
Emir Gurjão
Pós graduado em Engenharia Nuclear; ex-professor da Universidade Federal de Campina Grande; Secretário de Ciências, Tecnologia e inovação de Campina Grande; ex-secretário adjunto da Representação do Governo da Paraíba, em Campina Grande; ex-conselheiro de Educação do Estado da Paraíba.
Educação Digital x Entretenimento Educativo
Publicado em 4 de maio de 2026O entretenimento educativo, não resolve o problema da educação atual: a perda da atenção, da concentração e da capacidade de aprender com continuidade.
Muitos professores recorrem a jogos, músicas, efeitos visuais e dinâmicas para prender a atenção dos alunos. Mas . Os alunos de hoje parecem menos concentrados do que os de 20 ou 25 anos atrás. Não porque sejam menos inteligentes, mas porque nasceram em outro ambiente mental: o mundo digital.
O professor foi formado no mundo do livro, da lousa, da fala longa e da paciência. O aluno cresceu no mundo da tela, do toque, da imagem, do vídeo curto, da resposta imediata e da inteligência artificial.
Antes, era comum ver pais lendo jornal, revista ou livro em casa. Hoje, o que elas mais veem são adultos olhando celulares, notebooks e televisões. A leitura silenciosa foi sendo substituída pela tela acesa. O livro exige paciência; a tela oferece recompensa imediata.
O problema não está apenas na escola. Quando uma criança se inquieta em um restaurante, muitas vezes recebe um celular. Quando quer algo, recebe rapidamente. Quando se entedia, ganha uma tela. Forma-se, assim, uma cultura do “sim” imediato. Depois, essa mesma criança chega à escola e precisa esperar, ouvir, copiar, pensar, errar e tentar de novo.
É aí que nasce o conflito.
Não adianta fingir que o mundo digital vai desaparecer. Também não adianta querer trocar o celular pelo livro. O caminho não é negar a tecnologia, mas educar para usá-la.
A nova palavra poderia ser EduDigital: uma educação que reconhece o mundo digital, mas não se rende ao entretenimento vazio.
O professor precisa conhecer as novas tecnologias, usar recursos digitais, dialogar com a linguagem dos alunos e incorporar ferramentas como computador, celular e inteligência artificial. Não é transformar a aula em espetáculo. O professor é educador, não animador de palco.
A escola não deve disputar com o circo. Deve ensinar o aluno a pensar.
A tecnologia deve ajudar o aluno a pesquisar, escrever, revisar, comparar ideias, resolver problemas e aprender com autonomia. Sem orientação, o celular vira distração. Com método, vira ferramenta de aprendizagem.
A leitura continua essencial. O livro talvez pareça lento para os jovens de hoje, mas é justamente nessa lentidão que mora sua força. Ele treina a mente para permanecer, acompanhar uma ideia, interpretar, imaginar e construir raciocínio.
O livro dá profundidade. A tecnologia dá velocidade. A inteligência artificial dá apoio. Mas quem precisa aprender continua sendo o aluno.
Existem três receitas básicas para a aprendizagem: dormir bem, porque o sono organiza a mente; prestar atenção, porque boa parte das dúvidas desaparece quando o aluno realmente acompanha a explicação; e praticar sozinho, porque ninguém aprende de verdade apenas assistindo.
Hoje, essa prática individual pode ser fortalecida com apoio digital: laptop, celular, plataformas de estudo e inteligência artificial. O aluno pode escrever, revisar, perguntar, comparar respostas e construir seu próprio caminho.
A grande missão da educação digital é ensinar o jovem a usar o mundo digital para aprender melhor, com mais rapidez, autonomia e responsabilidade.
No passado, valorizava-se muito quem sabia muitas coisas. Hoje, talvez a capacidade mais importante é aprender rápido, reaprender sempre e usar bem as ferramentas disponíveis.
Porque, no mundo atual, saber muito ainda é importante. Mas aprender rápido se tornou indispensável.
