menos, assumiu compromissos com a população revelando que estava disposto a enfrentar a “máquina” do Palácio do Bispo. Nesta longa jornada “levou de barriga” o governador João Azevedo, o Clã Ribeiro e todo bloco oposicionista da cidade.
Quem primeiro alcançou a “estratagema” foi o deputado Adriano Galdino, presidente da ALPB, que em novembro de 2023 externou sua opinião e cobrou: “ele tem até janeiro para se posicionar, e anunciar sua candidatura”. Neste interregno, deve ter conversado algumas vezes com Romero e percebido que sua postulação era uma “cortina de fumaça”. Ainda postergou o prazo, esticado para fevereiro, abril… Convidou-o publicamente para ingressar no Republicanos… Mas, Romero manteve-se em silêncio. Seu séquito de alucinados, cegos, se encarregaram de instituir as desculpas.
A sedução aconteceu e Romero esteve prestes a romper. Esqueceram o “freio de arrumação” de Bruno, quando inesperadamente e sem motivos (ano passado) exonerou todo o primeiro, segundo e terceiro escalão de sua gestão? Deixou Romero à vontade para se manifestar sobre o episódio e lançar sua candidatura, contando com o exército dos futuros insatisfeitos. Ao mexer na parte mais sensível do corpo humano, o bolso, os críticos da gestão que embalavam a canção “volta Romero”, sentindo-se ameaçados, partiram para o “beija mão” a Bruno. Preferiram segurar seus contracheques. Como Romero iria convencer “Tia Glória” e justificar sua ingratidão?










