LIVRO DE MM – Campina Grande e o entrelaçamento entre inovação digital e vigor comercial
Publicado em 22 de agosto de 2026O jornalista campinense Marcos Marinho acaba de concluir a redação do que virá a ser o seu primeiro livro, sonho que acalenta há décadas. A obra, prevista para estar nos sites de venda on-line (Amazon, Shoppee, Mercado Livre, Leitura Dinâmica, Magazine Luiza, Carrefour, etc.) na primeira semana de outubro, coincidindo com o aniversário de fundação de Campina Grande, convida o leitor a uma imersão na trajetória da efervescente metrópole paraibana, que transcendeu sua origem nos caminhos dos tropeiros para se afirmar como um polo de inteligência e produtividade no Nordeste do Brasil.
O livro de Marinho mostra que a Borborema não se impôs como barreira, mas como convite aos que buscavam o movimento. “O relevo elevado, com seus planaltos que guardam o ar fresco acima da quentura do sertão baixo, tornou-se o destino lógico para as caravanas que carregavam a subsistência colonial. Ali, onde as trilhas indígenas encontravam os caminhos abertos pela exploração dos recursos, formou-se um ponto de inflexão geográfico. Os tropeiros, homens de lombo de besta e paciência de pedra, foram os arquitetos invisíveis dessa malha logística que viria a definir a existência de uma cidade. Eles não buscavam construir um centro urbano no início, mas apenas um lugar de respiro, onde o gado pudesse pastar em segurança e as provisões pudessem ser reordenadas antes de seguir para o litoral ou para o interior profundo”, conta o autor.

Ainda segundo MM, essa necessidade de parada transformou a topografia da serra em um tabuleiro de conveniências. “Cada grupo que chegava trazia uma nova exigência: a ferradura que precisava de reparo, o couro que precisava ser trocado por sal, o feijão que faltava na alforje. O local que hoje reconhecemos como o centro de Campina Grande começou a ser desenhado no chão de barro batido pelos cascos das tropas que ali estacionavam. A convergência não era acidental. O planalto oferecia o ponto de vista perfeito e a altitude necessária para monitorar o avanço das nuvens de chuva e as rotas dos campos de pastagem.
Quando os tropeiros estabeleciam seus acampamentos temporários, estavam, na verdade, validando um ponto de encontro que funcionava como o coração pulsante de um sistema nervoso em formação”, diz ele.
A obra investiga como a cidade converteu sucessivas crises em reinvenção, transformando a riqueza do algodão e a força da monocultura em uma base industrial, tecnológica e de serviços sólida.
O texto detalha a alquimia rara pela qual a fé, a cultura do Maior São João do Mundo e a influência política se entrelaçavam com a inovação digital e o vigor comercial. Através de uma narrativa densa e observadora, MM revela como a cidade utiliza seu passado como lastro para projetar o futuro, recusando o apagamento da memória em nome de uma modernidade genérica.
Ao percorrer suas páginas, o leitor descobrirá a biografia de um povo que entende o tempo como uma espiral de acúmulo, onde cada era sustenta a próxima. É um relato essencial sobre resiliência, visão estratégica e a construção de uma identidade urbana que, ao manter os pés fixos em suas tradições, consegue dialogar com o mundo com autoridade e autonomia.
Na condição de Membro atuante do Instituto Histórico de Campina Grande (IHCG) , Marinho acentua que o luxo desses homens (os tropeiros) conferiu à região uma vocação mercantil que não dependia de decretos reais ou de fundações planejadas. “Era uma dinâmica de sobrevivência que se tornava hábito. Com o passar das décadas, as rotas que subiam a serra começaram a se consolidar. O que era um trilho estreito entre pedras e arbustos passou a ser um caminho batido, demarcado pela passagem recorrente das caravanas. Essas rotas ligavam o sertão ao agreste e, consequentemente, ao oceano, integrando espaços que, de outra forma, permaneceriam isolados. A infraestrutura urbana que viria a surgir séculos mais tarde, com suas ruas largas e traçados pensados para o trânsito, tem seu DNA original nessas linhas de poeira que os tropeiros traçaram seguindo a intuição do terreno e a necessidade do comércio”, ressalta Marinho.
Segundo ainda o autor, o papel desses viajantes foi fundamental para a cristalização de um entreposto que, por sua própria natureza, precisava ser plural.
“Ninguém ali pertencia a um único lugar. O tropeiro era o nexo entre o produtor de gado e o comerciante portuário. Essa intermediação constante criou uma mentalidade de abertura, uma predisposição para o diálogo e para o intercâmbio de mercadorias. A cidade não apenas recebeu esses homens; ela foi moldada por eles. Cada parada era uma negociação, cada noite de descanso ao redor do fogo era um momento de troca de informações sobre o preço dos couros, a escassez de água ou a abertura de novos caminhos. Foi nesse ambiente de constante trânsito que a identidade de uma metrópole regional começou a ser gestada”, explica com particular orgulho.
O livro é múltiplo. Cada um dos seus 12 Capítulos é de fato uma obra à parte:
I – A Borborema e os Primeiros Caminhos: Quando os Tropeiros Desenharam o Mapa.
II – O Ouro Branco: Como o Algodão Transformou uma Cidade em Metrópole.
III – A Crise e a Reinvenção: Quando a Monocultura Cedeu Lugar à Diversificação.
IV – Saúde como Destino: O Polo Médico que Curou a Economia.
V – Máquinas e Progresso: A Transformação Industrial que Empregou Gerações.
VI – O Coração Comercial: Ruas que Nunca Pararam de Pulsar.
VII – A Festa que Virou Lenda: O Maior São João do Mundo.
VIII – Fé e Procissão: Os Eventos Religiosos que Moldaram a Alma da Cidade.
IX – Vozes que Ecoam: Artistas e Escritores que Colocaram Campina Grande no Mapa.
X – Poder e Influência: Os Políticos que Transcenderam o Sertão.
XI – Camadas Sobrepostas: Como Cada Era Alimentou a Próxima.
XII – Síntese Viva: Campina Grande Entre Herança Centenária e Futuro Inovador.
Fonte: Da Redação
