
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
CHAPAS INCOMPLETAS
Publicado em 28 de julho de 2026Restam apenas sete dias para se encerrar o prazo facultado pela Justiça eleitoral, período destinado aos partidos para realizarem suas convenções e apresentarem atas de suas chapas que serão registradas no TRE-PB a partir de 05/05/2026. Os principais candidatos que encabeçam as disputas para o Governo do Estado e Senado Federal ainda não encontraram nomes para vice e suplentes. Só Cicero Lucena (MDB) tem um vice, Diogo Cunha Lima, indicado pelo seu pai, Cássio Cunha Lima, sem o endosso do prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, que já decidiu apoiar Efraim Morais (PL). Quem será o vice de Efraim Morais e de Lucas Ribeiro? O segundo suplente de Marcelo Queiroga, os dois (primeiro e segundo suplente) de Veneziano Vital do Rêgo, e os de Nabor Wanderley? No intramuros das legendas não se pode conjecturar se o problema é escassez ou excesso de nomes, ora sendo “filtrados”, levando-se em consideração seus capitais políticos e econômicos. A campanha de outubro próximo será a mais cara de toda a história da Paraíba.
A polarização “direita x esquerdas”, em nível nacional, está consolidada. Mas, Flávio, Caiado, Zema e Renan ainda estão sem vice. O PT repetirá a mesma dobradinha com o PSB. Causa estranheza 1/3 do eleitorado ainda não ter decidido se engajar na disputa. Segundo pesquisas dos mais diversos institutos o índice de indecisos, nulos e brancos ainda está num patamar muito alto. E quanto a abstenção – infelizmente nunca detectada previamente nas amostragens – se alcançar os índices de 2022 no primeiro turno (20,95%), este ano ultrapassará 30 milhões de eleitores. Estão aptos a votarem no dia 04/10/2026 um contingente de 158.745.463 eleitores.
A estratégia dos candidatos presidenciais será apostar no momento em eventos que possam surgir e serem explorados nos próximos 66 dias. Escândalos poderão levar o pleito para uma decisão em primeiro turno. A coordenação da campanha do presidente Lula tem sinalizado que ele só participará dos debates no segundo turno. Tentarão repetir 2006, quando o líder petista, em circunstâncias semelhantes às atuais, chegou ao segundo turno e enfrentou o seu rival – atual vice – Geraldo Alckmin, em apenas dois debates. Porém, o eleitorado da época era 125.913.479, e a abstenção alcançou 18,9% correspondente a 23.797.479 de brasileiros que não compareceram às urnas. Lula evitou ser alvejado com argumentos e denúncias nos debates do primeiro turno, temendo pontarias certeiras como a de Heloísa Helena, Cristovam Buarque, Rui Costa Pimenta, Ana Maria Rangel e Luciano Bivar. Com exceção de Bivar, os demais eram todos da esquerda, ex-petistas, e seus correligionários de 2002. O Mensalão ainda era brasas sob cinzas.
Se a estratégia petista é evitar os debates, a tática é provocar rupturas na direita e num eventual segundo turno receber apoio direto ou indireto dos eleitores de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan dos Santos. Aproximar-se do “centrão” e negociar com deputados e senadores que renovarem seus mandatos em 04/10/2026. Entretanto, quem não é visto, não é lembrado. Em 2006 não existiam as redes sociais, o PT era o maior partido na Câmara dos Deputados, seguido pelo MDB, que tinha a maior bancada no Senado, em segundo lugar o PT. Ambos estavam juntos, contra o PSDB, que se coligou com o PFL, tendo José Jorge como vice de Geraldo Alckmin. Todavia, o risco no momento são os novos eleitores e os evangélicos. O PT tem minoria na juventude.
Nas disputas estaduais as chapas proporcionais estão sendo costuradas com retalhos das mais diversas cores. Na Paraíba, Lula gravou vídeo priorizando a reeleição do Senador Veneziano Vital do Rêgo. Esqueceu Nabor Wanderley e João Azevedo. Não pediu o voto para Lucas Ribeiro, nem declarou apoio a Cícero Lucena. Republicanos, PP e União Brasil foram liberados por seus caciques e seguirão o rumo mais conveniente para renovarem seus mandatos. “Não importa a cor do gato, se ele come o rato”. Como Lula conseguirá unir – num único palanque – Ricardo Coutinho, João Azevedo, Veneziano Vital do Rêgo, Cícero Lucena, Lucas Ribeiro e Nabor Wanderley?
E o eleitor comum do PT, alinhado com a disputa nacional, como reagirá diante de um quadro nebuloso e repleto de incoerências? Quem são os candidatos ungidos por Lula? O PL está unido e coeso, votando em Flávio. Pelo visto, a regra será “cada um por si, e Deus por todos”. Ou, “em tempos de pouca farinha, primeiro o meu pirão”. Vencerão os mais espertos, não os melhores.

