EXCLUSIVO – Os últimos 100 dias do Governo João Azevedo

Publicado em 19 de dezembro de 2025

Restam praticamente 100 dias para o término da gestão do governador João Azevedo. Considerando o recesso do Parlamento e do Poder Judiciário, que se inicia amanhã e se estenderá até 31/01/2026 ainda tem o Carnaval na segunda semana de fevereiro, e a Semana Santa, no final de março. O dia previsto para renúncia, 03/04/2026, será feriado nacional, sexta-feira santa. Dia seguinte, é um sábado. Portanto, a data juridicamente confiável será 02/04/2026, com o sistema eletrônico do TRE/TSE funcionando, e o Diário Oficial publicando os atos. Posse de Lucas na ALPB e transmissão do cargo no Palácio da Redenção. Um dia triste para muitos, feliz para outros.

João Azevedo amanhecerá sábado (04/04/2026) como um homem comum, desempregado, sem salário nem cartão corporativo. Para atendê-lo – como ex-governador – apenas um motorista e um segurança. É um recomeço difícil de uma nova rotina, ainda desconhecida, para quem passou quatro anos como Supersecretário da PMJP, oito anos na mesma função ao lado do governador Ricardo Coutinho, e mais sete anos e três meses como governador, maior autoridade do Estado, à frente dos seus destinos. Deixará a Granja Santana e voltará a sua residência. Provavelmente passe a ser considerado na história como o mais longevo de todos agentes públicos que passaram pelo poder na Paraíba, com caneta e tinteiro disponíveis. Vinte e dois longos anos.

A mudança, fazendo uma analogia à Fórmula 1, é semelhante a uma parada brusca, para quem vem desenvolvendo uma velocidade de 300 km por hora, seguido de um giro de 360 graus. Pilotos que viveram esta experiência relataram que ficaram tontos, desmaiados, desnorteados por alguns segundos. No caso de João Azevedo, não se trata de uma corrida com duração de uma hora. Foram 22 anos, 264 meses, ou 96.360 dias no poder. Por onde recomeçar? Não pode entrar imediatamente na campanha. Terá que aguardar até o final de julho, realização das convenções e registro de sua candidatura. Quem esperou um cargo, função, emprego, convênio ou qualquer outro tipo de ação, a partir de janeiro já deixará de procurá-lo. O novo endereço para estas demandas será o de Lucas, Aguinaldo ou Daniella Ribeiro.

No final de abril (2026) começarão as verdadeiras mudanças. O Secretário de Comunicação Nonato Bandeira será substituído por Rui Dantas, experiente e amigo do “governador de fato”, Aguinaldo Ribeiro. Poderá até ficar na Secretaria, como “Rei da Inglaterra”. Ronaldo Guerra receberá ordens da senadora Daniella Ribeiro e Aguinaldo. Se permanecer, não terá o mesmo prestígio como conselheiro influente. Sua função será afastar os indesejáveis do Clã Ribeiro. Deusdete Queiroga – se for o vice de Lucas indicado por João – terá que mudar seu comportamento e opinião. A prioridade será a eleição de Lucas. Se Deusdete for o vice, não vai querer ser derrotado. Como o apóstolo Pedro, talvez negue João Azevedo três vezes antes de se abrirem as urnas do dia 04/10/2026. Para João, tarde demais. Sua campanha é de turno único

Deputados estaduais e prefeitos lotarão a antessala do novo governador, numa corrida contra o tempo. Os parlamentares, à procura de segurar seus cargos e conseguir liberar suas emendas até 30/06/2026. O futuro de muitos está nas mãos do novo mandatário do Estado.

Prefeitos, todos desesperados, pressionarão por convênios e suas respectivas liberações, sob pena de procurarem um de seus adversários. Quem estará de plantão para segurar o voto de João Azevedo para o Senado? Ele tem três fortes concorrentes: Nabor, Veneziano e Queiroga.

Todos com “caixa”, e a procura de votos. Prontos para atacarem, se João falhar com seus compromissos. Votos de reconhecimento da sua boa gestão? Serão pouquíssimos. Se fossem maioria, Wilson Braga, José Maranhão, Cássio Cunha Lima e Ricardo Coutinho jamais teriam sofrido derrotas acachapantes.

Fonte: Da Redação (Por Júnior Gurgel)