Júnior Gurgel

Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.

BANCOS TENTAM IMPEDIR INSTALAÇÃO DA CPMI DO INSS

Publicado em 28 de maio de 2025

Sem forças para impedir a instalação da CPMI do INSS, o governo recebe de última hora apoio da rede bancária – forte aliado que já começou a trabalha no “atacado” – pagando pedágios elevadíssimos, tentando evitar a qualquer custo um provável aprofundamento nas investigações, esbarrando nos descontos dos empréstimos consignados de pensionistas e aposentados. Uma roubalheira bilionária, que usa métodos semelhantes aos Sindicatos e Associações, porém desviando valores bem maiores e mais gordos, chegando a comprometer em até 50% a renda de suas vítimas, infringindo a Lei que regulamenta estas operações.

Empréstimo consignado, só tem porta da entrada. Uma vez dentro, o devedor não consegue mais sair. A maioria das renovações destes contratos são feitas de forma automáticas, após 12 parcelas pagas, e por ocasião do reajuste do salário mínimo. Como são dezenas de milhares de correspondentes bancários, alguns (estabelecidos) ainda consultam o cliente. A maioria que trabalha em “Home Office” usa mensagem de SMS, comunicando valores já depositados na conta.

Poucos procuram o Banco para reclamar. Os que ainda tentam, através do telefone (0800) não conseguem falar com ninguém. Como o dinheiro é sempre bem-vindo – a qualquer hora – o devedor resignado e contumaz, recebe como uma benção.

Uma investigação séria, constatará que no mínimo 70% dos milhões de contratos de empréstimos consignados não foram assinados pelo devedor. O golpe do Cartão Consignado é o mais novo mecanismo usado para assaltar o pobre e desinformado aposentado. Uma alternativa oferecida aos endividados, que já comprometeram 35% ou 40% de seu benefício. O “milagre” é o Cartão de Crédito Consignado.

Aposentados e pensionistas, que percebem dois salários mínimos, por exemplo, os Bancos oferecem um Cartão de Crédito Consignado no valor de 4 mil reais. O cliente saca todo o limite. O desconto mensal não amortiza o débito. Enquanto estiver vivo, a vítima terá um cartão com limite estourado no Banco. Uma roubalheira generalizada, com operações casadas, empurrando todo tipo de seguros. Imaginem tudo isto vindo à tona numa CPMI, e o povo tomando conhecimento que está sendo roubado? Um gigante exército de advogados partirá para cima dos Bancos e quebrarão todos. Devolução de valores corrigidos, crime de estelionato, falsificação ideológica, indenizações por danos morais e materiais… Serão dezenas de milhões de ações, envolvendo trilhões de reais. Os banqueiros entraram em pânico.

Desde a redemocratização, com o estouro da hiperinflação, o Congresso se interessou em investigar os Bancos, através de uma CPI ou CPMI. A primeira tentativa foi sobre a dívida externa. Instalada e imediatamente abortada. Surgiram outras iniciativas, como a primeira do BANESTADO – Banco do Estado do Paraná, sepultada por Sarney, na época presidente do Senado, pela retirada de assinaturas. Mas, em 2003, o BANESTADO caiu na CPI da “Evasão de Divisas”.

Identificaram a lavagem de dinheiro – através de transferências de contas CC5 – no valor de 30 bilhões de dólares, enviados para paraísos fiscais. Metade da República estava envolvida na sonegação, a partir do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco (governo FHC). Paralisaram as investigações às pressas, quando quiseram estender a todos os Bandos.

Na “Operação Lava-Jato”, a Força Tarefa do MPF tinha deixado os Bancos para a fase final. Temos certeza que ao invés de “Lava-Jato”, seria “Juízo Final” ou “Apocalipse”. Henrique Meirelles era o alvo principal. Dez anos comandando o Banco Central, nos governos Lula I e II. Prenderam um gerente do BB de uma agência em São Paulo. O que ele falou, ninguém soube. Liberaram em 48 horas. Em seguida foi a vez de Joesley Batista. Meirelles “amarelou”. Era final do governo Temer, o presidente da câmara Rodrigo Maia, que havia ocupado a vice-presidência da CPI do BANESTADO (2003). A pedido de Temer, por imposição de Meirelles, Maia convocou uma sessão no dia 19/12/2018, último dia antes do recesso, e 403 deputados marcaram presença para votarem o “acordo de leniência dos Bancos”. O fato passou despercebido. Bolsonaro havia sido eleito, o Brasil em festa vibrava com a virada de página da corrupção.

Ninguém soube o teor e detalhes desse acordo de leniência. A grande mídia “entupida” de publicidade dos Bancos, silenciou. Banqueiros são gananciosos e vingativos. O PIX os uniu, para derrotar Bolsonaro em 2022.