
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
ERMÍRIO LEITE: O HOMEM QUE NÃO ACEITOU SER PREFEITO DE CAMPINA GRANDE
Publicado em 3 de setembro de 2025Hoje, 03/09/2025, o advogado Ermírio Leite comemora 94 anos de vida, lúcido, saudável, trabalhando, anticomunista, defensor da Direita Cristã Conservadora. Nascido em 1931, Ermírio acompanhou o ritmo célere do crescimento da Rainha da Borborema, e viveu o auge de sua pujança econômica regional, que começou a perder fôlego com a grande recessão instalada partir de meados dos anos, estagnando em 1970.
Ermírio trabalhava na PERISA – industria algodoeira e exportadora de Pedro Ribeiro, pai do ex-prefeito Enivaldo Ribeiro. Era o comprador da empresa, cargo que ocupou durante 15 anos. Testemunhou o avanço dos programas sociais de Getúlio, como a criação do “Abono Família”, um salário destinado ao homem do campo. Muitos direitos e subsídios destinados a fundações e instituições como LBA – Legião Brasileira de Assistência, e a União de Artistas. Viu as crises explodirem na Capital Federal (Rio de Janeiro), a corrupção se expandir, na mesma proporção que o comunismo avançava e começava a ser pregado pelo Nordeste. Getúlio suicidou-se (1954), mesmo ano da primeira tentativa de Fidel Castro tomar o poder em Cuba. Foi preso, expatriado, e cinco anos depois, voltou para comandar uma revolução a partir do campo. Desde 1959, a ilha próspera, paraíso dos milionários norte-americanos, ficou congelada no tempo.
Antes da Revolução de Cuba (1959) a Central de Inteligência Americana (CIA) criou em 1958 no Brasil o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), primeira linha de frente de combate ao comunismo. Em Campina Grande, o IBAD esteve sob o comando de Juarez Barreto e Ermírio Leite.
O banqueiro Newton Rique foi eleito prefeito de Campina Grande. Convidou Ermírio Leite para ser o Diretor dos Serviços Elétricos. Um ninho de corrupção incontrolável. Decidiu entregar o cargo, porém Newton o convenceu a ficar e com ajuda de Fernando Carneiro Leão iria criar a primeira Empresa de Economia Mista da Paraíba. a CELB. Cassado antes de um ano de sua gestão, a CELB foi instalada pelo seu vice, William Arruda. No recrudescimento do golpe (1968) Ermírio já integrava os quadros do SNI (Serviço Nacional de Informações), CCC (Comando de Caça aos Comunistas, e a TFP (Tradição Família e Propriedade).
Nas eleições de 1968, venceu Ronaldo Cunha Lima (MDB). Seis meses depois, o Cel. Hermano Araújo veio instalar uma Comissão Geral de Investigações. Havia uma denúncia sobre a compra irregular de postes, realizada pela CELB. O Cel. Hermano deu parecer favorável, inocentando Ronaldo. Mas, quem cassou o mandato de Ronaldo foi João Agripino, então governador e influente na “linha dura” do regime. Em seu lugar, assumiu um interventor, General Paes de Lima. O Cel. Hermano nomeou Ermírio Leite para instalar uma investigação sigilosa. “Amarrando o burro onde o dono manda”, o relatório de Ermírio provocou o maior vexame nas Forças Armadas. O General era corrupto. Deu continuidade à compra de postes, e outros desvios identificados. Foi o primeiro militar de alta patente a ser cassado por corrupção. Sobrou coragem em Ermírio.
A Comissão Geral de Investigação indicou Ermírio Leite para assumir a PMCG. Por questões éticas, recusou. Seus adversários poderiam alegar que ele havia cassado o General, para tomar seu cargo. Já que ninguém o convenceu, indicou seu amigo Luíz Mota Filho, que não tinha nenhuma ligação política, nem com o regime, e não integrava o seleto grupo do SNI. Será que hoje, olhando no retrovisor, Ermírio não se arrepende? Poderia ter construído uma carreira política. Era um jovem precoce, querido e admirado pelas elites políticas e econômicas da época – bem relacionado – foi presidente do Campinense Clube por quatro anos e venceu três campeonatos. No governo Burity I, a violência se constituía no principal problema da Paraíba. O deputado federal Luiz Bronzeado foi nomeado por Burity para a pasta de Secretário de Segurança Pública. Seu primeiro ato – descentralizando e reformando a estrutura do órgão – foi nomear Ermírio Leite Superintendente da Polícia em Campina Grande.
Feliz aniversário, amigo. Resumimos sua longa biografia – cabe em um livro – pinçando apenas alguns fatos isolados.
