Era dos estrangeiros: Seleção Brasileira sob comando italiano expõe crise dos técnicos nacionais

Publicado em 25 de maio de 2025

A chegada de Carlo Ancelotti ao comando da Seleção Brasileira, prevista para este fim de semana, representa mais do que uma simples troca de treinador. Marca o fim simbólico de uma era em que o Brasil ditava regras no futebol sul-americano também a partir dos bancos de reservas. Pela primeira vez em sua história recente, o escrete canarinho será liderado por um estrangeiro — e isso em um cenário em que os técnicos brasileiros já não comandam sequer as seleções vizinhas.

Entre os dez países da América do Sul, oito estão sob o comando de técnicos argentinos. As exceções são Bolívia, com um treinador local, e o Brasil, agora sob comando de um italiano. A hegemonia argentina no setor técnico revela não só uma exportação de mão de obra, mas também um apagão formativo do lado brasileiro.

Se a análise se estende aos clubes, o retrato é ainda mais preocupante. Das últimas seis edições da Copa Libertadores, todas vencidas por equipes brasileiras, apenas duas contaram com técnicos nacionais no comando: Dorival Júnior (Flamengo, 2022) e Fernando Diniz (Fluminense, 2023). Os demais títulos foram conquistados sob a liderança de estrangeiros, mostrando que mesmo no domínio continental dos clubes, o protagonismo do treinador brasileiro é exceção, não regra.

A nomeação de Ancelotti pode até trazer novos ares à Seleção, mas escancara uma ferida: o Brasil, celeiro de talentos dentro de campo, parece ter perdido a fórmula de formar líderes à altura fora dele.

Fonte: Da Redação | Vinicius Marinho