
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
HUGO MOTTA NEGOCIOU APOIO IRRESTRITO AO GOVERNO EM TROCA DA VAGA DE AROLDO CEDRAZ NO TCU
Publicado em 30 de agosto de 2025Nada acontece por acaso, sonhos custam caros e para realizá-los (no mundo político) o idealista tem que pagar um alto preço por sua altiva ambição – no leilão da disputa – oferecendo o maior lance, a melhor oferta. A mudança repentina do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, vem causando perplexidade, espanto e desconforto entre seus pares – pertencentes a todas as legendas – que o sufragaram com 444 votos, posicionando-o como o segundo presidente mais votado da história da câmara, perdendo apenas para Arthur Lira e sua estonteante “aclamação” por 464, dos 513 deputados votantes. Usando um adágio popular nordestino/sertanejo, a mudança brusca de Hugo “é de vaca desconhecer bezerro”.
Obstinado em chegar ao comando da Mesa Diretora do Plenário Ulisses Guimarães, Motta contou com a desistência e o apoio incondicional do presidente de sua legenda (Republicanos) Marcos Pereira, vice de Arthur Lira, candidato natural do bloco eclético, que luta para fortalecer o Parlamento e recuperar seu prestígio junto à população, correspondendo às expectativas do eleitor, como seus legítimos representantes. Ao deputado federal Wilson Santiago – patrono da candidatura de Hugo Motta – coube a missão de abordar e conquistar o apoio do ríspido e retraído Marcos Pereira. Desconhece-se o argumento usado por Santiago. Porém, Marcos Pereira anunciou sua decisão com alegria e serenidade. Impôs o nome de Motta.
Arthur Lira, para apoiar Motta, exigiu empenho do seu sucessor na indicação para o TCU, na vaga de Aroldo Cedraz, que alcança a compulsória em seis meses (fevereiro de 2026). Concorrem contra Lira, Danilo Fortes e Elmar Nascimento (União Brasil); Pedro Paulo e Hugo Leal (PSD); Hélio Lopes e Roberta Paloma (PL); Odair Cunha (PT). No concorrido jantar em homenagem a Edinho Silva – novo presidente do PT – a jornalista Tainá Falcão (CNN Brasil), conversava com a ministra Gleisi Hoffmann quando chegou Odair Cunha, indagando se o futuro Ministro do TCU já havia chegado ao ambiente. Tainá prontamente perguntou se era algum da relação dos cotados mencionados. “Não, é o presidente da Câmara Hugo Motta”. Em seu comentário, a jornalista citou o gesto de descontentamento de Gleisi, pelo segredo “vazado” por Odair.
Até fevereiro de 2026, nenhuma pauta que venha atender os interesses do centrão, da direita, e da maioria do próprio Parlamento, não será levada a plenário. A Câmara só apreciará matérias de interesse do Palácio do Planalto. A semana que se encerra hoje (30/08/2025), teve seu início (25/08/2025) bastante promissor. A vitória da CPMI do INSS deixou o Congresso eufórico, para conseguir com uma única cajadada eliminar três coelhos. PEC que extingue o Foro Privilegiado; PEC que impede STF de processar ou prender deputados, sem autorização do Parlamento, culminando com a pacificadora PEC da Anistia.
Após assegurar a vaga de Hugo Motta no TCU, Lula, Gleisy e Rui Costa quebraram o protocolo e o respeito institucional. Hugo é “chamado” para ir ao Palácio da Alvorada dar satisfações. No sábado, logo após a derrota da CPMI do INSS, Hugo foi chamado. Após ouvir um “esporro” de Lula, ficou pactuado que “a partir daquele dia, nada seria pautado sem antes conversar com Lula, Gleisy e Rui. Cabisbaixo, Motta entendeu o recado e, submisso, ainda quis se desculpar. Sua vaga no TCU vale qualquer sacrifício. Se o “foguete” de Efraim não tem marcha ré, Motta aprendeu a dar “cavalo de pau”.
O deputado Sóstenes Cavalcanti, na segunda-feira (25/08/2025) pela manhã, foi cercado pela mídia e garantiu que a PEC do fim do Foro Privilegiado seria votada em dois turnos naquele dia. Antes, Hugo convocou o “Colégio de Líderes”. O ministro Flávio Dino tinha puxado o “freio de mão” das emendas”. Trancados durante todo o dia, Sóstenes – final da tarde e início da noite – com cara de choro não soube explicar o que ocorreu na reunião. Apenas, lastimou a falta de compromisso de Motta com os partidos e o País. Deveria ter aberto o jogo. Gleisy foi clara. Para abortar a pauta, a liberação de 100 milhões de emendas aos líderes que obstruíssem. Sóstenes foi o único a não topar. As PEC não foram, e nem serão votadas. Na próxima postagem, a nova missão de Hugo, e seu fortalecimento junto ao governo e STF.
