Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

CAMPANHA DE EFRAIM MORAIS CONGELA NO FREEZER DE BRUNO CUNHA LIMA

Publicado em 24 de janeiro de 2026

Em todos os Estados do Brasil – exceto a Paraíba – os pré-candidatos a governador da direita já estão com suas campanhas nas ruas, percorrendo municípios, ocupando espaços na mídia, mobilizando o eleitor para se empenhar na causa. O pré-candidato ao senado Marcelo Queiroga (PL) tem surpreendido. Está percorrendo todos os 223 municípios do Estado, unindo o grande exército da direita, composto pelas “Divisões” de Cristãos, conservadores, Patriotas, Evangélicos e Bolsonaristas. Este é o “dever de casa” de quem está empenhado em vencer. Quem não é visto, não é lembrado. O povão gosta do aperto de mão do candidato, do abraço, e agora do Selfie.

Efraim Morais aguarda uma decisão do prefeito de Campina Grande Bruno Cunha Lima, na esperança que o apoio turbine sua postulação. Um erro de cálculo que pode ser fatal. Cássio, Pedro, Ronaldo Filho, já deixaram transparecer suas opções futuras por Cícero Lucena. Não estão dispostos a criar outra força política ou terceira via, repetindo erros históricos de todas as oligarquias políticas do Nordeste. O tropeço de Ricardo Coutinho, com João Azevedo, é o exemplo mais recente.

Nas eleições de 2010, a maioria do Clã Cunha Lima não estava disposta a apoiar Ricardo Coutinho. Política não se faz com o fígado. Cássio queria derrotar Maranhão a qualquer custo. Indaguei do saudoso jornalista Josué Silvestre, conselheiro de Ivandro Cunha Lima, o motivo da resistência de Cássio em apoiar Ricardo Coutinho. Recebi uma aula de pragmatismo político. “Cássio conseguirá eleger Ricardo. Em 2014, tentará voltar ao governo. Ricardo abdicou de sua reeleição, para apoiar Cássio?” Veja o que ocorreu no seu Estado (RN). Os Alves criaram uma terceira força, Geraldo Melo. Os Maia, Wilma de Faria, com o tempo – o que de fato aconteceu – Alves e Maia serão defenestrados da vida pública.

Segundo opinião sensata de Josué Silvestre, para permanecer na política é necessário aceitar a alternância do poder. Apenas dois grupos se revezando. Concluindo seu raciocínio, para nossa surpresa, Silvestre nos confidenciou a sugestão que fez a Ivandro. “Deixem Maranhão vencer, Cássio se eleger e eliminem Ricardo Coutinho – liderança emergente – que sem a PMJP e derrotado, teria dificuldades em 2014 para ocupar uma vaga de deputado federal.

O prefeito Bruno Cunha Lima vive o pior momento de sua carreira política, que pelo visto se encerrará no final de seu mandato em 2028. Aonde vai o tísico, vai a tosse. Com sua gestão mal avaliada, impopularidade crescente, Bruno não tem condições, nem coragem de sair às ruas de Campina Grande pedindo votos para Efraim. É provável que Efraim venha até perder votos, ao caminhar pela cidade ao lado de Bruno. Salários atrasados, crise crônica na saúde, despejos de imóveis onde funcionam Secretarias, por falta de pagamentos dos aluguéis, ausência na mídia e uma assessoria de péssimo nível que não interage com a população, explicando e justificando os motivos da crise.

Bruno deverá votar em Efraim. Mas, o campeão de votos do Clã é Pedro Cunha Lima. Romero Rodrigues – prefeito em férias – vai se abster de abraçar o projeto de Efraim. Nilvan Ferreira escolheu Artur Bolinha como vice. Foi o segundo lugar em Campina Grande, deixando na poeira João Azevedo e Veneziano Vital do Rêgo (pleito de 2022). Pegar carona apenas na onda nacional não levará Efraim ao segundo turno. Em João Pessoa, ele será puxado por Marcelo Queiroga. E em Campina Grande? Convoque Bolinha ou Sargento Neto, o campeão de votos de Campina Grande para ALPB em 2022. Não subestime os obstinados. Ricardo Coutinho em 2004 derrotou Cássio (governador) e Cícero Lucena (prefeito) no primeiro turno em João Pessoa. Nem Bruno e Juliana (sua esposa) darão uma vitória em Campina Grande a Efraim.