Valberto José

Jornalista, habilitado pelo curso de Comunicação Social da Universidade Regional do Nordeste (URNE), hoje UEPB. Colunista esportivo da Gazeta do Sertão e d’A Palavra, passou pelo Diário da Borborema e Jornal da Paraíba; foi comerciante do setor de carnes, fazendo uma pausa de 18 anos no jornalismo.

Amanhã é o dia dela

Publicado em 13 de setembro de 2025

Referências de honradez à música raiz do Nordeste, Santana “O Cantador” e Flávio Leandro são também arquétipos da sobriedade humana. Um, seguindo o conselho do Rei do Baião, abandonando a boemia e abraçando o forró e suas variações; o outro, deixando a ebriedade hereditária em busca de sua afirmação como cantor e compositor dos ritmos consagrados por Luiz Gonzaga.

Bancário estabilizado, mas vocacionado para a música, especialmente a nordestina, Santana “O Cantador” encontrou em Gonzaga, de quem se tornou amigo, o incentivador de que precisava para entrar no meio e abandonar o vício. “Eu era farrista”, confirma o cantor ao Podcast Nordestino.

Campina Grande, que serviu de berço musical a tantos forrozeiros, foi também cenário da decisão de Santana de optar pela vida artística. “Queria jogar você na música. Você é boêmio. Se você entrar na música, não dou dois anos, você se apaga”, disse-lhe Gonzaga em conversa num hotel local. “Quando decidi ser artista, parei logo de beber”, enfatizou o cearense.

Flávio Leandro, que se tornou conhecido depois que Flavio José gravou a composição de sua autoria “De mala e cuia”, lamenta, também no Podcast Nordestino, sua fase ébria. Quando gravou o terceiro álbum, que estourou em Pernambuco, estava numa “fase etílica muito doida”. “Tinha acabado de ser apresentado ao álcool e para sair de dentro foi muito difícil”, disse. Nos últimos anos de ebriedade, bebia todos os dias.

A carreira do autor de “Chuva de Honestidade” foi retomada de forma mais eficaz 10 anos depois, quando decidiu largar a bebida. “Tive a felicidade de retomar meu trabalho e retomar a tempo”. A mulher, Cícera, teve papel fundamental nesse longo processo de desistência etílica. “Estou hoje aqui por causa dela. Ela me tirou de um buraco que eu sozinho não estava conseguindo sair”, reconhece.

Na entrevista a Arthur Vilar artista, o artista disse que quer servir de exemplo e de testemunho àqueles que querem deixar a bebida e se, com o seu testemunho, sintam estimulados. “Não sou contra ninguém que bebe, sou contra a mim que não sei beber”, diz, frisando que, se não pode controlar a bebida, saia fora.

Concordo com o compositor, pois deve-se consumir a bebida sob controle, e também com o padre de Caicó para quem “o problema não é o uso, o problema é o abuso”. O excesso não só causa dor de cabeça para si, gera um grande problema familiar.

Bebo e procuro beber dentro do limite, embora algumas vezes já tenha avançado no excesso. Costumo tomar duas ou três doses, duas a três vezes na semana. Quando cismo de passar meses sem tomar nada, consigo. Neste 13 de setembro, claro, pretendo brindar o Dia da Cachaça.

Assim como Flavio, parente meu, que igualmente é alcoólatra, deixou de beber há três anos. Certo dia encontrei amigo nosso que não via há algum tempo. Depois do abraço afetivo, na satisfação do encontro, ele arrematou: e o mano ainda bebe? “Graças a Deus, ele deixou de beber e graças a Deus, ainda posso beber”, brinquei.

Literalmente sem abuso.