
Valberto José
Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.
É tempo de Campina Grande ajudar a revitalizar o forró
Publicado em 22 de agosto de 2026Imagino que Campina Grande seja a cidade nordestina mais cantada em letras de música de forró, englobando suas variedades de ritmo, que vão desde o forró propriamente dito ao baião, xote e xaxado. Muitos poetas e cantores a homenagearam na lírica nordestina, sob os acordes da sanfona, zabumba e pandeiro.
A tradição principiou com Helena de Lima, hoje desconhecida cantora, que gravou em 1950 a composição “Bodocongó”, da dupla Humberto Teixeira/Cícero Nunes, eternizada por Jackson do Pandeiro, e perpetuou-se com Marinês, Zito Borborema, Genival Lacerda, Luiz Gonzaga, entre outros. Aliás, “Tropeiros da Borborema”, versos de Asfóra e melodia de Rosil, é a mais simbólica, pois virou hino extraoficial da cidade.
A Rainha da Borborema viveu uma relação simbiótica com o forró. Em décadas pretéritas, ajudou a projetar esse gênero da nossa música regional e foi porto seguro de seus intérpretes. A retribuição veio em versos e, depois, como inspiração para a criação do Maior São João do Mundo, hoje uma das principais festas de atração turística do país.
Portanto, Campina Grande deve mais ao forró do que o ritmo a ela, pois sem ele não haveria os 30 dias de festa junina. Quando o tradicional pé-de-serra vivencia esse ostracismo aniquilante, é hora de a cidade acordar e agir em prol de sua revitalização, dando vez e voz aos seus intérpretes e instrumentistas.
Acredito que seria viável a realização de um evento de dois ou três dias, em data propícia — fora do mês de junho ou período próximo —, trazendo como atrações grandes nomes do forró, além de promissores intérpretes e trios regionais. Há cantores que são sucesso lá fora, como Flávio Leandro em Pernambuco, pouco conhecidos ou desconhecidos aqui. Seria a oportunidade deles.
Penso que uma data ideal seria o feriadão de outubro, quando se comemora o aniversário de Campina Grande, dia 11, e a padroeira do Brasil, dia 12. É apenas a sugestão de um pobre mortal, amante da cultura nordestina e fã do forró tradicional; não dança, mas gosta de ouvir.
