
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
EX-SENADOR ROMERO ANTECIPOU PREVISÕES CATASTRÓFICAS SOBRE O ESCÂNDALO DO BANCO MASTER
Publicado em 11 de março de 2026Após um longo “jejum” midiático o ex-senador Romero Jucá (PMDB-RO) foi convidado pelo jornalista Caio Junqueira para participar do debate no programa WW, com William Waack (na CNN Brasil), edição levada ao ar no último dia 27/02/2026. O tema abordado foi a crise do Banco Master. Ao ser indagado sobre o tamanho ou dimensão do escândalo, Jucá iniciou a resposta avultando seu tempo em Brasília. “Tenho quarenta anos de Brasília, cheguei ao Senado Federal em 1995 e permaneci até 2019. Nestes vinte e quatro anos nunca vi, nem imaginei, que ocorreria um escândalo tão grande e desproporcional quanto ao do Banco Master.
Segundo Romero Jucá, o povo ainda não tem noção da gravidade do envolvimento de todos os poderes construídos, num lamaçal de corrupção, que deixa a Lava-Jato em nível de “pequeno delito”, praticado por um grupo restrito de subornadores, envolvendo alguns congressistas, diretores da Petrobras, que agiam individualmente e às escondidas. Os desvios da Lava-Jato foram estimados em 44 bilhões. O Banco Master já parte com um rombo direto de 60 bilhões, vistos a olho nu.
Os entrevistadores da “roda”, de olhos esbugalhados, demonstraram terem sido surpreendidos com as declarações iniciais, deixando perceptível que se perderam na pauta. Jussara Soares, gaguejando um pouco, arriscou falar sobre as decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, que interferiram na quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático de Lulinha e da sócia do careca do INSS. Uma decisão que se sobrepôs ao ministro André Mendonça. Jucá advertiu que o STF inverteu os papéis, ao deixar de ser um agente jurídico e se transformar num agente político. Tentando tirar o foco do STF, Caio Junqueira pediu a Jucá que opinasse sobre a possibilidade de um “acordão”, já que ele conhece Brasília e sabe que lá tudo é possível, como por exemplo na Lava-Jato, onde o próprio Jucá teria participado de conversas para estancar operações da PF.
“Você se refere ao vazamento da ligação de Sérgio Machado (delator) e quando eu sugeri um amplo acordo?” De fato ocorreu, para votarmos o impeachment da presidente Dilma, que tinha perdido as condições de governabilidade. Após o impeachment, a Lava-Jato ganhou força, com a delação do fim do mundo – denúncias de oitenta executivos da Odebrecht e demais empreiteiros – culminando na prisão de Lula.
Queixando-se, Jucá confessou que na época foi alvo de uma investigação, com duração de 10 anos, episódio que comprometeu sua imagem, defenestrando-o da vida pública. Não conseguiu se reeleger em 2018. Tentou novamente em 2022 e foi novamente derrotado. Segundo ele, nunca encontraram provas para condená-lo. Foi líder dos governos FHC, Lula, Dilma e Michel Temer. Foi Ministro da Previdência Social do governo Lula I (2005) e do Planejamento Orçamento e Gestão (2016) Michel Temer.
Finalizando, Jucá enfatizou que o Congresso nunca foi tão forte em toda sua história como nos dias de hoje. “Mas, o Senado não tem cumprido seu papel. Se não frear o STF, cairão todos. As emendas serão extintas”. Ainda fez uma observação interessante. A Lava-Jato começou certa e terminou errando. Passou muito tempo rodeando o STF e os bancos. Quando resolveu enfrentá-los, foi tarde demais. O caso do Master começou errado, mas acertou em cheio quando começou pelos “cabeças”: STF, Bancos (BRB); Sistema Financeiro, e descerá até as lideranças políticas, atingindo as entranhas do Congresso Nacional e Palácio do Planalto. Pergunta que não cala: será que Jucá está certo? veremos esta expurgação, ou teremos a pizza tamanho “Maracanã”?
