Lucas abraça candidatura de Lula a céu aberto em ato público na Capital

Publicado em 24 de abril de 2026

Na presença dos ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Gustavo Feliciano, do Turismo, e diante de líderes petistas locais, o governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (Progressistas), abraçou, ontem, a céu aberto, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa, a pré-candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.

Foi durante a abertura da Feira “Governo do Brasil na Rua”, um evento em parceria com governos regionais para a oferta de serviços à população. Lucas foi enfático na sua fala ao exaltar feitos do governo federal e sensibilidade para parcerias com gestões estaduais e municipais e deixou claro que está engajado no projeto de reeleição dele. A manifestação se dá após o diretório estadual do PT declarar apoio à pré-candidatura de Lucas ao Executivo e após Lucas dar posse a Gilvaneide Nunes, indicada pelo PT, na secretaria de Desenvolvimento
Humano.

Lucas ganhou carta-branca do PP para decidir livremente quem apoiar para a disputa presidencial de outubro. Nos últimos meses, a nível nacional, o Progressistas se posicionou publicamente como oposição ao presidente Lula mas começou a ensaiar um movimento de aproximação com o PT em alguns Estados estratégicos do país.

Apesar do discurso nacional mais crítico ao governo, o PP integra a Esplanada dos Ministérios e carrega, historicamente, uma forte divisão interna, fator que ajuda a explicar as tratativas em andamento. Tradicionalmente, conforme aponta a mídia sulista, o partido é marcado com uma clivagem regional, já que lideranças do Norte e do Nordeste tendem a ser mais alinhadas a governos de esquerda, enquanto os quadros do Centro-Sul costumam se aproximar de projetos de extrema-direita. Esse racha provoca dificuldades quando o partido assume uma posição nacional muito rígida em disputas presidenciais, pela iminência de criar rejeição local e atrapalhar alianças estaduais.

Diante desse cenário é que caciques do PP passaram a defender uma saída pragmática, ou seja, a neutralidade na eleição presidencial, liberando as seções estaduais para se posicionarem conforme os seus interesses e peculiaridades, costurando os acordos mais vantajosos localmente, com foco principal em ampliar bancadas na Câmara dos Deputados, objetivo central de praticamente todas as siglas na disputa deste ano. O jornal “Folha de São Paulo” identificou que esse processo de distensão teria adquirido força após uma conversa reservada entre o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP) e o presidente Lula, realizada fora da agenda oficial no fim do ano passado. Ciro Nogueira negou o encontro, mas lideranças do partido relataram que esse teria sido o primeiro contato após um período distensão, servindo justamente para reabrir canais de diálogo e facilitar negociações nos Estados.

Estados: Paraíba, Piauí, Maranhão, Ceará, Alagoas e Pernambuco. Em alguns deles, o entendimento buscado é apenas pela neutralidade, em outros já se fala em alianças formais. Na Paraíba, o movimento tornou-se mais explícito depois que Lucas Ribeiro, candidato do PP ao governo, declarou que seu palanque será o de Lula, indicando uma aliança formal com o PT. Segundo líderes políticos, esse tipo de posicionamento reforça a avaliação de que, apesar do discurso nacional, o partido tende a adotar uma estratégia altamente descentralizada em 2026. Lucas Ribeiro fortaleceu-se na mesa de negociação quando seu partido ganhou o controle da federação União Progressista, derrotando o senador Efraim Filho, hoje no PL, que se confrontou com o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, tio de Lucas e principal expoente de articulações políticas no Estado. A direção do antigo União Brasil na Paraíba ficou com o deputado federal Damião Feliciano, pai do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, que foi indicado para a Pasta com o aval do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos).

A situação política paraibana radicalizou-se quando o MDB presidido pelo senador Veneziano Vital do Rêgo entrou na briga da sucessão presidencial reclamando exclusividade do palanque oficial de Lula no Estado e apoio deste à pré-candidatura do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, ao governo. O PP, que sucedeu no Executivo a João Azevêdo, pré-candidato a senador pelo PSB, avançou nos canais de interlocução com o Palácio do Planalto e, ao mesmo tempo, sacramentou aliança importante com o PT local, estabelecendo um nível de diálogo considerado excelente pelos respectivos operadores políticos. A reafirmação do apoio do PT a Lucas Ribeiro desagradou a Veneziano Vital, que também não tolera a hipótese de apoio do Planalto a um outro candidato ao Senado, além de João Azevêdo: Nabor Wanderley, pai de Hugo Motta e ex-prefeito de Patos. Por enquanto, PP e PSB na Paraíba vão levando vantagem sobre os emedebistas Cícero Lucena e Veneziano Vital do Rêgo, mas a expectativa é de novos capítulos nessa queda-de-braço

Fonte: Portal OS GUEDES (Por Nonato Guedes e Suedna Lima)