
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
DESCONFIANÇA AMERICANA NAS INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS
Publicado em 30 de julho de 2025Nos causa espanto a investigação da grande mídia nacional na busca de encontrar e nomear culpados pela crise entre Brasil e Estados Unidos, que poderá ir muito além de um conflito sobre posições políticas de governos e se transformar num rompimento da relação geoeconômica entre Estados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seguindo orientações da bicentenária diplomacia norte-americana conversa, mantém diálogos e constrói negócios com ditaduras, teocracias quer sejam de direita ou esquerda, em todos os continentes – desde que existam garantias em seus interesses – sobretudo nos investimentos realizados em longo prazo. Seu maior parceiro comercial é a China Comunista, com sua excêntrica “experiência capitalista”. Lida com todo o mundo árabe, dividido entre Xiitas e Sunitas, e defende com unhas e dentes Israel. Quando foi necessário, Trump teve três encontros com o isolado ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-um. Meteu cinco bombas no Irã, e dia seguinte ligou para seu presidente.
O problema dos Estados Unidos com o Brasil não é Lula ou Bolsonaro. A última vez que Trump (em entrevista) se referiu a Bolsonaro foi até deselegante com sua sinceridade: “ele não é meu amigo, mas é um homem bom, honesto, um duro negociador que defende seu país e é vítima de um processo de caça às bruxas”. Depois de culparem Bolsonaro, seu filho Eduardo, Alan dos Santos, a bola da vez do momento é o jornalista Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente João Batista Figueiredo, residente na terra do Tio Sam e com cidadania norte-americana. Nunca conversou com Trump. Por que acham que todos nós somos idiotas?
Tudo que ocorreu nas eleições de 2022, no período pós eleitoral, até os atos de 08/01/2025, não preocupou em nenhum momento o Departamento de Estado dos Estados Unidos. A campanha de Lula contra Trump, suas andanças mundo afora, articulando um discurso antiamericano, não causaram o menor estremecimento na maior superpotência do planeta. Toleraram e riram até da ridícula bajulação genuflexa ao ditador Chinês Xi-Jinping. Ignoraram seus ataques a Israel e seus esforços para fortalecer o BRICS, trazendo para o bloco os grandes inimigos das democracias ocidentais, que acobertam o terrorismo.
Nada está acima do poder do grande capital transnacional. Nem mesmo os presidentes norte-americanos. Quando Kennedy começou a desmobilizar as tropas no Vietnã foi morto por uma conspiração. Nixon, após ser reeleito com maioria nunca vista na América, encorajado pelo apoio popular foi à China e à Rússia, para acabar com a corrida armamentista. Montaram o ” Watergate” e ele teve que renunciar. A volta de Donald Trump, patrocinado por todos que o derrotaram em 2020, é um projeto do grande capital transnacional para debelar o ameaçador movimento “progressista”, respaldado pelo “Ativismo Judiciário”. Os grandes investidores ao chegar numa nação não procuram suas boas leis, mas se certificam que, as que lá existem, são executadas? Isto chama-se “segurança jurídica”. Nas democracias, o poder político é transitório e passa pelo processo de alternância. Permanente, só a Lei, acima de todos.
Donald Trump ao exibir Bolsonaro como exemplo de insegurança jurídica está cumprindo missão do grande capital transnacional. O STF desde 2014 vem interpretando e reinterpretando a Constituição Brasileira, sem esconder sua posição político/partidária. Exageraram quando avançaram sobre os interesses das gigantes Big Tech. O ministro Alexandre de Moraes suspendeu o “X” e aplicou multas milionárias ao empresário Elon Musk, protegido pelos grandes bancos internacionais. Mandou bloquear as contas da Starlink, sacando milhões de dólares para punir um dos seus sócios. A Starlink tem acionistas bilionários. Dinheiro é coisa séria. Este ato foi considerado como um assalto, atentado à soberania norte-americana e, pior, para alguns expropriação. Como a contabilidade desta empresa irá lançar estas multas e prestar contas aos seus acionistas? Uma loucura sem precedentes. Virá a Lei Magnitsky, confiscos de bens e acusações de violação aos direitos humanos, que atingirá os ministros do STF, punindo-os por cruzarem o caminho das Big Tech. O STF para impedir o uso das redes sociais pela direita “regulamentou” a seu modo o Marco Civil da internet, Lei nº 12.965/2014, artigo 19, já votado, aprovado pelo Congresso Nacional.
