LEILÃO SEM LANCES
No último final de semana um grupo de lideranças pró candidatura do ex-prefeito Romero Rodrigues – num encontro surpresa – realizou talvez a última investida na tentativa de arrancar do soturno deputado federal palavras que sinalizassem sua intenção em disputar o pleito de outubro próximo, enfrentando Bruno, candidato que ele escolheu e o apoiou como seu sucessor, há quatro anos.
Romero escutou com paciência todos os reclamos, mas ainda não foi desta vez que se curvou aos argumentos expostos. A “cantata” é a mesma, repetidamente ouvida pelas mais diversas vozes, entoadas a partir dos tenores do Palácio da Redenção. Os barítonos do encontro – mesmo afinados – não emocionaram o ex-prefeito.
A candidatura de Romero jamais poderá ser considerada como uma postulação de oposição. É o “racha” de um grupo, evento que não interessa nem a Romero, muito menos a Bruno. Por outro lado, é uma oportunidade ímpar para muitos, dentre os quais vereadores com mandato que irão concorrer à reeleição. Se conseguissem emplacar a dissidência, abria-se o “leilão”. Vence a maior oferta, na reta final da campanha.
Quem mais ganharia com a decisão de Romero enfrentar Bruno seria seu companheiro de partido – e primeiro suplente – Leonardo Gadelha. Romero vencendo, teria dois anos na titularidade do mandato de deputado federal. Entretanto, é o primeiro a clamar pela pacificação, e aconselha Romero a tapar os ouvidos, amarrar-se ao mastro do barco e não se deixar levar pelo “canto da sereia”, que o afogará.
Se nesta reunião, todos que posaram na foto tivessem ido oferecer a Romero dinheiro para enfrentar os altos custos da eleição, e se comprometessem a saírem fazendo “vaquinhas”, bingos, sorteios, quotas, e até empréstimos bancários pessoais – dando como garantia seus imóveis – tudo só para vê-lo novamente prefeito, Romero se moveria. Mas, ao olhar para todos, ele sabe quanto cada um já lhes custou num passado bem recente. A pressão sofrida (paradoxalmente) a partir dos mais abnegados, com ameaças (chantagens) de desistência, ciumeira no bloco, ansiedade por mais dinheiro, prazos inadiáveis… É um quadro de terror, que só conhece quem já viveu esta experiência. Não se consegue esquecer facilmente. Os valores gastos na campanha de 2020 ainda estão na memória de Bruno e Romero.
Ainda não vi um candidato a vereador recusar um voto cruzado. Se Romero e Bruno se enfrentassem, um candidato a vereador de qualquer um dos dois, ao pedir um voto, o eleitor fizesse a opção clara, só por ele, e afirmasse que votaria contra seu candidato a prefeito, duvido que ele rejeitasse este sufrágio.
Romero não sendo candidato, não haverá leilão. Sem lances, os “veteranos” da Casa Félix Araújo – insurgentes contra Bruno e estimuladores do projeto Romero – se ainda pretenderem permanecer em seus assentos terão que gastar uma fábula. Desta vez, de seus próprios bolsos.











