
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
DESRESPEITO AO PARLAMENTO COM GESTOS E PALAVRAS: TRUMP PAGOU CARO, LULA SERÁ PERDOADO?
Publicado em 18 de outubro de 2025Em evento realizado no Dia do Professor, Rio de Janeiro (15/10/2025), Lula ministrou uma aula, expondo seu pensamento antidemocrático para uma plateia da esquerda ultra radical. Uma claque cuidadosamente selecionada, posta num ambiente fechado – local ideal para o líder petista despejar suas frustrações pelos desacertos do seu governo – e ser ovacionado por um punhado de energúmenos ideologicamente fanáticos. Aproveitando o ensejo, humilhou de forma abominável o Parlamento brasileiro, exibindo um comportamento ultrajante, agressivo e desrespeitoso. Deputados federais representam um Poder eleito pelo povo. Lula ignora por completo as prerrogativas do Legislativo, que ora está sendo asfixiado pelo Executivo e STF.
Com o dedo em riste, encarando o presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta, disparou: “você como presidente do Congresso (?), sabe que este é o pior da história do País”. Nivelou todos por baixo. Quando apertou o gatilho da sua “metralhadora giratória” feriu seu próprio líder na Câmara, Lindenberg Farias, a decana correligionária Benedita da Silva, demais deputados da base, PSD; PSB; Republicanos; PCdoB; PSOL…
Esqueceu até que o presidente do Congresso não é Hugo Motta. É seu (também) aliado, Senador David Alcolumbre, que mesmo distante, foi atingido por “balas perdidas”. Quem fala com este tom de autoritarismo, sem o menor pudor ou temor, sabe que está se dirigindo a vultos lacaios, desprezíveis e despidos de dignidade. Motta era para ter se retirado imediatamente, antes de ser vaiado.
A primeira mulher a presidir a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Democrata Nancy Pelosi – adversária de Donald Trump – na sessão conjunta do Estado da União no Congresso Norte-americano, em 04/02/2020, após aplaudir o discurso do presidente e formalmente estender-lhe a mão, Trump deu-lhe as costas. Pagou um preço caro pelo gesto. Recebeu dois impeachment, inclusive com apoio de alguns parlamentares do seu próprio partido. Só não caiu porque o presidente do Senado – que era seu vice-presidente, Mike Pence – trabalhou arduamente nos bastidores e conseguiu dois votos independentes, para que Trump permanecesse presidente. Ele não pronunciou uma única palavra contra Nanci. Mas, o ato de ignorá-la foi interpretado como uma afronta, ofensa e desmoralização ao Poder que ela representava.
A semana se encerra hoje (18/10/2025) e nenhuma Nota Oficial de repúdio aos ataques perpetrados por Lula contra o Congresso Nacional foi veiculada pela mídia, manifestando desagravo das Mesas Diretoras dos Trabalhos da Câmara dos Deputado e Senado Federal. Sequer se defenderam? Aceitaram serem considerados insignificantes?
Qualquer um outro deputado, sentando na cadeira hoje ocupada por Hugo Motta, teria lido dia seguinte um dos inúmeros pedidos de impeachment apresentados contra Lula. Principalmente as “pedaladas fiscais”, notificadas pelo TCU – pagamento do programa Pé-de-Meia – fora do orçamento de 2024 e sem autorização legislativa. O ato se constitui em improbidade administrativa, crime de responsabilidade, com perda de mandato e inelegibilidade por oito anos. Rodrigo Maia só conseguiu se impor quando acatou dois pedidos de impeachment contra Michel Temer, levando-o a suar a camisa, respeitar deputados federais, evitando instalações dos processos em votação plenária.
