
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
ELEIÇÕES NA PARAÍBA: ABSTENÇÃO SERÁ A MAIOR ALIADA DA OPOSIÇÃO
Publicado em 6 de setembro de 2026A grande surpresa das eleições de outubro próximo será a força das redes socais – fenômeno em pleno vapor – transformando usuários de aplicativos da internet em “cabos eleitorais” anônimos e voluntários, compartilhando conteúdos e interagindo diretamente com o eleitor, mudando sua opinião, influenciando principalmente os indecisos, nulos e brancos.
Em apenas quatro anos surgiram milhares de “digital influencer”. Uma explosão de criatividade com vídeos curtos (viralizados), elaborados por anônimos, e pulverizado nas redes sociais. Estas novas ferramentas estão encerrando neste pleito a carreira dos “marqueteiros políticos”, surgida há quarenta anos, precisamente em 1986. O “Marketing Político” sepultou os carros de som, panfletos; manifestos; camisetas; bonés e trios elétricos (Showmícios). O Guia Eleitoral batia recorde de audiência na TV. O horário gratuito era audiência fechada.
Despertava os indecisos, nulos, brancos e apolíticos. Seu ponto forte era as denúncias, a biografia dos candidatos, suas posturas éticas ou pusilânimes, registradas em suas vidas pregressas. A régua da coerência, usada para medir o grau de credibilidade e confiança no candidato, servia de argamassa para os marqueteiros construírem o perfil do postulante. Por outro lado, atentos aos fatos, palavras soltas, atos irrelevantes eram usados e explorados com espetacularização. Fazendo uma analogia ao futebol, agiam como um centroavante. Cochilo da zaga adversária, bola na rede.
Nesta mesma época surgiram os debates. Centenas de candidatos no Brasil – disputando majoritárias para Governos dos Estados como favoritos, perderam nos debates. Alguns exemplos merecem ser rememorados. Wilson Witzel – eleições Rio de Janeiro 2018 – só conseguiu ir ao debate, pela margem de erro. Tinha apenas 4%. Com a margem poderia chegar a 7%. Em trinta dias, derrotou todos. Romeu Zema, desconhecido em Minas Gerais, derrotou Fernando Pimentel, na cadeira, e candidato à reeleição, levando a “tiracolo” Rodrigo Pacheco, que esmagou a ex-presidente Dilma Rousseff para o Senado Federal. Antes (2010), Ricardo Coutinho demoliu José Maranhão, candidato à reeleição com a caneta na mão. Estes “milagres” foram trabalhados pelo Marketing, unido às consultorias e com base nos resultados de pesquisas qualitativas.
No Guia Eleitoral do Rádio e da TV (deste ano de 2026) observamos que todos os candidatos a deputado estadual da Federação encabeçada pelo PT pedem apenas seu voto. Não citam Lula, nem Lucas. Nos santinhos distribuídos nas ruas e esquinas não colam a imagem de Lula, nem Lucas. O mesmo acontece com os candidatos da chapa de Cícero Lucena. A direita mostra as imagens de fundo de Efraim Morais e Marcelo Queiroga. Procuramos ouvir alguns destes postulantes, ligados ao governo (novatos e sem bases). A resposta foi que ainda não viram a cor do dinheiro do Fundão Eleitoral. Estão cuidando apenas de suas campanhas. Alguns, já preconizando desistência, por falta de apoio. Para manter uma campanha viva, na busca de se tornar competitivo, é necessário – numa cidade do porte de Campina Grande – ter permanentemente nas ruas, esquinas e caminhadas diárias nos bairros 100 militantes profissionais fixos, com custo diário de 120,00. São moças com bandeiras, distribuidores de santinhos e adesivos. Um desembolso diário de 12 mil reais. Em 30 dias, 360 mil. Sem a menor garantia do voto. Nos três últimos dias, tem o BU – Boca de urna – ou a compra do voto. A per capita estimada para este ano é de 500 reais por voto. Tirando o presidente, o eleitor quer mil reais para votar na chapa fechada. Um deputado estadual isoladamente terá que dispor de 10 milhões, para obter 20 mil votos.
A regra não é para todos. Existem os candidatos das redes sociais. Gasta com impulsionamentos e um pequeno grupo de apoio. Porém, aqueles que não tiverem no mínimo 100 mil seguidores líquidos, com curtidas diárias e no Estado, não têm chances de se elegerem. O país com 82% das famílias endividadas, negativadas no SERASA, enxerga na eleição um natal fora de época. Os imediatistas esperam dos candidatos (Papai Noel) um presente para tentar pagar suas contas do momento. Este contingente representa a maioria? E aqueles que pensam no mês seguinte? Olham para o horizonte, e não vêm perspectivas. Revoltados, só existem duas alternativas. Se absterem de votar, ou abraçar a oposição na esperança de mudanças radicais.
