
Valberto José
Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.
Casal restaura paixão adolescente 44 anos depois
Publicado em 12 de junho de 2026Meu primeiro contato com Wilson Barbosa foi no Curso de Comunicação Social da extinta URNE, e começamos a nos aproximar quando cheguei à Gazeta do Sertão para escrever a coluna esportiva, em 1985; Socorro, sua mulher, por uma dessas displicências da vida, ainda não conheci. Wilson e Socorro se conheceram na adolescência e a história de amor entre eles foi tecida pela narrativa da extraordinariedade e, de tão irreal, inimaginável.
Bastou a família Barbosa fixar morada na Praça do Trabalho para que, agora vizinhos, começassem a escrever o romance, já justificando o nome do logradouro, e impedidos, pela situação criada, de usufruí-lo como Praça dos Namorados, feito os outros jovens. Foi muito trabalho para manter o segredo. Explica-se: durante um ano, sob o medo da rigidez paterna e da irmandade caseira, namoravam às escondidas. Com o apoio inocente da vizinha Neném. Até o irmão de Socorro dar o flagra. Os dois, na inocência de seus anos: ele 15, ela 13.

Em casa, a relação não precisou de acordo nem de prêmio, pois foi espontânea. Passaram a namorar sob a vigilância cerrada do pai, Inácio, e da mãe, Antônia, por mais dois anos, até que o clima começou a esfriar, chegando a terminar sem que ela soubesse o motivo. Mas, vez por outra, Wilson juntava amigas dela e saíam a passear pela cidade na histórica Kombi do Cave Pizza, pertencente ao irmão.
Todavia, com o tempo, cada um seguiu seu rumo. Ele se casou e foi morar em Roraima; retornou a Campina Grande por poucos meses, passou pelo Maranhão e, em seguida, voltou para Boa Vista. Ela permaneceu na cidade, trabalhando, cuidando dos familiares e alimentando esse amor, sem conseguir se envolver com mais ninguém.
O reencontro que iniciou o processo de renovação aconteceu 44 anos depois. Wilson chegara de Roraima para se despedir do pai, seu Barbosa, em Agosto de 2020. Socorro foi solidarizar-se com os familiares no velório. Eles conversaram e, então, após o retorno dele ao Norte, começaram a se comunicar. O primeiro contato foi via telefone, para agradecer a solidariedade dela, e o diálogo continuou pelas redes sociais.
Até que um dia ele cismou e garantiu que viria “conversar melhor com ela”. Veio, a conversa foi positiva e o namoro recomeçou. Casaram-se em janeiro de 2024 com o agravante da viagem de lua de mel ter que ser adiada. Uma mensagem da Assembleia Legislativa de Roraima, onde era lotado, exigia retorno imediato ao trabalho. Quatro meses depois, já aposentado, voltou em definitivo a Campina Grande. Desde então, vivem “juntos e felizes, com a graça de Deus”, confirma ela.
