Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

CÍCERO SERÁ A REPETIÇÃO DE VITAL FILHO DE 2014

Publicado em 2 de abril de 2026

Madrugada tensa, a de ontem. O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, encerrou sua longa conversa com o Palácio da Redenção nas primeiras horas de hoje (02/04/2026). Tudo acertado. Permaneceria no cargo, não renunciaria, exigiu e obteve palavra e compromisso do novo governador Lucas Ribeiro de manter convênios e parceria, aliviando o estrangulamento financeiro de sua gestão, principalmente na área da saúde.

Não participaria do palanque governista no primeiro turno. Após a confirmação das urnas, constatando a reeleição de seu sucessor político, Mersinho Lucena, entraria no jogo. Cinco horas depois, convocou uma coletiva com a imprensa, para tomar uma atitude desvairada, rasgando o pacto celebrado na Granja Santana. Manteria sua candidatura, com os fortes apoios (exército de Brancaleone) de Romero Rodrigues e Dr. Jhonny Bezerra (?).

Seria cômico, se não fosse trágico.

Jhonny Bezerra será engolido em Campina Grande pelos irmãos Galdino, Bolinha e outros nomes fortes, que estrategicamente só irão aparecer no dia das convenções.

Romero Rodrigues com certeza não autorizou Cícero falar por ele. Não está nos seus planos perder o apoio e a máquina comandada por Bruno Cunha Lima. Seria um suicídio político. Votar contra Juliana, vice de Efraim, e Lucas Ribeiro, um campinense genuíno? Importar e apoiar um nome da Capital? Encerraria em definitivo sua carreira política.

No ano de 2014 José Maranhão, após sucessivas derrotas impostas pelo Clã Cunha Lima, resolveu enxergar a lógica. Desceu da sua montanha de vaidades e humildemente foi até Maomé. A menor distância entre dois pontos é uma linha reta. Procurou o saudoso Ivandro Cunha Lima, referência da família após a partida do saudoso poeta. A campanha seria decidida em primeiro turno. Entretanto, a vaidade e soberba de Cássio, considerando-se eleito em primeiro turno e desdenhando da humildade de José Maranhão, não aceitou a sugestão de Ivandro. Porém, considerou seu conselho. Não tiraria votos de José Maranhão para o Senado Federal.

Vital filho obteve 110 mil votos dos emedebistas históricos. Esperto, cobrou seu sacrifício. Demandou uma vaga no TCU. As urnas mostravam-lhe que não retornaria ao Senado.

Rancoroso, Maranhão passou o troco a Cássio. Os votos de Vital Filho foram transferidos integralmente para Ricardo Coutinho. Cássio perdeu uma campanha ganha por antecipação. Se o poeta estivesse ainda neste plano, Maranhão teria sido o senador de Cássio.

Com Cícero Lucena, o quadro é diferente. Em João Pessoa, a votação será dividida por três. Os votos de João (Prefeito de bastidores da Capital), os do próprio Cícero, e os de Marcelo Queiroga, Sérgio Queiroz, Nilvan, Cabo Gilberto, Walber Virgolino e o próprio Efraim. Saindo de João Pessoa, cruzando a ponte do Rio Sanhauá, onde estarão os redutos de Cícero? O seu “fico” foi para dar um palanque a Veneziano. Quanto custou esta derrota? Apenas com Cícero, Veneziano acha que vencerá? Em Campina Grande, quem está juntando seus votos? A cada eleição, se encolhem. Abandonou amigos, correligionários e perdeu a paixão do “campinismo” radical.

Perguntar não ofende. Qual a manobra de Cícero, de só passar o cargo para Léo dia 06/04/2026? Não existe vacância. Na hora que renunciar, automaticamente Léo convocará a Câmara Municipal e assumirá.