
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
LULA PERMANECE MUDO DESDE O DISCURSO DE TRUMP NA ONU
Publicado em 3 de outubro de 2025Não se deve subestimar a capacidade de comunicação do presidente Lula, quando fala de improviso. Tem uma grande habilidade em usar palavras e frases de efeito em público, graças a seu raciocínio rápido e sensibilidade de interagir com a plateia, sequiosa por ouvir em seu discurso o que faz bem aos seus ouvidos. Porém, quando a alocução é escrita – preparada por outrem – inspirada em caráter formal, tem dificuldades de interpretar e expressar sua emoção no fechamento de cada parágrafo. Perde o domínio da oratória e passa a imitar um noticiarista da rádio ou TV.
Abraçando mais uma vez as ideias obsoletas de Celso Amorim – eterno saudosista da extinta União Soviética – enxergou na última assembleia geral da ONU, comemorativa aos 80 anos de sua instalação, oportunidade imperdível para repetir o feito glamoroso de Fidel Castro em 1960, ao lado de Nikita Kruschev, dia em que selaram em definitivo um pacto, que sobreviveu até a queda do Muro de Berlim. O tarifaço de Trump, deportações de exilados; cerco a Venezuela nas águas internacionais do Mar do Caribe; conflito da Faixa de Gaza, com apoio de mais de 160 países para o reconhecimento de um Estado Palestino, na visão de Celso Amorim transformaria Lula no novo porta-voz da propaganda anti-imperialista (Fidel Castro) que estigmatizou os Estados Unidos nos anos sessenta, como o colono impiedoso de toda a América latina.
Tradicionalmente o Brasil é quem abre a sessão da ONU. Lula foi o primeiro a falar. No seu inflamado pronunciamento, acusou os Estados Unidos de intromissão nos países independentes, atropelando suas soberanias. Referindo-se à Lei Magnitsky, aplicada contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Vazaram vídeos de Trump, assistindo com atenção a pregação de Lula na ante sala que dá acesso ao palco principal. Ele seria o segundo a falar. Por ocasião de sua preleção, Lula foi aplaudido algumas vezes. Representantes das Ligas Árabes, Africanos e Latino-Americanos.
Quando Trump subiu à tribuna, iniciou sua homilia condenando a ONU, criticando a escada rolante que travou e quase derrubou sua esposa, e o tela print que não exibiu o discurso que ele iria ler. Falou de improviso. Com certeza foi bem melhor, pois não reproduziu o que escreveram para ele. Ao referir-se a Lula e ao Brasil, disse que sentiu uma “química” diferente pelo “petista”. Que queria negociar com ele e o pré-julgou como uma boa pessoa. Mas, deixou seu recado. O Brasil passa por sérias dificuldades e os Estados Unidos é a única solução da crise. “Seu lugar é ao nosso lado”. Chegou até a fingir uma urgência de um encontro, pré-agendado para semana seguinte. Ignorou por completo todas as agressões sofridas minutos antes.
Trump consertou todos os desacertos precipitados do deputado federal Eduardo Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo. Ansiosos, defenderam o “tarifaço” como uma forma de retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esqueceram que as tarifas atingiriam a todos, petistas e bolsonaristas sofreriam seus efeitos. Episódio que o marqueteiro de Lula soube aproveitar e transformou Lula e o Brasil como vítimas.
Lula mordeu a isca dos elogios feitos por Trump. O Brasil aplaudiu o gesto amistoso, e doravante não culpará Trump pelo “tarifaço”. A vez agora é de Lula, que foi fisgado e irá ser puxado pelo anzol. A reunião não aconteceu, e nem tem data prevista. Trump foi esquecido pela pauta da grande mídia, como algoz do destino do Brasil. O STF desacelerou a perseguição insana a Bolsonaro. E Lula ainda não escolheu a fantasia que usará para a reunião na Casa Branca. Fazendo uma analogia ao futebol, Lula levou um “drible da vaca”. Só lhe resta um “Taffarel”, para evitar o gol.
