Hospital Metropolitano inaugura Sala Lilás para acolhimento de mulheres em situação de violência
Publicado em 26 de março de 2026O Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, unidade do Governo da Paraíba gerenciada pela Fundação Paraibana de Gestão em Saúde (PB Saúde), inaugurou nessa quarta-feira (25), uma Sala Lilás para acolhimento de mulheres em situação de violência. O espaço foi disponibilizado à população em meio a programação do “Por Elas, Com Elas: Um Olhar Integral sobre a Saúde e os Direitos das Mulheres”, que contou com palestra da advogada e segunda-dama da Paraíba, Camila Mariz Ribeiro.
O encontro reuniu profissionais da saúde, do Direito e da gestão pública para um ciclo de palestras sobre temas que atravessam a vida das mulheres, do cuidado emocional à proteção cardíaca, dos direitos jurídicos ao enfrentamento da violência doméstica e do feminicídio.

O diretor-superintendente da PB Saúde, Cícero Ludgero, ressaltou que o compromisso com a saúde e os direitos femininos passa, também, pelos homens que ocupam posições de decisão. Cirurgião de formação, ele contou que durante sua atuação no Hospital de Trauma chegou a operar, em plantões consecutivos, mulheres vítimas de violência por arma de fogo ou arma branca. A experiência moldou sua visão sobre a importância do acolhimento.
“Quem está deitada numa mesa de cirurgia, olhando para o foco de luz sem saber qual será o futuro, precisa de acolhimento”, ressaltou, destacando que a Sala Lilás cumpre exatamente esse papel de afastar a vítima do agressor e fazê-la sentir que está protegida. “Não podemos admitir a violência contra mulher”, frisou.

Programação – O evento contou ainda com a presença da secretária de Estado de Meio Ambiente, Rafaela Camaraense, da diretora de Atenção à Saúde da PB Saúde, Ilara Nóbrega, e também de palestras com a psicóloga e neuropsicóloga do Hospital Metropolitano, Larissa Medeiros Machado Santos; a cardiologista Roberta Barreto, e a procuradora da República e procuradora Regional dos Direitos do Cidadão na Paraíba, Janaína Andrade.
A advogada Camila Mariz compartilhou sua história como filha de uma vítima de feminicídio. Ela disse que carregou o silêncio sobre esse assunto por anos. “Aquilo me trazia vergonha. Mas quando a violência chega a ser física, já caminhou muitos passos”, enfatizou, lembrando que o ciclo começa no desrespeito, no silêncio imposto, na supressão da voz da mulher.

Sala Lilás – O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo, com 1.568 feminicídios registrados em 2025. Apesar dos avanços, como a Lei Maria da Penha e o programa Patrulha Maria da Penha, que já atendeu mais de cinco mil mulheres na Paraíba, iniciativas de acolhimento e orientação às vítimas são cada vez mais necessárias para encorajá-las a romper o ciclo de violência.
“A porta de entrada é o boletim de ocorrência. Ninguém quer ir a uma delegacia, mas às vezes é necessário. A gente precisa passar pela porta da delegacia para não chegar até um dia de sepultamento”, alertou a advogada Camila Mariz.

A procuradora da República Janaína Andrade comemorou a abertura de mais um espaço. “É mais um equipamento público que visa a proteção da vítima de violência sexual, na perspectiva do atendimento integral e humanizado”, afirmou.
A diretora-geral do Hospital Metropolitano, Louise Nathalie, destacou a importância do novo espaço e o compromisso da equipe com o encorajamento das mulheres. “O que faz uma mulher forte não é esperar por ajuda, é continuar mesmo quando tudo ao redor diz para parar. Não é não cair, não é não ter medo, é continuar”, incentivou.
Fonte: Secom-PB