
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
CAMPANHA DE JOÃO AZEVEDO E ELEIÇÃO DO SEU SUCESSOR DEPENDEM DO REPUBLICANOS
Publicado em 15 de setembro de 2025O tempo está ficando escasso para o governador João Azevedo definir o protótipo do seu projeto político, alinhavando previamente algumas alianças a serem “costuradas” – em tese – no início de abril (2026), data limite para desapear do poder, na hipótese de se confirmar sua postulação a uma das vagas para o Senado da República.
Uma decisão que teria sido simples – após sua reeleição – hoje já se mostra complicada, com possibilidades de ampliar a diáspora do grupo, alcançando peças chaves que garantem a governabilidade. O presidente da ALPB, deputado Adriano Galdino, desde 2023 vem construindo sua candidatura, deixando a porta aberta e pacientemente esperando receber o governador, para juntos formarem a chapa majoritária do Palácio da Redenção. Galdino tem mostrado ao longo dos últimos três anos, além de fidelidade, altruísmo. Se agisse egoisticamente, já teria aceito o convite da oposição como candidato ao Senado Federal, com vitória praticamente assegurada. Com exceção dos *pleitos atípicos (1986 e 1994), uma única legenda não conseguiu mais repetir o feito histórico de “emplacar” um governador, e dois senadores. A oposição tem amplas possibilidades de conquistar uma das duas vagas para o Senado.
O deputado federal Wilson Santiago não esconde o desapontamento com a atitude do prefeito Cícero Lucena, que impôs sua candidatura sem esperar pelas bênçãos do Palácio da Redenção. Segundo Santiago, o governador João Azevedo investiu mais de 200 milhões de reais em obras na Capital. Despido de gratidão, o “Romeiro de Compostela” não hesitará em colher de forma “oportunista” e eleitoreira os frutos do pomar plantado por João Azevedo. Lucena está seduzindo Veneziano Vital do Rêgo, e buscando um recomeço com o Clã Cunha Lima, tentando atrair Pedro como seu vice.
Por outro lado, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, só irá priorizar a eleição de seu pai, Nabor Wanderley, para o Senado Federal. Em sua leitura pragmática, esta é a única chance de livrar-se dos problemas jurídicos que atormentam a família, com madrugadas insones e noites mal dormidas. Quem chega ao Senado, é respeitado e cortejado pelas Cortes de Justiça. Em oito anos, limpará tudo. Hugo e Nabor anseiam por esta alforria. Goza da confiança de Lula e Gleisy Hoffmann. Nabor será um “senador de Lula”. Marcos Pereira, presidente do Republicanos, por mais que tente, não conseguirá botar “cabresto” em Hugo Motta.
Em meio a todo esse quadro desagregador, o governador João Azevedo esquece a existência de uma candidatura da direita. Para Efraim Morais, a tarefa é apenas mostrar habilidade de recompor o quadro de 2022. Todos estão prontos para o embate. Marcelo Queiroga, Bruno Cunha Lima; Nilvan Ferreira; Cabo Gilberto; Pastor Sérgio Queiroz… Se João Azevedo não conseguir unir o Republicanos, terá que ficar no governo. Para o Senado, Nabor dissecará os votos de Veneziano, que disputará com João e o candidato da direita. João e Vené correm o risco de sobrarem na curva. Hugo Motta elevou o “sarrafo” das emendas numa altura que dificilmente Veneziano alcançará.
Os pleitos que terão prioridade, com liberação de recursos até o dia 03/07/2025, serão os de Hugo Motta. Os demais, correrão o risco de ficarem contingenciados, e serem pagos após a campanha”. Lula sabe que “é dando que se recebe”. Os Motta agradecem.
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*Pleitos atípicos 1986/1994. Em 1986 o Plano Cruzado levou o eleitor a votar na chapa fechada: Burity, Humberto e Lira, que comprou a segunda opção de Wilson Braga derrotando-o. Em 1994, escândalo dos carros roubados venceu Lúcia Braga e toda sua chapa.
