
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
JOÃO AZEVEDO MONTARÁ UM PALANQUE BOLSONARISTA?
Publicado em 20 de agosto de 2025No jantar comemorativo da Federação do PP com o União Brasil, ontem 19/05/2025), percebemos a ausência de alguns registros curiosos, que passaram despercebidos pela crônica política. Nenhum dirigente dos partidos das esquerdas, que integram a base aliada do governo, marcou presença. Entretanto, “presidenciáveis” da direita foram festejados. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União Brasil), prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) e, para surpresa dos presentes, Ciro Gomes, um dos maiores críticos do presidente Lula, ferrenho adversário do PT – ainda no PDT – porém pré-candidato a governador do Ceará, provavelmente pelo PP. Nos discursos, não mencionaram Lula nem o seu governo. Por outro lado, Bolsonaro foi citado e efusivamente aplaudido pelos presentes.
Em seu pronunciamento, o senador Ciro Nogueira conclamou o desembarque imediato de cinco ministros das duas legendas, ora ainda integrantes da equipe do governo Lula. Assumiu uma postura de oposição radical e hostil ao PT. Em suas palavras, deixou transparecer que a nova Federação Partidária irá fechar questão com o candidato que decidirem apoiar. Quer seja Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado ou Romeu Zema (NOVO), que no último final de semana já lançou sua pré-candidatura em São Paulo.
Existe um movimento suprapartidário que começa a ganhar força, cujo alvo principal talvez seja o próprio presidente Lula. No jantar da última segunda-feira, em homenagem ao novo presidente do PT, não havia imagens da presença de Lula e Janja. Quase todo o “centrão” foi prestigiar Edinho Silva, inclusive Ciro Nogueira. Um furo da jornalista Tainá Falcão, da CNN, que abordou o senador presidente do PP, e numa resposta quebra-queixo, Ciro justificou sua velha amizade e admiração por Edinho Silva: “sou amigo dele, detesto a legenda dele” (PT). O intrigante foi o silêncio dos demais. Só Tainá divulgou o fato (?). Segundo ainda Tainá, Gleisi Hoffmann ao abraçar Odair Cunha (PT/MG) comentou: “ainda bem que tem alguém aqui do PT”. Edinho Silva tem se aproximado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A amizade é recente. No PT, o novo presidente é considerado como “centro-direita”, de uma legenda de extrema esquerda! São contradições difíceis de serem interpretadas pela própria mídia. Imaginem pelo eleitor comum?
A cúpula do Republicanos esteve no jantar de Edinho. Não existem imagens destas “figuras” no evento do PP/União Brasil. Logo pela manhã, Lula convocou o presidente da legenda, Marcos Pereira, e o presidente da Câmara Hugo Motta, para uma conversa, não testemunhada pelo presidente do Senado nem do PT. O “ruído” sobre o “acordado” foi a formalização de um apoio incondicional a Lula. Não só na Câmara dos Deputados, mas a sua candidatura à reeleição. A proposta feita a Hugo Motta, politicamente, é irrecusável.
Em abril de 2026 o racha será geral. Pela janela da traição, pularão deputados e senadores na busca de garantirem suas reeleições. Na Paraíba, como ficará o palanque de João Azevedo? Sua legenda (PSB) se manterá fiel a Lula? O Republicanos rachará, e parte expressiva ficará ao lado de Lula, com o PDT/PSDB/PCdoB/PSOL. Adriano Galdino volta à cena, com possibilidades de ser a única alternativa “Lulista”, apoiado por João Azevedo e Ricardo Coutinho. Lula, Gleisi e Rui Costa jamais confiarão no apoio de um postulante da “Frente Progressista”. Os Ribeiro trocarão de legenda. Caso contrário, não existirá palanque para Lula na Paraíba. Para Cícero Lucena, o caminho será deixar o passado no passado, se unir a Veneziano Vital do Rêgo e parte dos Cunha Lima (Pedro). Pelo que aparenta, o prefeito Bruno irá se perfilar ao lado de Efraim Filho. Manterá sua posição de conservador e bolsonarista.
