Doação de R$ 2 milhões ao MDB da Paraíba leva deputado federal a suspeitar de “triangulação” envolvendo presidente do TCU
Publicado em 10 de agosto de 2026Fabiano Freire foi ministro no Governo Temer
O jornal ‘O Globo’, do Rio de Janeiro, divulgou ontem que o advogado Fabiano Silveira, que ocupou o cargo de ministro no governo Michel Temer, doou R$ 2 milhões ao diretório estadual do MDB da Paraíba para as eleições deste ano. A doação foi realizada na última terça-feira (4) e, segundo informações do colunista Lauro Jardim, é a maior registrada até o momento para a disputa eleitoral de 2026.
O MDB da Paraíba é presidido pelo senador Veneziano Vital do Rêgo, que também disputa a reeleição ao Senado. A legenda homologou ainda o nome do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, para a disputa pelo Governo do Estado.
REQUERIMENTO NO CONGRESSO
A doação passou a chamar atenção no Congresso Nacional. Sexta-feira (07) o deputado federal Doutor Luizinho (PP-RJ) protocolou um requerimento na Câmara dos Deputados solicitando ao Tribunal de Contas da União (TCU) informações sobre eventuais processos em que Fabiano Silveira atue ou tenha atuado perante a Corte. Há uma suspeita de que tenha ocorrido uma triangulação ilegal envolvendo o presidente da Corte, Vital do Rego Filho, que é irmão de Veneziano.

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O parlamentar pediu que o TCU informe, no prazo de até 30 dias, a relação desses processos e se, em algum deles, houve relatório, voto, proposta de deliberação ou decisão monocrática do ministro Vital do Rêgo Filho.
Doutor Luizinho também solicitou informações sobre eventual declaração ou reconhecimento de impedimento ou suspeição do ministro em processos nos quais Fabiano Silveira tenha atuado.
Na justificativa do requerimento, ele apontou que a direção do MDB na Paraíba é chefiada por Veneziano Vital do Rêgo, que é irmão do presidente do TCU. Afirmou ainda que o doador, além de ter sido ministro, é advogado com atuação em Brasília e já foi membro do Conselho Nacional do Ministério Público e ouvidor do Conselho Nacional de Justiça.
“Diante desse conjunto de fatos públicos, mostra-se pertinente ao exercício do controle externo, a cargo do Congresso Nacional com o auxílio do Tribunal de Contas da União, esclarecer se o doador possui atuação profissional perante aquela Corte de Contas e, em caso positivo, se o Ministro Vital do Rêgo Filho participou do exame de feitos por ele patrocinados e de que modo a questão do impedimento foi ali tratada. A informação é objetiva, tem natureza pública, decorre de registros processuais já existentes e não demanda juízo de valor do Tribunal”, destacou Doutor Luizinho.
Doutor Luizinho assinou o documento na condição de líder do maior bloco parlamentar da Câmara, composto por oito partidos, entre eles o Republicanos e MDB.
Fonte: Da Redação