Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

CPMI DO INSS É SINAL DE ESPERANÇA PARA O GOVERNO

Publicado em 19 de maio de 2025

Atacado por todas as frentes, o governo do PT terá que recuar e tentar reorganizar suas tropas – o que ainda resta do seu exército e aliados – entrincheirando-se para conter um avanço rápido e devastador das forças opositoras. Câmara e Senado não têm como continuar segurando uma avalanche de CPI num ano pré-eleitoral, arcando com um desgaste que pode comprometer a reeleição de dezenas de senadores e pelo menos duas centenas de deputados federais, que serão julgados e condenados pela “fúria das massas” como traidores do povo, negligentes egoístas contumazes, que só enxergam seus umbigos.

É provável que vejamos repetir-se 2018: uma renovação de 47% da Câmara dos Deputados (elegendo 243 novos parlamentares) e 81% do Senado, a maior da história. Apenas um, em cada quatro senadores que tentaram a reeleição, conseguiu êxito. Até o presidente, Eunício Oliveira, foi defenestrado.

Dormitam na Câmara dos Deputados o projeto de Anistia, a CPI do Abuso de Autoridade (STF); votação plenária (já aprovada pelo Senado) extinguindo Decisões Monocráticas de Ministros do STF; PEC que revisa as decisões do STF ao interpretar ou reinterpretar a legislação votada e aprovada em plenário; o voto impresso e auditável, lei que tem o prazo até 02/10/2025 para entrar em vigor (restam apenas cinco meses).

Dezenas de pedidos de impeachment do presidente Lula, dentro os quais a “pedalada fiscal” do programa pé-de-meia; mais de 40 pedidos de impeachment, protocolados no Senado contra os Ministros do STF Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Edson Fachin.

Como nada está tão ruim que não possa piorar, surge o pedido de CPI e/ou CPMI do Rombo do INSS, subscrita por toda população brasileira.

O consórcio midiático (militante) já fez sua escolha. A CPMI do INSS é a manobra perfeita para estancar sua perda de audiência, que despenca “agarrada” aos baixos índices de popularidade do governo Lula. Setores do PT raiz – alguns já assinaram inclusive o pedido – considerando a CPMI oportuna para tirar do foco a crise econômica e a perda da governabilidade. Abre-se um amplo debate, com duração de 180 dias. As tropas “petistas” provavelmente sofrerão pequenas baixas. O escândalo será “terceirizado” e a autoria da roubalheira ficará por conta do PDT, que sucumbirá. Os corruptos que presidem as instituições são desconhecidos do mundo político. Burocratas ladrões, que talvez “dedurem” ou “entreguem” alguns comparsas com mandatos no Legislativo. Mas, a Direita olhando apenas para o para-brisas corre o risco de deixar no retrovisor toda a pauta dos grandes temas, como o voto impresso em 2026, a Anistia dos atos do 08/01/2023, o enfrentamento da Câmara para conter os abusos do STF, pondo-o no seu devido lugar.

Prova inconteste dessa conspiração em curso foi explicitada nas palavras do ministro Fernando Haddad. Escolhido como o candidato das esquerdas – completamente esquecido há 60 dias pela mídia – foi ao seu encontro, e o primeiro a se pronunciar sobre a roubalheira. “Todos têm que ir para a cadeia, e o governo deve devolver urgentemente o dinheiro roubado dos aposentados e pensionistas”. Para o “marqueteiro” de Lula, o ressarcimento dos valores solapados – crimes iniciados 1991 e aloprado em 2017 com o fim do Imposto Sindical – justificará o fracasso de Haddad em não cumprir as metas do “Arcabouço Fiscal”.

Dará um discurso a Lula de “Papai Noel” sensível e justiceiro, pagando pelos erros de outros. A ação reanima os radicais, ora sem argumentos para defender a permanência de Lula e do PT no poder. Única chance de Lula voltar ao Nordeste, contando com a memória curta do povo, distribuindo dinheiro a partir de janeiro (2026).