Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

FLÁVIO BOLSONARO: UM RUÍDO TÊNUE QUE COMEÇA A SE TORNAR BARULHO

Publicado em 9 de dezembro de 2025

A dúvida e excesso de pré-candidatos da direita levou Flávio Bolsonaro a lançar sua campanha, ocupando um espaço que seria de seu pai. Na ocasião do seu pronunciamento, interpretamos o fato como um “balão de ensaio”, que sondaria uma série de elementos sobre o comportamento do eleitor. Inclusive colher subsídios, para formatar o discurso de uma candidatura unificada, com capacidade de liquidar a fatura no primeiro turno. Pelo visto, os primeiros sinais já indicam baixa competitividade do presidente Lula. O Instituto Veritá procurou aferir os primeiros índices de uma provável disputa entre Flávio Bolsonaro x Lula, e o resultado foi surpreendente. Lula 39,8% e Flávio 39,2%.

Quando considerados apenas os votos válidos, Lula chega e 50,4% e Flávio 49,6%. Empate absoluto. Flávio, na relação dos presidenciáveis, segundo amostragens dos Institutos, estava atrás de Tarcísio de Freitas, Michelle, Ratinho Júnior e seu irmão Eduardo. Figurava em 8º lugar, na lista divulgada em setembro (2025).

Agindo com parcialidade, a grande mídia não divulgou estes dados. Seus renomados comentaristas políticos – sempre ancorados em opiniões dos cientistas da área – não arriscaram analisar o fenômeno. Preferiram especular a fragmentação da direita, na insensata perspectiva que, se dividirem-se e ocorrer um segundo turno, os candidatos derrotados por Flávio, ou Flávio por um deles, estes votos irão para Lula. O Datafolha – prata da casa – na última sexta-feira, revelou um quadro que compromete o alardeado favoritismo de Lula. Seu governo, na opinião do público entrevistado, foi considerado “Bom e ótimo” por apenas 32%. Se usar a margem de erro, na coluna de declínio empata com os mesmos índices do Atlas Intel 28%. Abaixo do recomendável, para uma disputa, com riscos de não alcançar o segundo turno.

Flávio convocou ontem uma reunião em sua casa, com os partidos de centro, direita e conservadores. A mídia apostava que seria deserta. Na falta de argumentos, de repente, passou a considerar que sem o governador de São Paulo o projeto Flávio não chegaria ao final desta semana.

Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (União Brasil) se apresentaram. Marcos Pereira do Republicanos “queimou”. Mas, foi pego de surpresa quando às 19:00hs Tarcísio de Freitas anunciou seu apoio a Flávio. Segundo o comentarista político da CNN Daniel Rittner, se Lula oferecer o Ministério das Minas e Energia a Marcos Pereira, ele ficará ao lado do governo. Este tipo de comentário desequilibrado, partidário e parcial é nocivo à legenda, e danifica a imagem do seu presidente. A memória curta do jornalista esqueceu que o Republicanos – apesar de permitir e flexibilizar a liberdade de escolha dos seus membros – seus alicerces ainda são conservadores. Em suas raízes, a maioria é da Igreja Universal do Reino de Deus.

O crescimento de Flávio, e sua capacidade de competir, deverá ser observado em meados de março (2026). Se for substituído, sua vaga será ocupada por Tarcísio de Freitas, que estrategicamente agora saiu da “alça de mira” do STF. Seria abatido antes de abril. A campanha do PT, aliado do STF, é fundamentada no processo de “exclusão”. Qualquer candidato de oposição considerado pela mídia competitivo, surgirá uma denúncia, operação da PF, e a primeira turma do STF forma maioria para condená-lo, tornando-o inelegível.