Correndo de terremoto presidente do TCU abandona hotel em Cali (Colombia) vestido apenas de cuecas
Publicado em 11 de agosto de 2026O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo Filho, que está cumprindo agenda em Cali, na Colômbia, viveu momentos de terror durante o terremoto que atingiu o país ontem (10). Ele iria participar da Assembleia da Olacefs, um encontro que reuniria instituições de controle e organismos internacionais para debater inovação, ação climática, participação cidadã e fiscalização de obras públicas.
Em relato pelas redes sociais o paraibano disse que saiu correndo do hotel onde se hospedara vestido apenas de cuecas.
Em um vídeo publicado, Vital do Rêgo disse estar bem mesmo após o susto. Segundo os últimos balanços de autoridades locais, 169 pessoas morreram no país e, em Cali, mais de 20 prédios e 1.575 moradias desabaram.
“Houve aqui em Cali um terremoto de média a grande proporção, com um susto muito grande, mas graças a Deus estamos todos muito bem, a delegação está inteira, todos saímos apressados, com roupas que estávamos, mas os prédios aqui em Cali já têm estrutura capaz de conter esses abalos”, disse.
Em um segundo vídeo publicado mais adiante, Vital do Rêgo informou que o evento em que participaria acabou, de fato, suspenso por conta dos problemas ocasionados pelo terremoto. Ele completou dizendo que havia a expectativa de novos tremores no local.
“Por enquanto, tudo é muita dúvida, agora mesmo saímos novamente do prédio, porque há uma nova expectativa de réplica do terremoto”, disse em novo vídeo publicado.
O tremor foi registrado na ordem de 7,4 na escala Richter em Cali, cidade próxima ao epicentro do sismo. Vital relatou que estava se preparando para descer ao café da manhã no hotel quando, por volta das sete horas da manhã, sentiu a cama e o lustre começarem a balançar, com o abalo aumentando progressivamente.
Ao perceber a gravidade da situação, Vital deixou o quarto imediatamente e saiu pelo corredor em busca de uma escada externa. “O hotel não indicou com muita clareza a escada, mas eu estava no oitavo andar, então imagina: as pessoas acorriam à escada e o hotel continuava balançando”, relatou.
Ele descreveu a cena como semelhante a um filme-catástrofe, com muito vidro quebrado e concreto danificado. O hotel, no entanto, permaneceu de pé. Os hóspedes aguardaram cerca de uma hora e meia na rua antes de retornar ao edifício.
Pouco depois de voltarem ao hotel, um novo alarme soou, alertando para uma possível segunda onda sísmica. “Saímos de novo do hotel, mas essa segunda onda não foi sentida aqui em Cali”, explicou Vital, acrescentando que o tremor subsequente foi registrado em outros estados colombianos.
Ele também mencionou que seu apartamento sofreu uma rachadura vertical na parede, evidenciando a intensidade do movimento do concreto.
A assembleia da Organização Latino-Americana e do Caribe de entidades fiscalizadoras superiores, que reunia 19 presidentes de órgãos de controle da América Latina e mais de 300 inscritos, foi oficialmente cancelada após uma reunião extraordinária convocada por Vital.
A decisão levou em conta o agravamento dos problemas decorrentes do terremoto.
Com nove aeroportos colombianos fechados, o retorno das delegações ao exterior tornou-se um desafio logístico considerável. Vital informou que o aeroporto de Cali havia recebido autorização para operar por algumas horas e que ele se dirigia ao local com o apoio da embaixada brasileira.
“Só não vou ficar aqui, vou sair daqui, porque isso realmente me abalou muito. Eu nunca, repito, nunca tinha vivido algo tão impactante”, afirmou.
MEDO PELA PRÓPRIA VIDA E REFLEXÕES SOBRE PREVENÇÕES
Questionado se temeu pela vida, Vital foi direto: “Saí sem sandália . Eu temi”. Ele descreveu o momento em que imaginou que vigas poderiam cair sobre sua cabeça, ao ver imagens de escombros nas proximidades do hotel.
Apesar dos danos, Vital destacou que o hotel onde estava hospedado foi construído por engenheiros japoneses e resistiu bem ao tremor.
A experiência levou Vital a refletir sobre a importância de políticas de prevenção a desastres naturais. Ele afirmou ter transmitido ao controlador geral da Colômbia que o governo brasileiro estaria pronto para ajudar material e profissionalmente o país vizinho.
Vital também destacou que, ao contrário do Chile — que possui equipes de prontidão e políticas consolidadas de prevenção e reparação de danos —, a Colômbia não estava preparada para um evento dessa magnitude.
“Hoje, a natureza está cobrando. Ela cobra no terremoto, ela cobra na cheia do Rio Grande do Sul, no El Niño, ela cobra na desertificação do meu Nordeste”, concluiu.
Fonte: Da Redação