Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

DEBATE NA ARAPUAN MOSTRA COM AMPLITUDE A EXISTÊNCIA DE ADVERSÁRIOS DO GOVERNO

Publicado em 10 de agosto de 2026

Com raríssimas citações, os mais diversos meios de comunicação da Paraíba – incluindo as avançadas mídias digitais – vinham apenas “registrando” a existência de candidatos da oposição, contra o continuísmo do núcleo que controla os destinos do Estado, seleto grupo sem rosto hospedado há 16 longos anos no Palácio da Redenção. Instalaram uma dinastia que superou os 15 anos de Álvaro de Carvalho, no final do século XIX, início do século XX.

Trocam-se as almajarraras, mas as bestas são as mesmas. A serviço de quem? Forças “ocultas” empoderaram o secretário Nonato Bandeira, que passou a ser o controlador do fluxo de oxigênio (financeiro) necessário à sobrevivência de mais de 1.700 blogs, dezenas de sites (Portais de Notícias) e veículos da mídia tradicional, como o rádio e a TV. O modelo funcionou. Deificou Ricardo Coutinho por oito anos – em seguida o defenestraram – e puseram em seu lugar, no mesmo andor, João Azevedo. A procissão seguiu, puxada pela fé de não perder o contracheque e continuarem recebendo as NF expedidas por milhares de MEI. O medo é a base de tudo (Freud).

No debate da TV Arapuan, ontem (09/08/2026), além de leves agressões morais entre si, os pré-candidatos fizeram seus primeiros testes de resiliências, deixando o telespectador motivado a acompanhar todo o desenrolar da campanha de outubro próximo no estilo de um campeonato de UFC. Querem assistir pancadas, golpes desumanos e truculentos, sangue na lona do ringue. Efraim Filho acertou o calcanhar de Aquiles de Lucas, ao se dirigir a ele como “candidato Ribeiro”. Algum imbecil, idiota, ignorante marqueteiro – que trabalha na equipe de Lucas – sugeriu que ele desvinculasse seu nome do sobrenome Ribeiro. Que absurdo! Os Ribeiros foram responsáveis diretos pelo progresso de Campina Grande. Pedro Ribeiro, pai de Enivaldo, fundador da PERISA, foi um dos maiores industriais da cidade, exportador de algodão, gerador de emprego, rendas e impostos. Seu irmão Cézar Ribeiro; Enivaldo, um dos maiores prefeitos da história de Campina Grande; João Ribeiro, médico, que investiu no maior hospital regional de Psiquiatria. Lucas deveria se orgulhar de ser herdeiro direto dos Ribeiro, família que ajudou Campina a ser grande.

O equívoco é grosseiro. Mostra o despreparo e ignorância histórica da equipe de Lucas. Se o alvo era rememorar Aguinaldo Veloso Borges (1963), ele não era Ribeiro. Sua luta, ao lado de todos os usineiros da Paraíba, era legítima. Combater em campo aberto as Ligas Camponesas. Evitar que ocorresse no Brasil o mesmo processo da Revolução Cubana, que se iniciou nos canaviais. Roubaram terras, saquearam bens, assassinaram seus proprietários; desapropriaram, nunca pagaram os legítimos donos de terras. E quando Fidel assumiu o poder, mandou fuzilar familiares e inocentes, descendentes das tradicionais famílias. Este é um debate histórico, com versão vitimista construída pelas esquerdas, nunca apurada a verdade dos fatos: os crimes de Julião.

Cícero Lucena ao ser alfinetado por Lucas sobre abandono dos parques públicos, na Capital, foi retrucado pelo inacabado Parque de Bodocongó, em Campina Grande, terra natal do atual governador. Para não responsabilizar seu antecessor, Lucas silenciou. Deveria ter tido a coragem de abraçar a verdade: “o governador era outro, tenho apenas 100 dias”. Entretanto, ficou encurralado quando falou em responsabilidade fiscal. Se o governo dispõe de 4,0 bilhões em caixa, e tem conceito AAA+ (crédito) ao Tesouro Nacional, por que o sertão está com sede? Atrasam o pagamento dos fornecedores de leite de cabra; a Paraíba paga o menor salário do país a Polícia Militar. Qual o sentido de guardar o dinheiro? Efraim Morais cobrou a chamada dos concursados, deixando evidente que este eleitor assumiria o emprego, sem dever favor, e o voto ao governo.

Com vistas às eleições, o debate deixou todos do mesmo tamanho. Lucas poderia ter feito a diferença, com apenas uma pergunta a Cícero Lucena: “quanto a PMJP recebeu de emendas do deputado federal Aguinaldo Ribeiro e da sua mãe, senadora Daniella Ribeiro”? Jovem, ainda criança, também não rebateu com precisão o candidato “alquimista”, que acusou seu avô de deixar Campina Grande coberta de lixo e buracos. Uma grande mentira, ou confusão mental de Cícero. Lucas se tivesse aproveitado a “deixa” diria que este infortúnio a cidade não esquece, nem o tempo e o nome: Veneziano Vital do Rêgo, senador de Cícero, final de sua gestão em 2012.

O mais desconcertante e sem defesa foi o golpe desferido por Cícero Lucena. Contratação de 150 cargos comissionados, no mês de maio/junho, com salários de 14.900,00. Teve lar com quatro cargos, ou 60 mil reais. Atento, o povo verá, ouvirá, opinará e votará.