
Emir Gurjão
Pós graduado em Engenharia Nuclear; ex-professor da Universidade Federal de Campina Grande; Secretário de Ciências, Tecnologia e inovação de Campina Grande; ex-secretário adjunto da Representação do Governo da Paraíba, em Campina Grande; ex-conselheiro de Educação do Estado da Paraíba.
Efraim: candidato, não herdeiro
Publicado em 12 de abril de 2026Na política, sobrenome pode abrir a porta, mas não mantém ninguém de pé por muito tempo. O que sustenta uma trajetória é voto, presença, mandato, capacidade de decisão e identidade própria. No caso de Efraim Filho, a biografia pública registra quatro mandatos consecutivos de deputado federal, entre 2007 e 2023, e a eleição direta ao Senado em 2022, com 617.477 votos na Paraíba, para o período de 2023 a 2031.
É evidente que ele carrega um nome de peso. É filho do ex-senador Efraim Morais, e disso nunca fez segredo. Mas uma coisa é herdar o nome; outra, muito diferente, é transformar esse nome em trajetória própria. Quem vive apenas de herança política permanece na sombra. Quem constrói base, vence disputa e ocupa espaço com voz própria deixa de ser continuação e passa a ser protagonista. Foi esse movimento que sua carreira procurou fazer ao longo dos anos.
Hoje, Efraim já prova que existe por conta própria. Isso sua trajetória institucional já demonstrou. E o eleitor sabe que ele vai governar a Paraíba inteira sem ser manipulado por nenhum tutor. Já se apresenta não apenas como trincheira ideológica, mas com capacidade de conquistar os independentes. Tem luz própria para atrair, com entusiasmo de militância, o cidadão silencioso que começa a enxergar preparo, equilíbrio e utilidade.
Efraim sabe o que fazer com o Estado. O eleitor médio não quer só guerra de bandeiras. Quer saber onde a fila do hospital vai diminuir, como a violência será enfrentada, de que forma o emprego pode crescer no interior, o que muda na estrada, na água, na infraestrutura e na relação com os municípios. E Efraim sabe como resolver.
Efraim não é apenas um nome regional. Sua atuação no Senado lhe deu projeção nacional. O perfil oficial da Casa o identifica como líder do Bloco Parlamentar Democracia e também do União Brasil, e ele presidiu a Comissão Mista de Orçamento entre abril de 2025 e 31 de março de 2026. Isso revela articulação, comando e capacidade de negociação em espaços centrais do Congresso.
Esse capital político precisa ser traduzido para a linguagem do povo. “Municipalismo”, que com Efraim vai virar prova concreta. O discurso vai sair do slogan e virar currículo: Efraim já articulou recursos, ali ajudou a destravar obra, acolá contribuiu para resolver um problema real. Sem materialidade, municipalismo soa como adorno. Com entrega visível, vira argumento de governo.
Apoio de figuras conhecidas pode animar a base, mas não pode sequestrar o centro da candidatura. É aí que Efraim predomina com sua luz própria. O rosto principal precisa ser o do próprio candidato, falando da Paraíba, dos seus problemas e das suas soluções. Apoio nacional pode ser um combustível adicional e importante. O volante, porém, tem de continuar nas mãos de quem pretende dirigir o Estado.
Efraim transmite serenidade, domínio técnico e dimensão de estadista. Falar menos contra pessoas e mais contra problemas não deixa dúvida sobre preparo, nem a impressão de que gosta mais da briga do que da solução. A resposta madura para isso não é endurecer a voz; é alargar a mão.
Efraim é o candidato que convence o passageiro comum de que é seguro, firme e sabe para onde vai.
Ele herdou o sobrenome, sim. Mas mandato, voto, espaço institucional e projeção política foram conquistados ao longo da própria caminhada. E ele sabe para onde pretende levar a Paraíba. E é exatamente nessa passagem — da origem para a utilidade, da herança para a capacidade de governar — que uma candidatura deixa de ser memória de família e tenta se transformar em projeto de Estado.
