Leoa que matou Vaqueirinho na Bica em JP é espécie que protege espaço e tem força extrema

Publicado em 2 de dezembro de 2025

Matéria no UOL, ainda repercutindo a morte do jovem Gerson de Melo Machado (Vaqueirinho) no Parque Arruda Câmara (Bica), em João Pessoa, diz que Leona, o animal que o atacou, pertence à espécie ‘Panthera leo’, conhecida como leão-africano.

Segundo a administração do parque, Leona nasceu no próprio zoológico em 2006. Ela é filha dos leões Darah e Sadam e viveu com os pais até a morte de ambos. Depois disso, conviveu por alguns meses com Simba, um macho que dividiu o recinto até morrer. Desde então, vive sozinha. Há três anos, o parque recebeu outra leoa, enviada de Teresina, mas as duas não interagiram e precisaram permanecer separadas.

No momento da invasão, Leona estava deitada perto do vidro onde visitantes observam o recinto. Ao perceber o intruso, contornou a área de água e avançou na direção dele. Após o ataque, ficou “estressada” e em “choque”, conforme relataram o veterinário e a bióloga do parque em notas nas redes sociais.

O animal respondeu aos comandos de manejo e foi contido sem o uso de armas ou tranquilizantes. O processo demorou devido ao estado de estresse.

Homem é atacado por leoa após invadir recinto do animal em João Pessoa neste domingo (30)

A direção do parque diz que Leona está bem, foi avaliada imediatamente após o ataque. Ela segue em observação por causa do alto nível de estresse provocado pela invasão. O animal não será sacrificado.

Comportamento natural, não anormalidade. O ataque segue o padrão instintivo da espécie, disse Marília, bióloga do parque, em vídeo do Instagram. A entrada de uma pessoa dentro do recinto equivale, para a leoa, à presença de uma presa ou ameaça. O parque reforça que não houve falha do animal, mas sim uma reação típica de um predador diante de uma invasão.

CARACTERÍSTICAS DA ESPÉCIE

A Panthera leo é a espécie conhecida como leão-africano. Segundo a WWF, uma das maiores organizações ambientais do mundo, “os leões podem comer até 40 kg de carne em uma única refeição, cerca de um quarto do próprio peso”.

Leoa e seu filhote bebem água de rio

A WWF explica que o leão reage a estímulos rápidos, mudanças no ambiente e presença de intrusos no território. E a National Geographic descreve o leão-africano como um felino de força extrema. A organização afirma que os leões “têm corpos poderosos, e na família dos felinos são superados apenas pelos tigres, e rugidos que podem ser ouvidos a cinco milhas de distância”.

Especialistas afirmam que o ataque está dentro do comportamento esperado da espécie. O leão é um predador territorial e reage automaticamente a invasões.

O órgão explica que os leões também aproveitam condições climáticas adversas, como vento forte, chuva ou ruídos intensos, porque esses fatores dificultam que a presa veja ou ouça o predador. Esse comportamento mostra que o animal reage sempre que identifica vulnerabilidade e que o instinto de ataque é imediato e natural da espécie.

As fêmeas são as principais caçadoras dos grupos e trabalham em conjunto para derrubar grandes presas. O comportamento cooperativo não elimina a agressividade territorial. Mesmo sozinha, a leoa mantém o instinto de proteção do espaço.

POR QUE A LEOA ATACOU?

A entrada de uma pessoa no recinto é interpretada como ameaça. Os especialistas afirmam que o animal reage ao movimento, ao cheiro, ao som e à presença inesperada. A resposta é automática e não planejada.

O veterinário do parque afirmou que Leona demonstrou forte estresse após o ataque. Isso reforça que o evento não foi uma ação rotineira do animal, mas uma reação direta ao risco percebido.

Há cerca de 23 mil leões selvagens no mundo, de acordo com dados da WWF. A espécie desapareceu de mais de 90% de sua área original. O declínio está ligado à perda de habitat, à redução das presas naturais e a conflitos com humanos. Além disso, a caça de herbívoros e o avanço de áreas urbanas aumentam os encontros entre pessoas e grandes felinos no continente africano.

O QUE ACONTECEU NA BICA

A leoa puxou Gerson quando ele chegou ao seu alcance. O jovem caiu no chão, tentou correr por alguns metros e foi novamente atacado. Ele morreu por hemorragia após perfuração de vasos cervicais, segundo o IML da capital paraibana.

A Prefeitura afirmou que o recinto possuía barreiras físicas e padrões de segurança. “Tem algumas coisas que a gente não consegue prever, porque realmente foge da normalidade”, disse o veterinário Thiago Nery, do Parque da Bica. A leoa, chamada Leona, está bem, foi retirada do local e não será sacrificada.

Conselho Tutelar informou que Gerson tinha diagnóstico de esquizofrenia e deficiência intelectual. Ele sonhava em ir à África para ser domador de leões e já tinha tentado viajar clandestinamente no trem de pouso de um avião. Segundo a conselheira que o acompanhava, a invasão ao recinto ocorreu durante um surto.

Fonte: Da Redação (Com UOL)