EXCLUSIVO – João Azevedo escolheu a gestão e desprezou a política

Publicado em 15 de julho de 2025

Sugerimos a um amigo e companheiro do resistente jornalismo “jurássico”, que há décadas frequenta diariamente o Comitê de Imprensa da Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba, para fazer com cautela e discrição levantamento junto aos trinta e seis deputados estaduais, sobre o posicionamento político deles (fidelidade) ao governador João Azevedo, e disposição em votar numa chapa indicada e composta pelo mesmo, com vistas às eleições de 2026.

Levaram-se mais de quatro semanas. A pergunta não poderia ser feita diretamente. Em conversa amistosa, a resposta seria extraída através de comentários/desabafos dos próprios parlamentares, sobre o governo.

Na última sexta-feira (11/07/2025), após cobrarmos algumas vezes o amigo nos ligou estarrecido com o resultado da “criativa” ou inusitada amostragem amadora, e seus dados surpreendentes. Dos 36 deputados estaduais, dentre os quais um expressivo número que compõe a base do governo na ALPB, apenas seis estão absolutamente “fechados” com João Azevedo, apoiando sua candidatura para o Senado Federal. Dos seis, só quatro o acompanham na jornada de 2026, não importando quem seja seu candidato indicado à sucessão.

Inicialmente, pensamos que era brincadeira. Mas, sem interrompê-lo, ouvimos o relato. A insatisfação, pela falta de atenção e respeito mútuo, se constituiu num problema crônico. Todos confessaram suas mágoas, por não terem acesso direto à pessoa de João Azevedo, conversarem a sós com ele e obterem uma resposta imediata de seus pleitos individuais. Muitos alegaram “vexames”, ao marcarem audiência – quando conseguiam espaço na agenda – levando prefeitos e lideranças políticas, para mostrarem seu prestígio, e não foram recebidos. Ouvidos pelo gabinete, seus pedidos foram destinados aos secretários das mais diversas pastas, para avaliarem “viabilidade”. Sentiram-se ofendidos e humilhados.

O governador João Azevedo tem uma postura de “estadista”. Mas, na prática, não interpreta este papel. Os estadistas são centralizadores, evitam a intermediação, atendem a todos, escutam seus reclamos, e só tem duas respostas, o “sim” ou o “não”, pronunciado olhando no olho do suplicante. Não dão autonomia a sua equipe de auxiliares e aqueles que se aventurarem a tomar decisões sem consultá-lo são imediatamente exonerados. Os estadistas são temidos, respeitados e paradoxalmente admirados pelo seu excêntrico comportamento sincericida. Muitos acertaram e se tornaram grandes líderes. Outros, foram julgados como arrogantes, prepotentes e insensíveis. O povo os defenestraram da vida pública.

Sobre Lucas Ribeiro, o vice-governador, todos concordaram por unanimidade ser uma boa pessoa, atenciosa, educada e cordata. Porém, sem poder para decidir absolutamente nada. Sequer tem coragem de se impor sobre o secretariado. Ao invés de determinar, pede e se abstém de levar contenciosos ao governador, temendo contrariá-lo, ser inoportuno ou receber um não.

A história nos mostra alguns exemplos de estadistas bem sucedidos.

João Agripino (PB); Tarcísio Maia, irmão de João no RN; Chagas Freitas (RJ); Tasso Jereissati (CE); Divaldo Suruagy (AL); Antônio Carlos Magalhães (BA); Leonel Brizola (RJ/RS). Os que não lograram êxito, Roberto Magalhães (PE); Joaquim Francisco (PE); José Maranhão (PB); Roberto Requião (PR); Tasso Genro (RS); Waldir Pires (BA).

A construção de uma candidatura começa pelas bases (alicerces). A liderança ou cabo eleitoral procura o Vereador, que entrega a demanda ao Prefeito. Este, passa a tarefa para o deputado estadual, que por sua vez bate à porta do governador. Se todo este processo funcionar a contento, fica estabelecido o “direito de preferência”, que só se concretiza em voto nas urnas, após a “recompra”, no período eleitoral. Os membros da Casa Epitácio Pessoa não acreditam na disponibilidade de “caixa” do governador João Azevedo. Adriano Galdino tem o crédito, um carregador de piano, compra e mesmo com alguns atrasos paga o acertado. O dinheiro de Cícero Lucena é como um lençol curto. Se cobrir a cabeça, descobre os pés.

Veneziano Vital do Rêgo espera ser reeleito com obras e emendas. Tem a fama de esquecer o prometido e ser seletivo no atendimento. Descarta com facilidade seus mais “chegados”. A tocaia está montada. A maioria dos deputados estaduais contam os dias para serem procurados por João Azevedo. Ele é quem estará à procura de votos. É hora da revanche. A conta será apresentada, com juros e correções.

Fonte: Da Redação (Por Júnior Gurgel)