Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

DIAGNÓSTICO SUPERFICIAL DO GOVERNO NAS ÚLTIMAS PESQUISAS

Publicado em 15 de junho de 2025

Nos últimos dez dias quatro principais institutos de pesquisas – festejados pela grande mídia – estiveram entrevistando a população, para avaliar a aprovação do governo Lula III. No longo questionário apresentado foram inseridas perguntas para colher sugestões, possibilidades de mudanças de opinião, e nível de resistência de decisões já tomadas pelos que rejeitam com veemência a figura do presidente.

Tentando minimizar os efeitos catastróficos a equipe de marketing utiliza recortes, que confundem o leitor, telespectador e principalmente internautas. A Genial Quest mostrou que 53% da população desaprova o governo Lula. Subentende-se, numa leitura superficial, que 47% aprovam. Em um outro recorte, quando indagavam se o Presidente deveria ou não ser candidato à reeleição, 66% não concordaram. Neste percentual se inclui os próprios petistas e setores das esquerdas. Restou 34% e quando deduzido os que não sabem, ou não quiseram responder, Lula “esbarra” em 26%.

O IPSO/IPEC, usando outro tipo de metodologia, detectou a desaprovação do governo em 43%. Resultado que animou o núcleo petista, passando a trabalhar com otimismo a divulgação destes números, mostrando uma distância mínima para atingir os 50%, e dentro da margem de erro, probabilidades de vitória. Mas, tropeçaram quando excluíram o quesito “razoável”, deixando apenas o “bom e ótimo” e “ruim ou péssimo”. Como nos ensina um velho ditado popular, a ordem dos fatores não altera o produto (resultado) da soma. Lula beijou novamente a lona. Seu governo foi conceituado como bom e ótimo por apenas 26% da população. Resultado absolutamente idêntico aos divulgados pela Genial Quest.

O Datafolha foi o último a entrar em campo e postou na última quinta-feira (12/06/2025) seus índices colhidos em todo o país. A desaprovação do governo caiu para 40%. Mas, os que consideraram seu governo ótimo e bom foram apenas 25% dos entrevistados. Fizeram algumas simulações para um eventual “segundo turno” (?) colocando Lula na disputa frente a Tarcísio de Freitas e Bolsonaro. Em ambos, empate técnico. Não inseriram o nome de Michele, que em amostragens anteriores batia Lula.

O curioso é a ardilosa manipulação usada. Uma simulação, colocando Lula no segundo turno. Por que não averiguam sua posição no primeiro turno? Quem está pontuando com apenas 25%/26%, só chega a um eventual segundo turno com outros candidatos competitivos dividindo a oposição. Mesmo assim, Lula teria que alcançar pelo menos 35% dos votos no primeiro turno. Por outro lado, esquecem que PSOL, PSTU, PCO ou outra legenda das esquerdas, podem apresentar candidatos.

Comparando o resultado das eleições de 2022 com os dados das últimas pesquisas divulgadas, constatamos que nos trinta meses do seu governo Lula perdeu a metade do eleitorado. Praticamente 1% ao mês. No primeiro turno de 2022 as “urnas eletrônicas” apuraram 48,43% dos votos em favor do petista, contra 43,20% de Jair Bolsonaro. No segundo turno, Lula levou 50,90% e Bolsonaro chegou a 49,30%. Seus eleitores do momento são apenas aqueles que consideram sua gestão ótima e boa, 25% ou 26%. Se a constante queda de sua popularidade, se mantiver no mesmo ritmo dos últimos 30 meses – restando ainda 16 meses para o primeiro turno de 2026 – Lula desidratará ainda 16%. Fazendo uma analogia a uma barragem, seu manancial evaporará e atingirá o “volume morto” de um, ou pouco mais de um dígito.