
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
CÁSSIO E CÍCERO: O RISCO DO CANTO DO CISNE*
Publicado em 23 de fevereiro de 2026A derrota de Cássio Cunha Lima no distante 2014 – perdendo para Ricardo Coutinho (reeleito) – sinalizou que um dos dois teria que mudar de postura, para continuar como principal liderança do Estado. A partida do poeta Ronaldo Cunha Lima (07/07/2012) provocou uma orfandade insuperável no seu herdeiro político predileto.
Na ausência do seu principal confidente e conselheiro, Cássio passou a cometer erros crassos, perdendo campanhas vencidas por antecipação. O poeta era flexível, exímio argumentador e capaz de gestos surpreendentes – mesmo contraditórios – como abdicar de sua reeleição para o Senado Federal (2002), abraçar Wilson Braga após tê-lo humilhado com soberba em seu discurso de posse (governador 1991). “Na Paraíba, Braga nunca mais”. Sem constrangimentos e mesmo com limitações físicas – numa cadeira de rodas – rachou o governo Maranhão, seduzindo até Efraim Morais, um dos maiores adversários do Clã com assento permanente na mesa de jantar da Granja Santana.
Conquistou Júlio Rafael – amigo de Zé Dirceu que o ajudou a criar o campo majoritário do PT – e o convenceu a usar seu punho de ferro para manter a candidatura de Avenzoar Arruda, que arrancou das urnas mais de 200 mil votos, levando o pleito para o segundo turno. Se o poeta estivesse ainda neste plano, em 2014 Vital Filho não teria sido o candidato a governador pelo MDB. A montanha foi a Maomé. Maranhão procurou Ivandro e pediu para ser o candidato ao Senado de Cássio Cunha Lima, coligando MDB/PSDB. O inimigo é o último, já havia sido derrotado por Cássio (2006). Mas, por Ricardo Coutinho? Este ele não perdoava. Esqueceria até o episódio do Campestre. Ivandro viu a campanha decidida. Mas, Cássio não concordou. Trouxe Wilson Santiago – na época ainda íntimo de Maranhão – para derrotá-lo. Se o poeta não tivesse partido, Maranhão teria sido o senador de Cássio e venceriam no primeiro turno.
Ronaldo Filho partiu na frente e apoiou Cícero Lucena. Em seguida veio Pedro, que contou com Efraim em seu palanque (2022). Dona Glória e seu abraço em Cícero em Campina Grande. Para selar o acordo, chegou a vez de Cássio, se dirigindo a Cícero chamando-o de “meu governador”. Onde ficará Bruno Cunha Lima? Irá também? Ou o Clã se dividirá para governar? O inimigo direto é João Azevedo e Lucas Ribeiro. Bruno deve gentilezas a Veneziano, Cícero Lucena também. Veneziano quer exterminar os dois (Lucas e João). A grande incoerência está em Pedro. Se Cícero não tivesse apoiado João em 2022 Pedro teria sido eleito governador do Estado. Qual será a reação do eleitor?
Seja qual for o resultado das urnas, um ou dois grupos políticos da Paraíba serão defenestrados da vida pública. Se Cícero vencer caem João Azevedo e Lucas. Daniella já está fora e Nabor Wanderley não decolou. É provável até que desista para não ficar sem mandato e entregar a Prefeitura de Patos ao vice, que será candidato à reeleição. Do Clã Ribeiro, restará só Aguinaldo. O mesmo acontecerá com Cícero Lucena. Perderá a Prefeitura, seu vice também irá para a reeleição e se Efraim estiver no Palácio da Redenção Cícero não terá bases nem suporte para enfrentá-lo (2030). Lucas vencendo ficará com o prefeito de João Pessoa e partirá para tomar Campina Grande. A última campanha que os Ribeiros venceram na Rainha da Borborema foi em 1976, com Enivaldo Ribeiro. São cinquenta anos de derrotas consecutivas. Vitória de Efraim ou Lucas será o canto do Cisne do Clã Cunha Lima e Cícero Lucena.
*O Canto do Cisne – metáfora inspirada na Mitologia Grega, como um último empenho grandioso na vida de um artista ou político. O Cisne Branco solta seu mais belo canto apenas uma vez, antes de morrer. (Aposentar-se ou deixar a política) segundo a lenda.
