
Júnior Gurgel
Jornalista político, memorialista e Ghost writer. Ex- diretor de Jornais e Emissoras de Rádio na Paraíba, com atuações no Radiojornalismo.
BANCO MASTER: QUEDA DA REPÚBLICA
Publicado em 22 de junho de 2026Após o enfrentamento do moderado e destemido ministro André Mendonça, arrostando, encurralando e desmoralizando (merecidamente) o arrogante prepotente Gilmar Mendes – temido por todos da Corte – criou-se a expectativa sobre sua integridade física. Ele mesmo confessou que não teme a morte. Porém, não sabe se viverá tempo suficiente para levar a julgamento a gangue do colarinho branco, desbaratando um “quadrilhão” que por décadas rouba o país. Organização mafiosa estruturada, que comete todo tipo de delito, sob o olhar impotente e complacente do povão.
Por que Gilmar não esbravejou, gritou ou tentou intimidar André Mendonça, como já tinha feito antes com o PGR Rodrigo Janot (Lava-jato); Joaquim Barbosa (Mensalão) e o pior de todos, Luís Roberto Barroso? A resposta é simples. Mendonça não tem rabo preso, nem se “enturmou” na gatunagem institucionalizada, no Poder Judiciário, sobrevivente a todos os governos de plantão.
Os números fornecidos pelo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão autônomo da Receita Federal criado para combater os crimes financeiros, como lavagem de dinheiro; ocultação de bens; financiamento ao terrorismo; montanha de dinheiro oriunda do narcotráfico, identificaram movimentações atípicas do Master nos últimos três anos, de 18 bilhões de reais em transferências para 1.189 pessoas, devidamente identificadas pelo CPF ou CNPJ. Nas operações “cruzadas” – métodos sofisticados onde se insere a “evasão de divisas” com depósitos em paraísos fiscais – estimativas preliminares indicam valores que triplicam a Lava-Jato. Mais de 100 bilhões de reais, entesourados pela “Confraria” que envolve os três poderes, Receita Federal e PF.
A pergunta que não calava era: quem é Daniel Vorcaro? Como ele conseguiu em apenas seis anos corromper toda a República, distribuindo dinheiro para o Poder Executivo, Legislativo e Judiciário? A conclusão era óbvia. Foi “escolhido” pela “Confraria”, sobrevivente do “Mensalão”, CPI dos Bingos; Correios; Gautama (Renan Calheiros); Carlinhos Cachoeira; CPMI da Lava-Jato; inúmeros outros escândalos de corrupção, comumente arquivados – esquecido pelo povo – graças ao silêncio da grande mídia, comprometida e comprada por cifras milionárias.
Daniel Vorcaro é um simples “boi de piranhas”, escolhido a dedo pelo “sistema” para operar em seu favor. Um narcisista vaidoso, que dedicava seu tempo às “farras” milionárias, dando vazão a sua compulsão consumista/sexual. Viveu seus melhores dias. Tinha nos seus telefones contatos dos “cabeças” da classe politica; Poder Judiciário e Palácio do Planalto. Um simples estafeta, cumpridor de tarefas, a serviço da bandidagem dos intocáveis. Aventureiro útil, desconhecedor do Mercado Financeiro, sem a menor capacidade de abordar, atrair e conseguir engavetar bilhões. Nunca procurou ninguém. Pelo contrário, foi alvo de assédio pela Praça dos Três Poderes, conseguindo até ser palestrante nos encontros da LIDE (New York) para uma plateia de ministros da área econômica do governo, STF, presidentes da Câmara dos Deputados; Senado Federal, empresários e investidores. Volumes bilionários engordaram “milagrosamente” os cofres do seu Banco. Dividia o bolo com seus sócios ocultos, saciando a ganância do “Sistema” bandoleiro.
A delação de Vorcaro depende do “time” do ministro André Mendonça. Só ocorrerá após as eleições. Vai faltar espaços nos presídios para enjaular os grandes ladrões (colarinho branco) do país, que posam de heróis, mas não passam de picaretas, marginais reincidentes. O ex-presidente João Batista Figueiredo – pai da anistia ampla, geral e irrestrita – em sua última entrevista como mandatário da Nação, deixou um alerta: “as hipócritas elites econômicas do país nunca o procuraram para discutir o futuro do Brasil”. Todos vinham com propostas indecorosas. Torná-los mais ricos. O presidente sempre perguntava: e o Brasil, o povo? A resposta era: o Brasil e sua gente se contentavam com uma casa própria, perdão de dívidas, Funrural e Universidades gratuitas.
Vorcaro não procurou padrinhos. Ele foi “encontrado” pelo PT da Bahia. Uma descoberta de Augusto Lima (preso); Jaques Wagner; Rui Costa, e galgando posições chegou a David Alcolumbre; Governadores; Dias Toffoli, Xandão, Gilmar Mendes, Guido Mantega; Ricardo Lewandowski; Michel Temer; Henrique Meirelles e outras “Eminências Pardas”, ainda não delatadas. Convenceram-no a praticar transgressões, sob a garantia de que nada aconteceria. Estaria protegido pelo Escudo do “Estado Democrático do Direito”. Olhando no retrovisor da história, sempre existiu um “Vorcaro”. PC Farias, Marcos Valério, Alberto Youssef; Paulo Roberto Costa; Renato Duque; Antônio Palocci; Sérgio Machado – um Bando do PMDB em Londres dirigido por seus dois filhos – com ativos de 1,0 bilhão de dólares.
A de Jaques Wagner é “batom na cueca”. Se Lula o abandonar, seu destino é uma derrota para o Senado, e cadeia no final da vida. Não tentem largar sua mão. Ele puxará todos com mega-delação premiada. Sua prisão, ao longo das investigações, é indiscutivelmente previsível. No radar do ministro André Mendonça, está a decisão monocrática, determinando o afastamento do presidente da Câmara e do Senado. Existe precedente para amparar sua decisão: ministro Edson Fachin afastou Eduardo Cunha, despejou-o da residencia oficial do presidente da Câmara, proibiu sua presença em plenário e acesso ao seu gabinete. Pressionou a CCJ para levar a plenário a cassação de seu mandato, em seguida entregou-o e pediu ao Juiz Sérgio Moro sua prisão.
