
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
GESTO DE LULA AUMENTA O ISOLAMENTO DE JOÃO AZEVEDO
Publicado em 29 de maio de 2025Qual o motivo do presidente Lula excluir de sua agenda a Paraíba, em especial os dois maiores colégios eleitorais, João Pessoa e Campina Grande? A última vez que esteve em terras Tabajaras foi no início de seu mandato, para inaugurar em Santa Luzia instalações de um Parque Eólico. Chegou mudo e saiu calado. Não concedeu entrevistas, e sequer discursou no ato simbólico.
Desde 1989 – sem querermos polemizar sobre o resultado das urnas eletrônicas – a única eleição que Lula venceu em Campina Grande foi em 2022. Não visitou a cidade para agradecer. Esteve só no Aeroporto João Suassuna, para trocar de aeronave, na viagem a Santa Luzia. Diferente de Geraldo Alckmin, que em 2007 veio conhecer Campina Grande, única cidade que ele venceu Lula no Nordeste em 2006. Foi grato e ajudou posteriormente a Rainha da Borborema, no seu momento mais crítico, com o manancial do açude de Boqueirão no volume morto, 3,72% de sua capacidade. Racionamento brabo, com centenas de carros pipas – cobrando fretes caros – pagos pela população, abastecendo minimamente a cidade.
A única esperança para evitar o colapso total era a chegada das águas da transposição do Rio São Francisco. Todo o trecho do canal estava concluído. Porém, faltava uma estação de bombeamento, para recalcar a água a uma altura de 80 metros. O então senador Cássio Cunha Lima procurou Geraldo Alckmin, que havia voltado a governar São Paulo. Solicitou seus préstimos, e foi prontamente atendido. Desmobilizou uma estação no sistema Cantareira e a enviou com técnicos para instalarem no trecho de Pernambuco, atendendo a Campina Grande. As águas se encontraram na bacia de Boqueirão no dia 18/04/2017 às 20hs. Uma multidão de plantão aguardava. Durante uma semana, a população acompanhou o curso d’água na calha do Rio Paraíba, a partir da cidade de Monteiro, até Boqueirão.
Nas eleições de 2022, Lula esqueceu João Azevedo e gravou um vídeo apoiando o candidato do MDB, Veneziano Vital do Rêgo. No segundo turno, limitou-se a falar: “agora é João”. Será que o governador tem dificuldades em perceber que o querem longe do Palácio do Planalto e do PT? Lula é um político com inúmeros defeitos. Porém, tem uma virtude, que ainda o mantém vivo. Não cobra gratidão e demonstra grande lealdade com seus correligionários de primeira hora. Foi abandonado por muitos. Mas, nunca soltou a mão dos seus “mais chegados”. Na Paraíba, se sente representado pelo deputado federal Luís Couto, ex-governador Ricardo Coutinho, e o Clã Rêgo. Para João conquistar sua simpatia tem que se curvar a este grupo e entregar seu destino político em suas mãos. Em 2026, não será apoiado por Lula. Anotem!
Uma foto fala mais que mil palavras. O “Selfie” do senador Veneziano Vital do Rêgo, ao lado de Lula, mostra o grau de intimidade existente entre ambos. Na retaguarda do líder petista, o presidente do TCU, Ministro Vital Filho, que está segurando o governo, evitando “enquadrá-lo” em pedaladas fiscais. Não votou suas contas, e aguarda a regularização dos gastos para-fiscais, que ultrapassam 38 bilhões de reais. Isto se configura como “Improbidade administrativa”. O TCU tem poderes para bloquear recursos e gastos, além de recomendar seu impeachment. Ricardo Coutinho emplacou sua esposa como “imediata” da Ministra Gleisi Hoffmann, com poder de caneta para liberar recursos extra-orçamentários. Luís Couto, o decano da legenda no Estado, a exemplo de Coutinho, foi um dos poucos que visitou Lula, quando esteve preso por 580 dias.
Neste barco, não cabe João Azevedo. Um noviço ou “estranho no ninho”, de comportamento revanchista e pusilânime, na avaliação do senador Veneziano Vital do Rêgo e do ex-governador Ricardo Coutinho. Esteve em Campina Grande no último 21/05/2025, inaugurando a primeira etapa do Centro de Convenções Vital do Rêgo. Não convidou a família do homenageado póstumo, para a solenidade. Seu secretário de comunicação, Nonato Bandeira, ouviu um desabafo da pediatra Raquel Rego, filha do tribuno, que acompanhou sua mãe, ex-senadora Nilda Gondim. Em entrevista ao Padre Albeni, a ex-senadora Nilda revelou que, ao lado de seu filho Veneziano, no Senado, destinaram 38 milhões de reais para a obra.
