ESCÂNDALO NACIONAL – Ex-esposa de Ney, suplente de Veneziano, é acusado de falsificar assinatura dela para vender túmulo em cemitério no Rio de Janeiro
Publicado em 20 de outubro de 2025O ex-senador Ney Suassuna (Republicanos), atual suplente do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), voltou a ser destaque nacional ontem (19), após ser citado em uma denúncia de fraude com documentos falsos em cartório no Rio de Janeiro, revelada pelo Fantástico, da TV Globo.
Sua ex-esposa, Raquel Otilia, denunciou à Polícia Civil carioca o uso de assinaturas forjadas em seu nome, que ela atribui a autoria a Suassuna, em ao menos cinco documentos — quatro procurações e um contrato. Segundo ela, todos foram confeccionados enquanto vivia em Portugal, entre 2020 e 2021.
Ela apresentou um documento da Polícia Federal comprovando que estava fora do país nas datas em que as assinaturas teriam sido registradas presencialmente. Tais falsificações estariam relacionadas à partilha de bens após o fim do casamento.
O Fantástico também mostrou que a denúncia faz parte de um esquema mais amplo de fraudes em cartórios do Rio de Janeiro, envolvendo vendas irregulares de imóveis e uso de documentos falsos com reconhecimento de firmas sem a presença dos titulares.
Na semana passada, o Ministério Público chegou a denunciar Ney Suassuna e uma funcionária de cartório por falsificação de documento público, mas a Justiça do Rio rejeitou a denúncia por falta de provas. O MP ainda avalia recorrer da decisão.
A Corregedoria-Geral da Justiça do Rio abriu investigação contra o cartório envolvido e contra a tabeliã Fernanda Leitão, responsável por reconhecer as assinaturas contestadas.
Em depoimento à polícia, Ney Suassuna negou qualquer envolvimento com as fraudes e afirmou que irá processar Raquel Otila por denunciação caluniosa. O ex-senador, entretanto, não quis conceder entrevista ao Fantástico.
O que aconteceu no cemitério São João Batista, na zona sul do Rio de Janeiro, há 20 anos, ainda está cercado de mistério.
A história começou quando Maria Ana descobriu que a sepultura da família estava vazia. Os restos mortais da irmã e dos pais, enterrados ali, haviam desaparecido.
– “Entrei em pânico. Foi aí que comecei a tentar entender o que estava acontecendo e pesquisar sobre esse assunto”, contou Maria Ana Neves.
A sepultura havia sido vendida por R$ 60 mil com o uso de uma procuração falsa, supostamente assinada por Raquel Otila, a ex-mulher de Ney Suassuna.
– “Eu entendi porque esvaziaram o meu jazigo. Era pra vender. Pro meu espanto, me aparece uma procuração com uma assinatura completamente diferente da minha”, relatou Maria Ana Neves.
A perícia da Polícia Civil comprovou: a assinatura era falsa.
O cartório que reconheceu a assinatura como verdadeira foi o 16º Ofício de Notas, na zona sul do Rio.
No fim do ano passado, a Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio puniu a tabeliã Olívia Motta Scisinio com 30 dias de afastamento. Após recurso, a pena foi substituída pelo pagamento de multa.
Procurada pelo Fantástico, a defesa da tabeliã informou apenas que se manifestou no processo.
Na última sexta-feira, a Justiça cancelou a procuração falsificada e devolveu a propriedade do jazigo a Maria Ana.
– “Até hoje eu não sei onde foram parar os restos mortais da minha família. Eu acho que eles foram para um ossário público, foram incinerados ou foram para o lixo mesmo”, lamentou Maria Ana Neves.
Raquel por 16 anos foi casada com Ney Suassuna. Após o fim do casamento, os dois não entraram em acordo sobre a divisão dos bens.
– “Nessa época eu já não morava no Brasil. Eu sequer estava no país. Então, é impossível que eu tivesse assinado presencialmente essas procurações”, afirmou Raquel Otila.
Ela apresentou à Polícia Civil um documento da Polícia Federal que comprova que não estava no Brasil nas datas das assinaturas, entre maio de 2020 e novembro de 2021.
Ney Suassuna não quis gravar entrevista para o Fantástico. Em depoimento à polícia, negou ter falsificado documentos e disse que pretende processar Raquel por denunciação caluniosa.
A Corregedoria abriu processo disciplinar para apurar possível falha gerencial da tabeliã Fernanda Leitão.
– “É impossível exigir que a tabeliã seja onipresente, esteja ao lado de todos os funcionários 24 horas por dia enquanto eles praticam os seus atos. Se assim o fosse, não teria razão de ser dela ter funcionários”, afirmou Paulo Camargo.
Fonte: Da Redação
