
Marcos Marinho
Jornalista, radialista, fundador do ‘Jornal da Paraíba’, ‘Gazeta do Sertão’ e ‘A Palavra’, exerceu a profissão em São Paulo e Brasília; Na Câmara Federal Chefiou o Gabinete de Raymundo Asfóra e em Campina Grande já exerceu o mandato de Vereador.
Josusmá, as rosas de Seu Gil e o Jornal da Paraíba mais cheiroso do mundo
Publicado em 5 de março de 2026Josusmá Coelho Viana, o homem que criou e botou nas bancas do Estado o Jornal da Paraíba, devolvendo a Campina Grande a obrigação de se manter inteira no protagonismo econômico, cultural, administrativo e político do Brasil, precisa ser lembrado, saudado e homenageado permanentemente.
Não construiu arranha-céus. Das pontes que conseguiu edificar as maiores foram as da amizade e do companheirismo. E das estradas que percorreu, Paraíba afora, todas tiveram origem ou passagens obrigatórias pelo solo amado da sua Rainha da Borborema.
Não foi nenhum João Agripino, o desbravador do Anel do Brejo e do asfalto da melhor qualidade rasgando a Paraíba de Cabedelo a Cajazeiras em estímulo permanente ao comércio que somente a partir dele aposentou as cansadas tropas de burros, dando vez às possantes boleias e carrocerias dos desbravadores caminhões que alavancaram para sempre a nossa então acanhadíssima economia.
Mas a ele coube acudir Campina Grande no seu mais doloroso momento, quando as linotipos do Diário da Borborema, silenciadas pela sanha violentamente inocente de Edson Gaudêncio, calaram a mais autêntica das vozes do povo campinense. Naquele instante, ninguém a não ser Josusmá, com doméstico apoio do seu sogro, o igualmente saudoso gráfico Julio Costa, conseguiu aquilatar a dimensão do prejuízo que o gesto insano da irresponsabilidade do revoltado nos impingia.

Eu, Josusmá e a querida Eneida Agra Maracajá quando do lançamento de Cerca de Varas, livro com crônicas de Robério
Foi Josusmá, bancado de início pela generosidade do sogro amigo, quem viajou a Mossoró para comprar velhas máquinas que lhe falaram estarem à venda em um jornal que lá fechara as suas portas. Também foi ele quem convenceu um grupo endinheirado de empresários locais a abraçar a causa de dar vida ao JP.
Josusmá nos recrutou para botar mãos na massa: Ismael Marinho, William Tejo, Nilo Tavares, José Levino, Vespaziano Ramalho, Chico Maria, Robério Maracajá, Eudes Vilar, Magidiel Lopes, Tarcísio Cartaxo… Um verdadeiro timaço, onde eu fiquei no fim da fila – o caçulinha – dele recebendo carinho igual ao de um pai.
Mestre mais que amigo, Josusmá custeou-me um estágio no Jornal do Commércio, do Recife, onde aprendi o difícil oficio de diagramar jornais e transformar centímetros em paicas, a medida gráfica da época do chumbo fervendo nas linotipos das oficinas dos grandes jornais do País.
Também me proporcionou quinze dias (melhor dizer, noites) de estágio no Rio de Janeiro, nos jornais O Dia e A Notícia, que tinham tiragem e circulação maior que O Globo, de onde voltei qualificadíssimo para enfrentar todo tipo de trabalho no ‘batente’ do JP.
Varávamos noites e madrugadas para oferecer a Campina Grande e de resto a toda a Paraíba, o melhor jornalismo do Estado logo nas primeiras horas do dia.
E Josusmá era, acima de tudo, um homem inovador e inventivo. Certo dia, embevecido por bela reportagem que circularia na edição dominical sobre as rosas cultivadas no Jenipapo pelo radialista Gil Gonçalves, botou na cabeça que os exemplares teriam que cheirar a rosas.
Lhe aconselharam borrifar cada jornal com Leite de Rosas, desses que ainda hoje a gente encontra no comércio e que as mocinhas da época tanto usavam nas matinées do Capitólio.
Até que testou, mas não deu certo – o líquido borrava as letras e o impresso ficava imprestável.
Mas logo lembrou de ir à feira central. E eu o acompanhei.
Lá em Manoel do Óleo, onde se vendiam álcool de arroz e as melhores essências para fabricação de perfumes, cheiramos todos os óleos disponíveis e o dono da loja ajudou na melhor fórmula para satisfazer o desejo de Josusmá: misturou 250 ml de óleo de arroz com meio litro de essência de patchully e garantiu: “é só jogar dentro da tinta e o resto é com Biu Oião (nosso impressor).
E assim o JP, num ineditismo que só a inventividade do povo campinense sempre soube ter, tornou-se o primeiro (creio que o único) veículo impresso do mundo a perfumar as bancas e os suvacos dos gazeteiros.
Graças a Josusmá Coelho Viana!!!
