Emir Gurjão

Pós graduado em Engenharia Nuclear; ex-professor da Universidade Federal de Campina Grande; Secretário de Ciências, Tecnologia e inovação de Campina Grande; ex-secretário adjunto da Representação do Governo da Paraíba, em Campina Grande; ex-conselheiro de Educação do Estado da Paraíba.

Contraposição ao texto que faz Reflexão sobre a instrumentalização da fé

Publicado em 5 de setembro de 2025

O autor do texto apresentado se vale de uma retórica seletiva e militante, não para analisar o fenômeno da presença religiosa na política, mas para reforçar a ideologia de esquerda que defende. Ele escolhe recortes convenientes, enfatiza apenas o lado que lhe interessa e ignora o histórico da instrumentalização de instituições pelo próprio campo ideológico que representa.

O autor fala como se fosse um observador neutro, mas na prática está militando. Usa referências acadêmicas (como Mark Lilla) para dar verniz de seriedade, mas não para explicar a realidade – e sim para sustentar a narrativa de que a presença religiosa na política é um mal quando serve à direita.
👉 Quando igrejas, padres e pastores apoiaram causas ligadas à esquerda, o autor e seus pares não viam problema; ao contrário, celebravam como engajamento social e libertação do povo. É a velha incoerência de militante: o que vale para os seus é virtude; o que vale para os adversários é vício.

Se o autor tivesse real preocupação com a “instrumentalização da política pelo sagrado”, teria de reconhecer que o seu campo ideológico também instrumentalizou e ainda instrumentaliza:

Sindicatos: usados historicamente como braços políticos de partidos de esquerda, não apenas para defender trabalhadores, mas para sustentar narrativas ideológicas e manter máquinas de poder.

Universidades públicas: em muitos casos transformadas em palanques de doutrinação, mais preocupadas em militância política do que em pesquisa científica de qualidade.

Serviço público: parte dele capturado por corporações e carreiras que, em vez de servir ao Estado, servem a projetos partidários de poder.

ONGs e movimentos sociais: recebem recursos públicos e internacionais e são utilizadas como instrumentos ideológicos, muitas vezes com pouca transparência.

Meio artístico e cultural: setores que utilizam verbas estatais, editais e incentivos fiscais não apenas para fomentar cultura, mas também para reforçar pautas políticas alinhadas à esquerda.

Ou seja: instrumentalização também é método do campo político que o autor defende, mas ele prefere apontar o dedo apenas quando a religião atua em sentido contrário.

Segundo o autor, líderes religiosos que participam da política são um perigo para a democracia. Mas, curiosamente:

Quando setores da Igreja Católica apoiaram movimentos de esquerda no passado (como a Teologia da Libertação), nada era “deus natimorto”, e sim “defesa dos pobres”.

Quando padres em São Paulo ainda hoje transformam o tema das drogas e dos usuários em plataforma de militância de esquerda, isso não é visto como instrumentalização, mas como “ação social”.

Quando ONGs religiosas se alinham ao progressismo, são celebradas como agentes de transformação.

Ou seja, o autor não se opõe à participação religiosa em si, mas apenas quando ela atua fora da sua cartilha ideológica.

No fundo, o que o autor defende é simples:

Se a religião apoia a esquerda → é engajamento, solidariedade, libertação.

Se a religião apoia a direita → é manipulação, obscurantismo, ameaça à democracia.

É a mesma lógica que ele acusa nos outros, mas aplicada seletivamente. Ele pede silêncio aos líderes religiosos quando discordam de sua ideologia, mas vibra quando esses mesmos líderes se alinham ao seu lado

O texto que critica a presença evangélica na política é menos uma análise e mais um panfleto disfarçado de reflexão. Seu autor não tem problema com a instrumentalização da fé, mas sim com a instrumentalização da fé fora da sua bolha ideológica.

No fim, o discurso revela não neutralidade, mas partidarismo mascarado de análise crítica. escrito por Emir candeia Gurjão, as 16:58 horas dodia04 de Setembro de 2025, hoje como durante já algum tempo a temperatura em Campina Grande esta bem geladinha, uma delicia.