Em decisão inédita, TSE mantém condenação de Artur Bolinha por uso de gesto supremacista branco durante campanha em Campina Grande
Publicado em 28 de outubro de 2025O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, os embargos de declaração apresentados pelo ex-candidato a prefeito de Campina Grande, Artur Bolinha, e manteve a condenação por uso de gesto associado a grupos supremacistas brancos durante a campanha eleitoral de 2024.
A decisão foi proferida na 33ª Sessão Ordinária Virtual do TSE, realizada entre 17 e 23 de outubro de 2025, sob relatoria da ministra Estela Aranha e presidência da ministra Cármen Lúcia. O julgamento contou ainda com os votos dos ministros Nunes Marques, André Mendonça, Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Floriano de Azevedo Marques, que acompanharam integralmente o voto da relatora .

A ação foi proposta pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) de Campina Grande, representado pelo advogado Olímpio Rocha, e é considerada um marco na Justiça Eleitoral brasileira, por ser a primeira vez que o TSE confirma a condenação de um candidato por gesto vinculado ao supremacismo branco em contexto de propaganda política.
“Essa é uma decisão histórica. O PSOL atuou incansavelmente na defesa da democracia e contra o avanço de símbolos de ódio no espaço público. A Justiça Eleitoral deu um recado claro de que racismo e intolerância não cabem na política brasileira”, declarou o advogado Olímpio Rocha, após o julgamento.
Com a decisão, o ex-candidato ainda pode tentar recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas, segundo o advogado, é pouco provável que a Suprema Corte reverta o entendimento unânime do TSE, que consolidou o precedente sobre a vedação ao uso de gestos e símbolos que atentem contra a igualdade racial e os valores democráticos.
“A política não pode ser espaço para a propagação de gestos de ódio travestidos de liberdade de expressão. Essa vitória é de toda a sociedade que acredita em uma democracia plural, antirracista e inclusiva”, concluiu Olímpio Rocha.
ADENDO À NOTÍCIA
MPF pode abrir investigação criminal contra Artur Bolinha
Além da condenação eleitoral, o Ministério Público Federal (MPF) foi oficiado pelo Tribunal Superior Eleitoral para analisar a viabilidade de abertura de investigação criminal contra o ex-candidato Artur Bolinha, em razão do uso do gesto considerado racista.
Caso a Procuradoria-Geral da República entenda que há indícios suficientes, a apuração pode resultar em uma denúncia criminal, o que abriria caminho para que o ex-candidato responda criminalmente pelo ato praticado durante o período eleitoral.
Até o momento, o Ministério Público Federal ainda não se manifestou sobre o caso, mas o PSOL informou que está acompanhando de perto o andamento da possível investigação e se comprometeu a manter a sociedade e a imprensa informadas sobre qualquer novidade.
Fonte: Da Redação
