Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

Anúncios inesquecíveis do rádio campinense dos anos 60/70

Publicado em 11 de outubro de 2025

Publicidade, propaganda, mensagem publicitária, comercial, anúncio, difusão… Há quem chame de marketing. Não importa o nome, nem o significado. Para o povão tudo é propaganda. E uma propaganda bem feita, bem trabalhada e criativa, vende o produto, a ideia, marca uma época e fica gravada no HD afetivo das pessoas. Quem não se lembra do primeiro sutiã, aquele que a gente nunca esquece? 

Na minha memória afetiva ocorre com frequência publicidades do rádio da minha infância feliz passada na Campina Grande dos anos 60, quando um aparelho de TV era troço de rico. Recordo, exemplificando, que o trecho da Avenida Almirante Barroso entre o hoje Colégio Panorama e a Avenida Dinamérica tinha apenas quatro casas com televisão na Copa do Mundo de 70.  

Posso não lembrar uma palavra e trocar por outra, mas não há como esquecer o anúncio daquela padaria, próxima ao Colégio Alfredo Dantas, de quando, no horário que do seu forno estava saindo os pães quentinhos, prontos para o consumo, as ondas da Rádio Borborema vibravam. “16 horas em Campina Grande. Neste momento está saindo mais uma fornada da Panificadora das Neves”, ouvia-se.

O slogan de duas das principais lojas de tecidos da Rua Maciel Pinheiro é inesquecível. Aquela da esquina com a Semeão Leal terminava sua publicidade, dando poderes ao cliente. “Casas José Araujo/Onde quem manda é o freguês”. A concorrente parecia justificar a sua denominação. “Casa Sem Nome/O nome de sua casa de tecido”. 

Imagino que todo paraibano daqueles anos, ainda vivo, lembra dos anúncios e do slogan do banco que levava a cidade no nome e tinha Pelé como garoto-propaganda. “Banco Industrial de Campina Grande/Onde você é mais importante do que qualquer importância”.

Os jingles (anúncios musicados) foram os que mais ficaram marcados no meu HD afetivo. No início dos anos 70, lembro, foi lançada uma marca de aguardente na cidade e Luiz Gonzaga cantou em segundos a publicidade radiofônica. “Olá, Campina Grande, tô chegando aí/ tô doido pra tomar uma, mas só quero Paturi”.  

Jackson do pandeiro, o Rei do Ritmo, parodiou um dos seus sucessos – Moxotó – num longo jingle de bebida. “Olha aqui, você precisa tomar uma Caranguejo/ Você precisa sentir o seu paladar/ Você precisa beber diariamente/A famosa aguardente no almoço e no jantar/ Se você anda com falta de apetite/Pra que se preocupar/ tome Caranguejo/ É saborosa, é deliciosa que não tem igual/ É Caranguejo o aperitivo de sabor nacional/ Pois essa é que é legal. 

Mas foi Elino Julião (foto), cantor de voz agradável, quem mais gravou jingles para o rádio campinense. Tenho na memória o que ele gravou da concessionária Mercedes-Benz na cidade, que ficava nas Boninas, esquina com a Cagepa, após o lançamento do caminhão 1113, em 70. “Compre o 1113 na Codesa/ Compre o 1113 na Codesa/A Codesa, minha gente, é em Campina/ Tem peças e oficina/ Tem ônibus e caminhões/Na Codesa, você compra o 1113/ Paga em 24 meses não tem preocupação”. 

Outro jingle de Elino que memorizei propagava uma marca de fogos. “Adrianino sempre dá satisfação/ Porque são fogos de beleza e tradição/ Não dão chabu, solta bem velho e menino/ O prazer de toda festa é ter sempre adrianino”. 

Elino Julião também colocou voz nos anúncios da hoje Cachaça Caranguejo e das Sandálias Dupé, cuja fábrica ficava no Distrito Industrial de Campina Grande, aquirida pela Alpargatas em 1985. “Dupé, Dupé/ É a sandália da gente/ A sandália Dupé”, enquanto uma voz de locutor fechava o anúncio com “Dupé, as sandálias que calçam o Brasil”.

“Caranguejo, Caranguejo/Cana do canavial/Caranguejo, Caranguejo/Pra brincar o carnaval”, foi outro jingle da marca feito para o período momesco, não lembro por quem interpretado. 

Alíás, Dupé e Caranguejo eram considerados os grandes patrocinadores das transmissões e resenhas esportivas daquela época. “Em nome dos maiores patrocinadores do rádio esportivo paraibano”, reconhecia o texto lido ou improvisado no início e no encerramento dos programas e transmissões.