Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

LUCAS RIBEIRO SERÁ O SEGUNDO GOVERNADOR MAIS JOVEM DA PARAÍBA DESDE A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

Publicado em 5 de fevereiro de 2026

O saudoso Argemiro de Figueiredo foi o mais jovem governador da Paraíba, eleito indiretamente em 1935, após a revolução de 1930. O levante constitucionalista de São Paulo levou o país a uma guerra civil regionalizada. As tropas federais escrevem nas páginas da história dos vencedores que São Paulo foi derrotado. Uma mentira oficial. Getúlio Vargas, presidente da Comissão do Governo Provisório, negociou e aceitou realizar em 1933 eleições para eleger uma Assembleia Nacional Constituinte. O pleito aconteceu com a participação ínfima de eleitores. Vargas impôs as regras, criando o voto secreto, permitindo o voto dos afrodescendentes e das sufragistas (mulheres). A nova Constituição surgiu de um amplo debate, moderno e democrático.

Promulgada em 1934, a nova Carta Magna – rasgada por Getúlio em 1937 com a criação do Estado Novo – em suas “disposições transitórias” permitiu a realização de eleições parlamentares para os Poderes Legislativos Estaduais e Municipais. Governadores e Prefeitos seriam escolhidos ou eleitos indiretamente pelo Parlamento. O jovem Argemiro de Figueiredo, deputado estadual, foi o escolhido/eleito/nomeado na Paraíba, e ocupou a segunda posição no ranking nacional. O tenente (cearense) Juracy Magalhães, com apenas 26 anos, foi eleito/nomeado na Bahia, com o apoio de seu conterrâneo Juarez Távora – considerado vice-Rei do Nordeste – que esteve escondido e doente na casa do tenente Juracy Magalhães na Parahyba (1930), capital da Parahyba do Norte. Juracy Magalhães caiu em 1937, com o golpe de Getúlio Vargas, criando o Estado Novo. Argemiro escapou. Foi nomeado Interventor e permaneceu no cargo até 1940. As coincidências históricas entre Argemiro e Lucas são as origens. Ambos são de Campina Grande. Nascido em 09/03/1901, Argemiro tinha 35 anos quando assumiu os destinos da Paraíba. Lucas Ribeiro, nascido em 1989, assumirá com 36 anos.

A dúvida suscitada, Lucas ou Argemiro, nos levou a pesquisar após conversa telefônica com o amigo Ermírio Leite. Ele nos advertiu que Argemiro era mais jovem. Por outro lado, paira a curiosidade sobre como Argemiro conquistou este espaço. Ouvindo o amigo Alfredo Lucas – o maior memorialista político/eleitoral da Paraíba – sem a precisa convicção atribui a escolha de Argemiro por Getúlio supostamente por ter sido o autor da Emenda à Constituição da Paraíba, que mudou o nome da capital do Estado de Parahyba, para João Pessoa. Faz sentido. Infelizmente, não existem registros históricos sobre um evento de tamanha importância. Talvez conste nos anais inacessíveis da ALPB, a autoria e quem votou na emenda.

Argemiro para ser governador teria que ter o apoio de José Américo de almeida, pai da revolução de 1930, que habilmente transformou um crime de honra, onde ele foi o pivô – assassinato de João Pessoa – em um homicídio político, protagonizado pelo gaúcho Oswaldo Aranha. Getúlio e Aranha estavam a caminho do Automóvel Clube de Porto Alegre, ocasião que Vargas em discurso reconheceria sua derrota e parabenizaria Júlio Prestes pela vitória. No trajeto, um mensageiro entregou um telegrama “urgente” a Oswaldo Aranha, enviado por José Américo, Chefe de Polícia da Paraíba, comunicando o homicídio que vitimou o candidato a vice de Getúlio, João Pessoa.

Quem discursou no Automóvel Clube foi Aranha. “Assassinaram o vice de Getúlio, por ter desvendado uma fraude eleitoral na Paraíba”. Como? Getúlio venceu na Paraíba! O discurso de Aranha dividiu os Quartéis. Ressurgiu das cinzas a insurgência dos 18 do Forte (1922). O movimento Tenentista reacendeu e apoiou Getúlio em sua marcha. Além de depor o presidente Washington Luís, impediu a posse de um novo governo legitimamente eleito, Júlio Prestes, que obteve o dobro da votação de Vargas.

A ousadia do jovem Argemiro foi a luva que calçou a mão do genial estrategista José Américo de Almeida. Ao apoiar sua indicação e eleição, encerrou um ciclo político oligárquico que tinha raízes no Império. Zé Pereira, os Dantas, os Queiroz, descendentes de João Suassuna, Solon de Lucena…Todos ficaram para trás. O futuro era Argemiro.