Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

Construir uma rodovia, nos anos 70, parecia ser mais rápido

Publicado em 21 de março de 2026

A produção de uma réplica de rodovia continua asfaltada na minha memória afetiva, e constitui a atividade mais lúdica que presenciei em toda minha vida. Inspirada nas obras de construção da BR 230, como parte da Transamazônica, cortando a Paraíba a partir de Cabedelo até a divisa com o Ceará no início dos anos 70, a brincadeira resultou numa estrada à semelhança de uma BR de verdade, feita de terra batida, com curvas, subidas e descidas.

A cópia foi arquitetada e desenhada por um grupo de pré-adolescentes de Malta, nos três meses que lá morei em 71, utilizando equipamentos artesanais, parte deles feitos por eles mesmos — caminhões, caçambas, máquinas semelhantes à frota da construtora. Pareciam formar uma espécie de consórcio mirim.

O vaivém dos meninos construindo o autorama de terra teve como cenário o descampado existente logo após o início da cidade, à margem esquerda da rodovia, sentido Condado. Recentemente estive na região e a configuração do terreno joga areia na nossa memória afetiva; está totalmente habitado.

Sonho delirante do Milagre Brasileiro, a rodovia Transamazônica visava interligar Norte e Nordeste, mas nunca foi concluída; na região amazônica continuam estradas sem uma camada de asfalto. A BR 230 teve a construção iniciada em outubro de 1970 e a inauguração, em agosto de 1972, mesmo inacabada – como continua até hoje na região Norte. Na Paraíba, a entrega festiva aconteceu em Cajazeiras, em 14 de junho.

As obras evoluíram numa rapidez que hoje impressiona e contrastam com as de sua duplicação, a partir de Campina Grande, e triplicação, em Cabedelo. Pela lentidão das obras atuais, dá para a gente desconfiar dessa rapidez ansiada. Lembro, no entanto, endossando as estatísticas do tempo, que a primeira viagem que fiz ao Sertão com meu pai, de carona no caminhão do tio Cleodon, foi em 1968 ou 1969, por Salgadinho e Passagem. Esse, o itinerário para se chegar a Patos, antes da construção da BR 230.

A duplicação do trecho Campina Grande – Farinha foi iniciada em fevereiro de 2018, segue o cronograma das obras e previsão de entrega ainda este ano. A triplicação em Cabedelo teve início em março de 2017, sofreu paralisações e segue em passos de tartaruga. Há promessas de que seja concluída até o ano que vem.

Nos anos de 1970, portanto, a construção da BR 230 de Cabedelo a Cajazeiras durou dois anos; passados 50 anos, as obras de duplicação do trecho Campina Grande/ Farinha já duram oito e sua conclusão, este ano, é classificada apenas como prevista. Antigamente, o ritmo de construção de uma rodovia parecia ser bem mais rápido.